Os javalis são hoje, em muitas zonas do país, uma verdadeira praga.
Destroem culturas e hortas, revolvem terrenos, invadem espaços urbanos à procura de alimento, espalham lixo e provocam danos. Começam também a aproximar-se de zonas balneares e de outros espaços frequentados por pessoas, criando situações que, por pura sorte, ainda não resultaram num acidente grave com consequências humanas.
E a tendência é para que o problema se agrave.
Os javalis são animais extremamente adaptáveis e, no nosso território, têm poucos predadores naturais capazes de controlar de forma significativa as suas populações. Na ausência de grandes comunidades de lobos e de outros grandes predadores, cabe ao homem desempenhar esse papel de regulador.
É aqui que entra a caça.
Numa sociedade que compreendesse as regras básicas da ecologia, os javalis não seriam necessariamente uma praga. As suas populações seriam monitorizadas e mantidas dentro de níveis compatíveis com os recursos disponíveis e com o equilíbrio dos ecossistemas. A caça, devidamente regulada, seria uma das ferramentas para esse controlo.
Mas nós vivemos numa sociedade cada vez mais afastada das realidades concretas da natureza. Uma sociedade profundamente infantilizada, que tende a olhar para os animais através de um sentimentalismo ingénuo, esquecendo que os ecossistemas não funcionam segundo os nossos critérios morais.
Na natureza, as populações são controladas pela escassez de alimento, pelas doenças e pelos predadores. Não há nada de cruel nisso. É simplesmente assim que a natureza funciona.
E quando desaparecem os predadores naturais, alguém tem de desempenhar essa função.
Se não forem os lobos, terá de ser o homem.
Recusar esta realidade em nome de uma ideia sentimental de “protecção dos animais” não é proteger a natureza. É abdicar de a gerir e permitir que o desequilíbrio se agrave.
De certa forma, é um sintoma da nossa decadência: já não conseguimos sequer lidar com a natureza tal como ela é. Precisamos de a transformar numa versão sentimental, higienizada e confortável daquilo que gostaríamos que fosse.
E sim, gosto muito de animais e da natureza.
É precisamente por gostar que escrevo este post.
ResponderEliminar"De certa forma, é um sintoma da nossa decadência: já não conseguimos sequer lidar com a natureza tal como ela é."
Falso.
Nós conseguimos lidar com a natureza, apenas se tornou mais difícil devido à legislação existente, pois a desertificação do interior deve-se à implementação da legislação previdenciária e laboral.
A proliferação dos javalis assim como os habituais incêndios são apenas uma consequência disso.
Lidar com a natureza é muito mais simples do que lidar com a ignorância e estupidez, e obviamente da maldade (apesar de isto ser ignorância, pois há pessoas ignorantes que nem sequer reconhecem a maldade) humana.
A propósito, com estas chuvadas em Agosto, ainda dá para a vegetação crescer rapidamente e ainda haver incêndios lá para Outubro e mesmo Novembro.
Muito boa noite
ResponderEliminarQue esteja tudo bem consigo
Respeitosamente o meu muito sincero aplauso por este texto
Cumprimentos, saúde
António Cabral
Avaliei a entrada de Margarida Balseiro Lopes para o governo como um erro de "casting" (superior ao de Luís Neves, diga-se) mas depois da sua promoção neste segundo governo Montenegro, é em Montenegro, nas suas escolhas e não nas suas palavras que a Balseiro deve ser avaliada. Os eleitores da AD, incluindo muito provavelmente o autor deste excelente post deveriam preocupar-se.
ResponderEliminarONTEM: Colisão de carro com javali mata pai e fere filho no Alentejo
ResponderEliminar> ainda não resultaram num acidente grave com consequências humanas
ResponderEliminarJá houve um acidente mortal em Beja: https://www.jn.pt/pais/artigo/um-morto-em-despiste-de-veiculo-ligeiro-em-beja/18119956