Dando uma vista de olhos pelo que se vai publicando dos meios mais formais aos mais informais, dois assuntos vão aparecendo nestes dias: o relatório sobre a população, do INE, saído ontem, e as referências e discussões sobre um fundo soberano de que Luís Montenegro falou no Domingo.
Os dados da população são mesmo muito relevantes, quer porque correspondem a uma alteração substancial nos métodos de produção de informação do INE, quer por mostrarem um aumento de população surpreendente, para quase onze milhões e meio de residentes, quer ainda por acabar com as dúvidas relevantes sobre o que aconteceu em matéria de migração nos últimos anos, com fluxos migratórios anuais, repito, anuais, de praticamente 3% em 2022 e 2023, e 2% em 2024, duplicando a população estrangeiro em Portugal de 7% para 14%, mais coisa menos coisa.
Ter mais 800 mil pessoas em menos de cinco anos, tem evidentemente impacto quer nos serviços públicos (saúde e educação à cabeça), quer nos mercados, por exemplo, habitação.
E como os fluxos migratórios são relativamente concentrados geograficamente, têm um peso ainda maior em algumas regiões, por exemplo, no Algarve.
Acresce que estes fluxos migratórios não correspondem a distribuições normais de idade e sexo, havendo, inevitavelmente, uma sobre representação de homens em idade activa (para não me chatearem com afirmações sem dados, aqui vai a pirâmide etária e por sexo que compara 2021 com 2025).
Para além destes aspectos mais sociais, chamemos-lhes assim, o aumento de população activa representa um aumento do PIB potencial, corresponde a um activo económico formidável.
Há pois muitas razões para falar deste assunto, para o discutir, incluindo a absoluta irresponsabilidade de políticos e jornalistas que tentaram, de todas as maneiras e feitios, condicionar a discussão sobre os efeitos reais das políticas migratórias adoptadas pelo PS.
Já sobre o fundo soberano, não se sabe nada, trata-se de uma afirmação no ar, sem qualquer base informativa concreta, feita por um político.
E, no entanto, apesar de ser uma mão-cheia de nada de que ninguém sabe nada, tem vindo a ter tanta importância no debate público como os dados do INE, com imensos comentadores cheios de certezas sobre uma matéria sobre a qual não sabem, nem podem saber, nada, a não ser um nome que, sem conteúdo, não diz nada.
Sim, somos pobres, no debate e no dinheiro (quando comparados com os países mais ricos, no conjunto do mundo nós estamos do lado dos ricos), suspeito que seja mesmo por responsabilidade nossa, em especial de uma imprensa que se encanta com uma afirmação vazia de um político, ao ponto de a tratar ao mesmo nível que informação relevante e nova sobre nós e a nossa realidade.
Tenho pouca veia para este modelo especulativo de conversa sobre hipóteses, se quisesse também me punha aqui a especular que Ventura intuiu que o negócio político da imigração está em perda e virou-se para a tarefa de redireccionar o ressentimento social contra os ricos, assinalando-o com o voto contra o pacote laboral, como forma de capturar o eleitorado que resta na esquerda, mas qual é mesmo o interesse deste tipo de especulações?

Mais uma vez discordo de HPS. Nada se sabe sobre como irá actuar o fundo soberano mas sabe-se bem o que é: um meio do Estado intervir na economia. Já houve experiências anteriores com diferentes nomes mas uma constante: o governo ter um quadro ideológico (a que pode chamar económico) que define o que são sectores estratégicos ou prioritários.
ResponderEliminarE sabe-se ainda mais. Não tendo Portugal petróleo ou gás - o que tem financiado a maioria os fundos soberanos que existem - vai ser financiado com mais dívida pública.
Não percebo por que razão discorda do que escrevi quando demonstra exactamente o que escrevi: ninguém sabe o que é esse fundo soberano.
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