A propósito do meu último post, fizeram-me uma observação judiciosa
"O que essa esquerda faz é contrabandear ideologia por moral, atribuindo aos seus valores ideológicos o valor de uma moralidade, na qual obviamente se arrogam de ocupar o plano superior".
É uma observação interessante e, para a avaliar, tomemos um dos três princípios da revolução francesa, a origem ideológica de grande parte da esquerda: liberdade, fraternidade e igualdade.
Se em relação à liberdade há um grande consenso, que tanto inclui da esquerda como a direita, se ninguém liga nenhuma à fraternidade por todos terem a experiência diária da natureza humana, o que sobre é a clivagem entre os que dizem que sim, que a liberdade é uma questão central e os que preferem pôr a justiça nesse lugar.
Quando alguém diz que determinada acção ou política provoca desigualdades, fica imediatamente isento de responder à pergunta que deveria ser feita, do ponto de vista político: e depois? qual é o problema dessa desigualdade?
A razão para isso é que a igualdade é tomada como bússola moral - todos devemos procurar a igualdade, por definição, dizem eles - quando a realidade insiste em nos demonstrar que a procura de igualdade está na base de grandes tragédias colectivas e raramente nos tem sido útil.
A desigualdade existe, somos todos diferentes e a questão que se levanta é a da justiça: até onde a desigualdade nos leva à reprodução social - sou rico ou pobre porque o meu pai era rico ou pobre - ou à permanente roda da fortuna em que um tipo como talento e ética do trabalho pode ter o que tem Ronaldo, independentemente dos seus pais não terem quase nada de seu.
O que a esquerda tem feito, com a igualdade, mas com muitos outras opções políticas que deveríamos discutir pelo que valem em cada circunstância, é contrabandear as suas ideias como insusceptíveis de discussão, apresentando-as como bússolas morais e não como o que realmente são: opções políticas.
Talvez seja tempo para fazer perguntas que outros podem achar parvoíces, ou mesmo ofensas, em vez de continuarmos balizados por este contrabando de ideias políticas disfarçadas de moralidade.
Concordo
ResponderEliminarA procura de igualdade de direitos e responsabilidades é o maior problema da sociedade ocidental.
Veja-se uma potência emergente, a Índia, maior democracia mundial, que tem subido em todos os índices, mantendo uma sociedade de castas.
Se cada um souber qual o seu lugar na sociedade, esta funciona muito melhor.
Não é verdade que ninguém ligue nenhuma à fraternidade mas o que esperar de alguém - um adulto, presumo, não uma criança mimada que quer os popós todos para si - que questiona "qual é o problema da desigualdade"?
ResponderEliminarA fraternidade é um uma falácia humanista jacobina
EliminarA verdadeira sociedade assenta na liberdade de escolha sem amarras estatais (liberalismo) e princípios de solidariedade cristã
Obrigado pela demonstração do que digo no post: em vez de discutir os meus argumentos, pretende lançar um anátema moral que evite a discussão sobre as suas certezas.
EliminarExplique-me então, qual é o problema da desigualdade?
Igualdade
ResponderEliminarPúblico e Privado trabalharem as 40h semanais
É um exemplo de igualdade que devia ser prioridade dos partidos
Isso não é igualdade nenhuma, é apenas um aspecto da relação laboral
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