quarta-feira, 8 de julho de 2026

Erros

Pela enésima vez, vi de raspão um título que dizia que a FENPROF defende que o Ministro da Educação não tem condições para continuar ministro.

Como todos sabemos, isto é o costume, de cada vez que há um problema, seja no Ministério da Educação, noutro ministério qualquer, num clube de futebol, na selecção, a resposta padrão é esta: cometeu um erro? Rua!

A quantidade de comentadores de futebol, que nunca treinaram uma equipa (o que inclui, por exemplo, Ricardo Quaresma) mas que têm a certeza de como o seleccionador nacional deveria ter conduzido as coisas, é extraordinária.

Mas é igual se passarmos do comentário e jornalismo desportivo para o comentário e jornalismo político, ontem ouvia uma jornalista a ter a certeza de que o ministro da educação tinha errado em ter tomado a decisão de digitalizar a correcção dos exames sem ter a certeza de que corria tudo bem, um comentário que mais do que dizer alguma coisa do ministro diz que a jornalista nunca geriu nada e, portanto, não faz a mínima ideia de que todas as decisões que se tomam, sobretudo em processos complexos, mas mesmo nos outros, tomam-se com a informação que existe e contêm riscos.

A alternativa à decisão não é uma decisão melhor, a alternativa à decisão é a não decisão.

O que me espanta neste barulho mediático à volta de qualquer problema é a intolerância em relação ao erro e que a FENPROF não saiba que ministros que cometem erros são muito melhores que ministros que nunca cometem erros, porque a única maneira de não cometer erros é nunca decidir nada.

São muito raros os erros que implicam mudar de ministro, erros como os que aconteceram com os exames permitem que os ministros passem a ser muito melhores ministros.

2 comentários:

  1. Uma visão hiper-otimista das coisas:

    1) É melhor fazer seja o que fôr do que não fazer nada. Tipo: um general da Grande Guerra deve ordenar aos soldados que assaltem as posições inimigas, mesmo sabendo que a maior probabilidade é que grande parte dos soldados sejam mortos e os ganhos sejam pífios.

    2) Cometer erros é bom porque permite que da próxima vez não se cometa. Bom conselho para um estudante que vai fazer um exame.

    isto é o costume, de cada vez que há um problema, a resposta padrão é esta: cometeu um erro? Rua!

    De facto, essa é a resposta padrão dos partidos do sistema (PSD e PS) quando estão na oposição. Há um partido que é diferente dos outros, o PCP, o qual diz sempre que aquilo que interessa não é mudar as pessoas, mas sim mudar as políticas.

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    1. Deve ser isso, aliás, toda a gente sabe que nem a FENPROF, nem a CGTP têm qualquer relação com o PCP e por isso é que passam a vida a pedir demissões dos ministros.
      Quanto ao argumento de fundo, qual é a probabilidade de um general querer perder os seus homens sem ganhos nenhuns?

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