quarta-feira, 17 de junho de 2026

O caso das bandeiras (outra vez)


A devolução ao Parlamento, sem promulgação, do decreto sobre as regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos, pelo Presidente da República, António José Seguro, deve levar-nos a reflectir. Nada como fazê-lo num dia em que joga a Selecção.

Num tempo em que a coesão social europeia está sob ameaça — devido à difícil integração dos imigrantes, à complexidade do controlo dos fluxos migratórios e a uma profunda crise demográfica —, os símbolos nacionais e os valores culturais e religiosos que contrariem a fragmentação e sustentem o nosso chão comum tornam-se ainda ainda mais prementes.

O decreto aprovado pela AD seguia precisamente essa orientação. Importa salvaguardar a “sacralidade” desses espaços públicos, assegurando que as bandeiras aí hasteadas se limitem a uma simbologia agregadora e unificadora — como, por natureza, se espera de uma bandeira nacional. Dar lugar, nesses edifícios, a bandeiras de “causas”, intrinsecamente sectárias ou partidárias, por mais legítimas que se apresentem, seria mais um erro a somar ao relativismo que expõe a cultura ocidental à fragmentação e ao excesso de “diversidade”.

Ontem à noite, num debate na SIC Notícias, Ricardo Costa — com a sua habitual tendência para monopolizar a conversa e interromper o interlocutor — confrontou Pedro Gomes Sanches com a ideia de que também a própria bandeira da República é profundamente sectária na sua origem. É uma tese que me atrai, confesso, mas não me convence. Mantenho, de facto, uma relação ambígua com o pavilhão que emergiu da revolução de 5 de Outubro: admito que, nos primeiros anos, o hastear da bandeira verde-rubra inspirada na da Carbonária tenha parecido uma provocação para a maioria dos portugueses. Com o tempo, porém, eu próprio acabei por assimilar aquela fealdade e, hoje, reconheço a simbologia que a bandeira adquiriu ao longo do último século. Como dizia o meu pai, foram muitos os portugueses que morreram a defendê-la, por mais ilegítimo e inestético que tenha sido o seu processo inicial de imposição.

O facto incontornável é que essa bandeira é hoje unanimemente aceite como bandeira nacional. Quem, como eu, não aprecia a sua estética tem uma solução simples: fixar o olhar nas armas, ao centro da esfera armilar. Ali está contada a nossa História — o elemento fundamental do chão comum de que uma comunidade precisa para funcionar e ser bem-sucedida. É essa História que assegura aos forasteiros que nos procuram que chegam a um lugar distinto, com condições culturais e materiais diferentes daquelas de onde partiram.

Por isso, é preocupante a ingenuidade — ou a má-fé — de quem considera estes assuntos menores e entende ser indiferente hastear a bandeira nacional ou a bandeira arco-íris na varanda de uma câmara municipal ou de um parlamento.

6 comentários:


  1. "Num tempo em que a coesão social europeia está sob ameaça"

    Torna-se ainda mais urgente que haja vontade/coragem política não só a nível nacional como ao dos outros países, para implementar reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.

    É a maneira mais simples, fácil e barata de combater revolucionários que facilitam a entrada e permanência de imigrantes com o objectivo de destruir a sociedade.
    É a maneira, mais simples, fácil e barata de combater revolucionários que têm como objectivo a destruição económica do país.

    "profunda crise demográfica"

    Não existe nenhuma crise demográfica.
    Geralmente associa-se o envelhecimento populacional à sustentabilidade da segurança social, ora, nada mais falso, pois o sistema de reformas da segurança social, simplesmente é um esquema em pirâmide que só existe porque é o Estado a fazer e obviamente não depende das contribuições efectuadas por trabalhadores e empresas, mas sim do financiamento externo, aliás, isso tornou-se notório na Grécia e no tempo do Pinócrates.

    Estava eu na escola primária e havia um crucifixo na sala de aula bem visível e com o tempo dos governos revolucionários do Guterres foram retirados.

    Se não se consegue a implementação das reformas estruturais, pelo menos que se faça milhares de debates sobre as reformas estruturais a implementar e não "fait-divers" para desviar atenções.

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  2. As únicas Bandeiras admitidas em Edificios Públicos deveria ser a Bandeira Nacional, as Bandeiras das Regiões Autónomas, e as das Cidades.

    São de admitir naturalmente, todas as Bandeiras Corporativas, Forças Armadas, Bombeiros e outras Corporações.

    Bandeiras de Instituições Civis , só nos Espaços pertencentes a essas entidades.

    Bandeiras de causas só nas respectivas sedes, depois de referendadas.



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  3. Eu não tenho «uma relação ambígua com o pavilhão que emergiu da revolução de 5 de Outubro»: desprezo-o contínua e consistentemente, e subscrevo inteiramente a designação de «ignóbil trapo» dada por Fernando Pessoa. Eu nunca irei «assimilar aquela fealdade». Por isso, como é que se pode afirmar que «o facto incontornável é que essa bandeira é hoje unanimemente aceite como bandeira nacional»? Eu não a aceito, e, logo, não há unanimidade. E, aliás, não duvido de que há muitos outros que pensam como eu.

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  4. Ainda há poucos anos havia montes de bandeiras da Ucrânia hasteadas por tudo quanto era sítio. Se recuarmos mais uns anos, havia bandeiras de Timor Leste.

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  5. a coesão social europeia está sob ameaça — devido à difícil integração dos imigrantes, à complexidade do controlo dos fluxos migratórios

    O que vejo nestas frases é que a idelogia do CHEGA tem seguidores na AD.

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    Respostas
    1. Parece-me um erro crasso a entrada de tantos Indianos (diz-se que uma parte deles são Paquistaneses) em idade militar, em Portugal.

      Mas quero crer que os responsáveis estão a par e as coisas estejam sob Controlo




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