quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Política e moral

 A propósito do meu último post, fizeram-me uma observação judiciosa

"O que essa esquerda faz é contrabandear ideologia por moral, atribuindo aos seus valores ideológicos o valor de uma moralidade, na qual obviamente se arrogam de ocupar o plano superior".

É uma observação interessante e, para a avaliar, tomemos um dos três princípios da revolução francesa, a origem ideológica de grande parte da esquerda: liberdade, fraternidade e igualdade.

Se em relação à liberdade há um grande consenso, que tanto inclui da esquerda como a direita, se ninguém liga nenhuma à fraternidade por todos terem a experiência diária da natureza humana, o que sobra é a clivagem entre os que dizem que sim, que a igualdade é uma questão central e os que preferem pôr a justiça nesse lugar.

Quando alguém diz que determinada acção ou política provoca desigualdades, fica imediatamente isento de responder à pergunta que deveria ser feita, do ponto de vista político: e depois? qual é o problema dessa desigualdade?

A razão para isso é que a igualdade é tomada como bússola moral - todos devemos procurar a igualdade, por definição, dizem eles - quando a realidade insiste em nos demonstrar que a procura de igualdade está na base de grandes tragédias colectivas e raramente nos tem sido útil.

A desigualdade existe, somos todos diferentes e a questão que se levanta é a da justiça: até onde a desigualdade nos leva à reprodução social - sou rico ou pobre porque o meu pai era rico ou pobre - ou à permanente roda da fortuna em que um tipo como talento e ética do trabalho pode ter o que tem Ronaldo, independentemente dos seus pais não terem quase nada de seu.

O que a esquerda tem feito, com a igualdade, mas com muitos outras opções políticas que deveríamos discutir pelo que valem em cada circunstância, é contrabandear as suas ideias como insusceptíveis de discussão, apresentando-as como bússolas morais e não como o que realmente são: opções políticas.

Talvez seja tempo para fazer perguntas que outros podem achar parvoíces, ou mesmo ofensas, em vez de continuarmos balizados por este contrabando de ideias políticas disfarçadas de moralidade.

33 comentários:

  1. Concordo

    A procura de igualdade de direitos e responsabilidades é o maior problema da sociedade ocidental.
    Veja-se uma potência emergente, a Índia, maior democracia mundial, que tem subido em todos os índices, mantendo uma sociedade de castas.
    Se cada um souber qual o seu lugar na sociedade, esta funciona muito melhor.

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  2. Não é verdade que ninguém ligue nenhuma à fraternidade mas o que esperar de alguém - um adulto, presumo, não uma criança mimada que quer os popós todos para si - que questiona "qual é o problema da desigualdade"?

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    1. A fraternidade é um uma falácia humanista jacobina
      A verdadeira sociedade assenta na liberdade de escolha sem amarras estatais (liberalismo) e princípios de solidariedade cristã

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    2. Obrigado pela demonstração do que digo no post: em vez de discutir os meus argumentos, pretende lançar um anátema moral que evite a discussão sobre as suas certezas.
      Explique-me então, qual é o problema da desigualdade?

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    3. Sabe bem qual é o problema: a desigualdade.assenta na concentração dos recursos nas mãos de alguns, condenando os restantes à pobreza e, tantas vezes, à miséria, e gerando exclusão, violência e criminalidade. Saberá também que quanto melhor a riqueza gerada é redistribuída e quanto mais uma sociedade procura o difícil mas desejável equilíbrio entre liberdade e igualdade mais pacífica é e maior o bem-estar de todos, sejam mais ou menos abonados. Mas sabe tudo isto e que não é verdade que a.natureza humana srka abessa à fraternidade. Pelo contrário, a cooperação com o outro é da natureza humana, pode ser estimulada ou contrariada e sociedades em que os seus membros cooperam entre si são habitualmente mais bem sucedidas. Mas já sabe tudo isto.

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    4. Mentira, a desigualdade não concentra recursos nas mãos de ninguém nem condena os outros à pobreza, isso é a vulgata marxista sem qualquer comprovação empírica.
      As sociedades que se pretenderam mais igualitárias, como o Cambodja de Pol Pot e outros, assentaram sempre, sempre, sempre na violência e resultaram sempre, sempre, sempre, na pobreza da generalidade das pessoas.

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    5. Os países escandinavos nao pretendem diminuir a desigualdade?

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    6. Os países escandinavos são socialistas, e é por isso mesmo que estão no lodo. Sem as ajudas americanas, o "estado social" deles cai qual castelo de cartas. Isso é bom enquanto há o dinheiro dos outros.

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    7. Não, nos países escandinavos há pessoas riquíssimas a quem ninguém incomoda por serem riquíssimas.
      O que se procura não é a igualdade, mas a justiça de todos terem oportunidades.
      Tem, por exemplo, a Suécia do auge do modelo social democrata (que entretanto tem perdido eleições atrás de eleições) levou Ingmar Bergman (um homem riquíssimo) a exilar-se na Alemanha por razões fiscais.
      Mais tarde voltou à Suécia, quando abrandou a pressão fiscal (e só essa) sobre os mais ricos.

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    8. Bergman exilou-se por razões judiciais, não fiscais. Não se pode comparar com todos os cidadãos que escolhem o Mónaco como sua pátria.
      Na Suécia não há problemas em haver pessoas riquíssimas enquanto não houver pessoas paupérrimas e existir acesso igualitário a serviços como educação, saúde e protecção social.
      Durante anos a Escandinávia foi o "modelo" a seguir, va saber-se porquê já não serve, agora é ultra-liberalismo americano.
      Enquanto português só espero que Portugal lá chegue asap, todos os potenciais Ayn Rands merecem viver essa utopia.

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    9. De (supostamente)não cumprir a lei.

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    10. Nem o próprio José Sócrates diria melhor. Afinal o Eng trabalhava em dinheiro vivo para evitar o esbulho fiscal. Vaissaver é um liberal.

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  3. Igualdade
    Público e Privado trabalharem as 40h semanais
    É um exemplo de igualdade que devia ser prioridade dos partidos

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    1. Isso não é igualdade nenhuma, é apenas um aspecto da relação laboral

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    2. Ha um código de trabalho
      Não se aplica a todos por igual
      Chama-se a isso desigualdade

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    3. O autor da publicação acusa-me de "mentir" mas não leu bem o que escrevi ou não compreendeu. Sabe o significado da palavra equilíbrio?Leia melhor. Olhe que chumbava no PISA.

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  4. A fraternidade é útil nas austeridades e nas guerras
    Estamos todos no mesmo barco, somos todos irmãos
    No restante tempo a vida é uma competição , aplica-se a selecção natural

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  5. “Se em relação à liberdade há um grande consenso, que tanto inclui da esquerda como a direita, se ninguém liga nenhuma à fraternidade por todos terem a experiência diária da natureza humana, o que sobre é a clivagem entre os que dizem que sim, que a liberdade é uma questão central e os que preferem pôr a justiça nesse lugar.”
    Não é uma questão de substância, embora vá lá ter. Como é que alguém que
    se dedica a escrever publicamente as sua opiniões - deixo de lado o seu profundo juízo de valor sobre a natureza humana - não tem a mínima noção de sintaxe?

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    1. É simples, onde deveria estar um a, está um e, chama-se uma gralha e vou corrigi-la.

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    2. Já corrigi os dois erros, o tal e onde devia estar um a e um lapso em que onde devia ter escrito igualdade, escrevi liberdade.
      Obrigado pelas chamadas de atenção, sempre fui um péssimo revisor e nem sempre tenho condições para rever os textos que escrevo com o devido cuidado, confio bastante na inteligência dos leitores para conseguirem ler o que é lógico, em vez de serem meros literalistas.

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  6. A Revolução Francesa já trazia implícita ou, pelo menos, já abria a porta à filosofia "woke", porque ignorou a Verdade. Verdade, Justiça, Liberdade, por esta ordem, mantém-se desde o tempo da filosofia grega, em especial aristotélica. E decorre que a maneira mais eficaz de destruir o Ocidente é evidentemente ignorando a verdade ou subordinando-a a pretensos valores, que não são nem podem ser mais do que preconceitos e nos são vendidos como uma moral. É vidente que, sem verdade, seja justiça, seja liberdade, seja igualdade, seja o que for, nada pode ser aferido nem avaliado. O que, por sua vez, abre a porta às narrativas.

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  7. https://expresso.pt/opiniao/2025-02-18-chega-a-ligacao-entre-direita-radical-e-homossexualidade-reprimida-ca31dbde

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  8. A Verdade está com o Senhor, lá em cima. Não devia ser invocada em vão.

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  9. Deve promover-se (ou não) igualidade ou equidade?

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    1. Depende da sua condição enquanto ser vivo e, também, dos seus princípios, ou da falta deles.

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    2. ninguém liga nenhuma à fraternidade por todos terem a experiência diária da natureza humana

      Excepto na forças armadas. Ou em qualquer área em que o meu sucesso ou fracasso dependa de terceiros e vice-versa.

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    3. Isso não tem nenhuma relação com fraternidade

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    4. Então o que é "fraternidade "?

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    5. "Fraternidade é o vínculo de união, afeto e solidariedade entre as pessoas, baseado no respeito mútuo e no amor ao próximo como se fossem irmãos", de acordo com uma definição que nem sequer é minha.
      O que descreve em relação ao chamado espírito de corpo de quaisquer grupos de combate não se prende com respeito mútuo e amor ao próximo, mas sim com a consciência de que a acção colectiva e interdependente, de que depende a coesão do grupo, é a melhor defesa de cada indivíduo.
      Os rebanhos fazem isso (e bem, não há aqui qualquer valor depreciativo) e não há pingo de fraternidade entre os membros do rebanho.

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    6. A sua experiência foi diferente, então.
      É ir perguntar a opinião de quem esteve no Ultramar, ou num cenário idêntico

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    7. A experiência de guerra de coesão de grupos gera sentimentos mitigados de fraternidade, não significa isso que as pessoas pela vida fora, passem a ser irmãos, como sabe muito bem, acabada a comissão, cada um foi à sua vida, e juntam-se, quando se juntam, uma vez por ano para beber uns copos.

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