Estou farto de escrever contra o abuso de linguagem usado nas discussões sobre os conflitos na Palestina e arredores.
Deliberadamente, confunde-se o conceito canónico de criança - pessoa antes da puberdade - com o conceito administrativo usado - pessoa até aos 18 anos.
Numa zona do mundo é que o recrutamento de combatentes por parte dos grupos armados começa por volta dos doze anos (não é nenhuma especificidade local, é muito frequente em grupos insurgentes de muitas partes do mundo), a distinção do conceito canónico de criança e do conceito administrativo deveria ser uma preocupação permanente de quem quer discutir o assunto fora de um enquadramento militante.
Por causa de uma senhora que ficou muito ofendida quando escrevi que uma pessoa depois da puberdade não é uma criança, é um adolescente, demonstrando o seu nojo por mim porque a sua filha tinha 15 anos (não percebi a lógica, mas a lógica é um bem raro nas discussões sobre a Palestina, no caso, tenho a certeza absoluta de que serão muito raras as raparigas de 15 anos que acham que são crianças), resolvi olhar para a maternidade até aos 15 anos, em Gaza.
A taxa de gravidez adolescente, em Gaza, deve andar por volta dos 10% (com toda a cautela com que estes números devem ser lidos), em Portugal, para termos uma comparação, deve andar pelos 0,027%.
Quando vos falarem de crianças em Gaza, é bom lembrarem-se que inclui combatentes adolescentes, mães adolescentes e que metade da população de Gaza tem menos de 18 anos.
A menos que usem os números de Francesca Albanesi, que conseguiu calcular um número de crianças mortas em Gaza maior que o número de crianças existentes em Gaza, o que é extraordinário nesta guerra é que dos cerca de 70 a 80 mil mortos em Gaza, uns 50 mil sejam combatentes que o Hamas reconhece oficialmente como tal, a cujas famílias paga pensões de sangue, e não o número de verdadeiras crianças, pré-puberdade, que morreram nesta guerra (que as há, com certeza, como em todas as guerras, mas neste caso, numa proporção espantosamente baixa em relação a combatentes mortos).
Mais um texto inatacável. 10 em 10.
ResponderEliminarExactamente
ResponderEliminarHá que desmontar as falsas narrativas
Serviço público
Nem no caso das crianças-soldado em conflitos em África esta questão se colocou, que me recorde, mas aos palestinianos nem o direito a serem crianças é reconhecido. Conceito administrativo? Dito assim, soa a coisa menor, ao passo que "canónico" já soa mais respeitável. Mas não é meramente "administrativo", é juŕidico, legal, civilizacional, plasmado na Convenção dos Direitos da Criança, ratificada por quase todos os países do mundo. Haverá algo.mais "canónico" do que isto? Em Portugal, a idade pediátrica é hoje até aos 18 anos. Será por razões meramente "administrativas"?É aliás proibida a participação de crianças em conflitos armados e o exército israelita deveria denunciar essa prática, se dela tem evidências e proteger essas crianças e não matá-las, tantas vezes com um tiro na cabeça, como médicos voluntários em Gaza denunciam.
ResponderEliminarQue comentário idiota. A prática de recrutamento a partir dos doze anos está documentada sem margem para dúvidas.
EliminarRecrutamento é uma palavra simpática
EliminarOs nove filhos da medica Alaa al-Najjar, cujos corpos deram entrada na unidade de saúde onde a mãe estava a fazer um turno de urgência, eram bebés, crianças, adolescentes, jovens adultos? Eram combatentes?
ResponderEliminarDou-lhe uma pista que, com a sua peculiar procura de objectividade, decerto vai investigar: parece que mais velho tinha 12 anos.
Não percebo a sua dúvida, são evidentemente crianças. Que os pais, no seu direito, resolveram manter numa zona de risco, apesar dos avisos prévios para que os civis abandonassem a zona.
EliminarO que quer concluir com a sua pergunta retórica?
Que há danos colaterais em todas as guerras?
O post não é sobre isso, é sobre a manipulação emocional com base no uso duplo do significado de criança.
Vejamos: Se Israel mata crianças, essas crianças são soldados inimigos. Se são bebés de colo, são danos colaterais.
EliminarO método de bombardear indiscriminadamente habitações, hospitais e escolas está sempre justificado. Para os seus apoiantes toda e qualquer pessoa que Israel mate é um alvo legítimo por definição. Se morreu por ação israelita, era um terrorista.
O seu comentário é profundamente estúpido, em função do que está escrito.
EliminarO que está escrito é que a definição burocrática de criança (até aos 18 anos) inclui muitos combatentes (em especial, entre os 15 e 18 anos) e, por serem combatentes, são alvos legítimos, mesmo que lhes chamem crianças.
Concluir daqui que todas as crianças são alvos legítimos de Israel é pura estupidez.
Sim, nesta guerra, como em todas, há danos colaterais, incluindo a morte de bebés de colo (até com as FP25 aconteceu isso, a diferença é que para as FP25 bastava lamentar o facto, e no exército israelita desencadeia processos de averiguações e, se for caso disso, judiciais, quando há situações destas.
Concluir disso que estão justificados bombardeamentos indiscriminados (que, em qualquer caso, é mentira que existam) e o resto das idiotices que escreveu, é pura estupidez.
Na verdade, o conceito de criança, varia muito de sociedade para sociedade. Se é verdade que nas sociedades mais "pobres" o conceito de criança é mais "curto", uma vez que, por força da necessidade de trabalho, e até do casamento, deixam de ser crianças por volta dos 13/14 anos (a últimas das esposas de Maomé, o Profeta, era uma menina de 11 anos - que com certeza o deixou de ser na ocasião); já nas sociedades mais efluentes, o conceito de "criança", estende-se até aos 18, ou mais ainda. No caso português, para não irmos mais longe, é cada vez mais frequente ver os pais a intervirem na vida universitária dos filhos, tal e qual o fizeram durante o Liceu. Neste caso, temos o prolongamento do conceito de criança para lá dos 20 anos. Daí a que existam muitos destes pais fofinhos a considerar um jovem "palestiniano" de mais 20 anos como uma criança, vai um passo ...
ResponderEliminar"a últimas das esposas de Maomé, o Profeta, era uma menina de 11 anos - que com certeza o deixou de ser na ocasião"
EliminarOs Hadith dizem explicitamente que Maomé esperou até à menarca (= primeira menstruação) para a desflorar. Tal como aliás é usual nos casos de casamentos de meninas impúberes, os quais são e foram usuais em muitas sociedades. (Quantos reis e príncipes de Portugal se terão casado com meninas impúberes?)
Já agora, importa dizer que essa esposa de Maomé, de seu nome Aicha, foi uma das mulheres mais importantes do Islão, em particular na fixação da coletânea que o Corão é.
Realmente, tão comovente e humano. De certo o caro Anónimo não se importaria de oferecer a sua filha em casamento perante tal honra...
EliminarRealmente, no Ocidente teve-se uma luta civilizacional para se acabar com a pedofilia institucionalizada. A infância é para ser vivivda e não roubada. Conseguiu-se terminar com estas práticas medievais. No entanto, quando toca aos Islão não faltam floquinhos woke
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