sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Manuel Caldeira Cabral e as pensões

Não conheço, nunca falei com Manuel Caldeira Cabral, conheço (e sou amigo) de um dos irmãos, conheço tios e, naturalmente, conheci o avô, tendo eu uma boa opinião sobre a integridade intelectual de Manuel Caldeira Cabral.

Sei que esteve muito envolvido no  Livro Verde para a Sustentabilidade do Sistema Previdencial e estes dois factos far-me-iam sempre ter interesse na sua opinião sobre o recente relatório coordenado por Jorge Bravo.

Por acaso passou-me pelos os olhos a ligação para um debate exactamente com Manuel Caldeira Cabral e Jorge Bravo, sobre o relatório apresentado, que naturalmente fui ouvir.

Sobre o conteúdo do debate, quem quiser que o vá ouvir na ligação que está acima, o que verdadeiramente me surpreendeu foi ver a data do debate: 20 de Agosto, sendo hoje 28.

Durante oito dias não me passou pela frente qualquer referência a este debate, ao contrário do que acontece com as intervenções de Paes Mamede, e nem em artigos como o que escreveu Ana Mendes Godinho (a ministra de tutela do assunto quando foi nomeada esta comissão) para o Público fazem referências à coincidência de opiniões de Manuel Caldeira Cabral e Jorge Bravo, que resulta da extensa coincidência dos dois relatórios, na parte em que tratam do mesmo assunto.

O Livro Verde deixa de fora a Caixa Geral de Aposentações (com pena de Manuel Caldeira Cabral, que justifica com a falta de dados consistentes na altura), pelo que naturalmente há conclusões muitos diferentes quando se trata apenas uma parte do sistema e não todo o sistema mas, de resto, há grandes concordâncias entre Manuel Caldeira Cabral e Jorge Bravo.

E isso explica por que razão as opiniões de Manuel Caldeira Cabral são menos conspícuas que as inanidades de Silva Peneda, ou o diletantismo de Bagão Félix que surgem a propósito do relatório agora produzido.

Se Manuel Caldeira Cabral queria que se a sua opinião tivesse impacto mediático, tinha que alimentar os delírios das Margaridas Davim deste mundo.

Confesso que depois de a ouvir duas ou três vezes sobre habitação e fogos, deixei de ligar ao que diz, e vejo-a mais vezes na rua que na televisão, mas tive curiosidade em saber o que dizia sobre o relatório de Jorge Bravo.

Não ouvi até ao fim, ouvi o suficiente para a ouvir dizer que com as hipotecas reversas, quando o beneficiário morre, lá se vai a herança dos filhos, que fica para o banco e isso chega para se perceber que anda nas nuvens a falar de gambuzinos, como lhe é habitual.

Felizmente, Manuel Caldeira Cabral não se desvia um milímetro da integridade intelectual que eu esperaria, a julgar pelo debate que se pode ver na ligação acima, mas isso tem um custo mediático: o povo de esquerda que domina esmagadoramente o espaço público não lhe perdoa e, tanto quanto possível, evita que alguém o ouça.

12 comentários:

  1. Achei muito interessante este post, parabéns e obrigado por compartilhar sobreManuel Caldeira Cabral, também não o conhecia e agora vou procurar conhecer mais.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  2. Mesmo mantendo integridade intelectual, surpreende-me que Manuel Caldeira Cabral seja socialista. Conheço bem a família, o prof. Francisco foi professor do meu pai no ISA e uma tia de Manuel até é minha madrinha de casamento. Sintetizando, diria que são pessoas como deve ser.

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  3. Sempre pertinente e assertivo

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  4. O que são (ou pretendem ser) "hipotecas reversas"? Não são hipotecas normais (um banco empresta dinheiro a um privado usando como garantia a casa dele)?

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    1. Como o autor do post não esclarece, recorra à IA:
      “A hipoteca inversa (ou reversa) é um empréstimo em que um proprietário mais velho recebe dinheiro de um banco usando a sua casa como garantia, sem precisar de sair dela.Como FuncionaPagamento: O banco paga um valor mensal ou total ao dono da casa.Residência: O dono continua a viver na casa até ao fim da vida.Reembolso: “A dívida é paga apenas após o falecimento do proprietário ou se este decidir vender o imóvel.Herdeiros: Os herdeiros têm de pagar a dívida ao banco para ficar com a casa, ou vendem o imóvel para liquidar o valor e ficam com o restante.Vantagens e LimitaçõesComplemento de reforma: Ajuda idosos com pouca liquidez a ter rendimento extra.Sem prestações mensais: O devedor não paga parcelas ao banco durante o empréstimo.Disponibilidade: Este produto financeiro é comum em países como Espanha, Estados Unidos ou Reino Unido, mas não está legalmente regulamentado ou disponível em Portugal.”
      Em suma, quem paga a pensão dos idosos são os filhos ou, na sua inexistência, os herdeiros. Mas isso o Bravo e a comitiva de seguidores mais a família Cabral não explicam.

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    2. Obrigado por me poupar uma explicação que, como diz, qualquer pessoa pode encontrar facilmente.
      Já a sua conclusão, é simplesmente errada.
      O que o relatório de Jorge Bravo diz, de forma muito clara, é que este é um mecanismo complementar da reforma, isto é, a pensão normal é paga normalmente e não tem qualquer relação com este mecanismo.
      Este mecanismo serve apenas para dar liquidez a património do próprio, não serve para pagar pensões, isto é, alguém que tem uma casa mas que precisa de dinheiro para o seu dia a dia, pode transformar o valor dessa casa em dinheiro vivo para as suas necessidades imediatas.
      Pretender que as pessoas estão a gastar o que é dos herdeiros ao disporem como quiserem de património próprio, é uma tolice completa: não existe propriedade dos herdeiros antes da morte de quem é o dono do património.
      E isso está tudo explicadinho, mas claro que para quem não quer perceber, é impossível explicar.

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    3. Que os herdeiros só pagam as dívidas do detentor do proprietário depois da morte deste é uma verdade insofismável. Como é evidente, em vez de desperdiçar o dinheiro em contribuições para a reforma, os assalariados passarão a investir essa mesma verba na aquisição de património que depois penhoram para receber uma pensão decente. Se juntarem a essa contribuição o montante que gastam no jogo, então até podem sonhar com um reforma multimilionária. Nesse sentido, a primeira medida a tomar é a extinção do jogo. E por aí adiante, cortando em tudo o que é supérfluo: férias, futebol (o preço dos bilhetes é descabido), jantar fora, comprar peixe fresco ou roupa em primeira mão, ter carro próprio, comer pastéis de Belém para imitar os estrangeiros. E todos os trabalhadores passarão a felizes proprietários e desafogados pensionistas. Ainda lhes vai sobrar imenso dinheiro para os planos de poupança reforma. Mais a exigência do IVA aos canalizadores e a coisa está feita.

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    4. Não é "em vez de", como escreve, é "em complemento de", se quiser

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    5. Portanto, está tudo bem com a Segurança Social e o sistema de pensões. O que move Bravo, as seguradoras, as associações patronais, o governo e o autor deste blog é melhorar o nível de vida dos aposentados e reformados, dado que as pensões que recebem e, pelos vistos, continuarão a receber são insuficientes ou, até, miseráveis. À ‘anteriori’ estão a dar resposta ao problema da Aníbal Cavaco Silva, que optou pelas pensões que recebia face ao ordenado presidencial.

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  5. Agora até as hipotecas reversas são obra do demo. Estes socialistas não se mancam.

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    1. Tudo o que o socialista não controla é obra do Demo.
      O Socialismo é um mecanismo narrativo desenhado precisamente para justificar o controlo de tudo.

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  6. Texto assertivo de quem percebe da coisa e analisa sem pressupostos ideológicos.
    Venham mais destes

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