Não conheço, nem sabia quem era Ana Bárbara Pedrosa, embora tivesse ouvidos ecos sobre a boa qualidade dos seus romances.
Recentemente envolveu-se numa discussão em que defendeu uma tese abstrusa: há violência política da extrema-direita, mas não há violência política da extrema esquerda, actualmente.
Quando lhe fizeram notar que ainda recentemente tinha sido lançado um cocktail de Molotov sobre uma manifestação pacífica, meteu os pés pelas mãos e enveredou por uma argumentação contorcionista sobre apoios formais a actos violentos.
Mais tarde escreveu no Expresso uma sequela dessa discussão, em que se entretém a fazer listas selectivas de cenas, para demonstrar o que é a violência política de extrema direita, onde inclui este parágrafo:
"Desde que debati com Morgado, há menos de uma semana, já li coisas como: “Três estalos valentes na gaja e isso acabava ali mesmo”, “Ela devia abrir os olhos todos, inclusive o que não vê (o de baixo) devia levar nele até aprender”, “O voto que mais rebentou com o mundo foi o voto da mulher”, “doente mental”, “fufa do esgoto”, “personagem travestida”, “mulher macho da Mortágua”. Nisto, nem os meus filhos – de dois anos! – escaparam ao barulho. Sem motivo nenhum, sem que viessem a propósito, foram apanhados na onda do ódio de fanáticos com comentários deste tipo: “De mamas sai ao pai, estou para ver como é que amamentou duas crianças sem seios”, “Duas crianças de cabelo claro? Pensei que como woke teria filhos pretos ou islâmicos, a bem da inclusão e multiculturalismo”, “Normalmente na engenharia agrária a Vacas menos férteis são inseminadas com esperma de bois alfa. Deve ter sido o caso dela”, “Coitadas destas crianças que vão ser clientes de psiquiatras”, “A CPCJ não pode intervir? Devia...”".
Vejo muitos comentários de cavalgaduras neste parágrafo, mas não consigo ver nenhuma evidência de haver violência de extrema-direita neles, seu eu publicasse aqui muitos dos comentários que deito para o lixo no Corta-fitas, seria fácil verificar que ser-se objecto de comentários de cavalgaduras é habitual, que fazer esses comentários é uma estupidez, fazê-lo a coberto do anonimato é uma cobardia, mas não há campo político que tenha o monopólio das cavalgaduras, há em todos os campos políticos senhoras e senhores, meninos e meninas, Manuéis e Joaquinas, enfim, gente de todas as cores e feitios e medidas, pessoas que ficaram esquecidas, amigos, companheiros, camaradas que são cavalgaduras.
O que me espantou, confesso, não foi esta visão selectiva do mundo (mais tarde, ao tentar saber quem era a senhora, cujos romances passei a ter interesse em ler, por recomendação de José Eduardo Martins, fiquei a saber que era candidata do Bloco de Esquerda aqui e ali, mas, sem bem entendo esta frase confusa do texto que escreveu, da tendência social-democrata do Bloco de Esquerda: "É indiferente que eu esteja na esteira da social democracia e que se falhe, por isso, na classificação ideológica"), foi a concordância de José Eduardo Martins com as afirmações maximalistas do texto.
Por exemplo, para tentar demonstrar que não há violência na extrema esquerda, Ana Bárbara Pedrosa escreve: "não sei bem a que extrema-esquerda se refere: à minha volta, ninguém defende expropriações, redistribuição de metros cúbicos de latifúndios ou sequer ataques concertados a propriedade privada".
Ricardo Marchi ainda argumentou, no debate que eu vi, que a Europol identifica a larga maioria dos actos violentos como de extrema esquerda, embora a mortalidade seja maior na violência política da extrema direita, sugerindo que a extrema-esquerda se mobiliza violentamente mais contra a propriedade, e a extrema direita se mobiliza violentamente mais contra pessoas, mas foi inútil.
Para evitar contaminar a discussão com a aliança objectiva entre a extrema esquerda e o islamofascismo, contaminando com violência grande parte das acções dos "free palestine" (os tais que usam como slogan "globalize intifada", que é um apelo directo e claro ao assassinato de judeus em todo o mundo), fico-me pelo exemplo da Climáximo e todos esses grupelhos à volta da extinction rebelion e coisas que tais, que até fazem cursos de acção directa e desobediência civil não violenta, como se o facto da Climáximo dizer que despejar tinta em cima de uma pessoa é uma acção pacífica e não violenta a transformasse numa acção não violenta.
Não, meus caros, violência é violência, é completamente irrelevante se é praticada em nome da superioridade racial ou em nome do fim da exploração do homem pelo homem ou em nome do fim ao fóssil.
E sim, há, e continua a haver, violência de extrema esquerda, com a vossa complacência.
Ou o apagão de janeiro em berlim, no pino do inverno, que se sabe hoje ter sido obra da extrema esquerda desesperada com as alterações climáticas... mas isso não é terrorismo, nem violência, nem nada. São só pessoas boazinhas coagidas pela inércia dos fachos.
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ResponderEliminarE inteiramente verdade, que há violência e da grossa, de Extrema-Esquerda assim como a há de Direita.
ResponderEliminarTambém é verdade, e aqui as culpas começam na Comunicação Social, que a Violência quase que é boa, e quando não é, é pelo menos, desculpável se é de Esquerda e não é, logo é condenável, se vier da Direita.
Não sei se a coisa se explica por ronha velha e manhosa, cretinice pura, ou simples desonestidade.
Agora que não perdiam nada em ser vistos por um psiquiatra, parece evidente
extrema esquerda:
ResponderEliminaro discurso do ódio e sua intervenção na sociedade
O facto de Ana Bárbara Pedrosa ter ido buscar comentários das redes sociais mostra logo ao que vem.
ResponderEliminarO que é que valem exatamente tais comentários para poderem ser exibidos como defesa do que se disse?
O que eu sei dela é que "odeia" Haruki Murakami.
E eu li tudo dele.
A única diferença é que eu vivi no Japão.
E é capaz de ser uma grande diferença.
Só que eu não ganho dinheiro a escrever sobre o que desconheço.
Lógico, uma Bárbara a dizer barbaridades com mentirosa convicção .
ResponderEliminarNo fim de contas uma adepta fanática de um "clube" que, valha a verdade, já conheceu melhores dias.
Mas , levados ao colo pelo jornalixo doméstico, lá se vão aguentando...na esperança de que estes 2/3 anos se escoem e, "lá fora" , o vento mude de feição...
Intrinsecamente bacocos e provincianos no seu auto-proclamado "internacionalismo"...
Juromenha
https://x.com/KristinMReid11/status/2052626088556126358
ResponderEliminarNos EUA tal como cá as pessoas notam cada vez mais o que é o jornalismo "de referencia".
Areia para os olhos. Convém distrair as atenções. A violência verbal da extrema-direita não passava disso, palavras apenas. Era o que diziam, até desaguar na esquadra do Rato. Violência pura e dura. Sobre os excomungados da sociedade. Indefesos. Um ficou cego. E os outros?
ResponderEliminarCom a complacência dos “fazedores” de opinião pública. E, já que se meteu nisso, do autor deste post.
Fiquei francamente com curiosidade: em que é que a violência da esquadra do Rato é violência da extrema-direita?
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ResponderEliminarO molotov era de extrema-esquerda, ou seria mais uma manobra da extrema-direita para culpar a extrema-esquerda?
ResponderEliminarNenhum deles era canhoto !!
ResponderEliminarSanta ingenuidade. Mas de onde é que vem o discurso contra as minorias, imigrantes, marginais e por aí adiante. E não estranha o estranho exercício de violação com bastões? Claro que não tem nada a ver como homofobia, nem com sadismo, nem com o ódio a tudo o que é diferente, neste caso, como em muitos outros, praticado sobre os mais frágeis, que não têm meios para se defender. Execrável.
ResponderEliminarP. S. Já ouviu falar no Chega? E do Movimento Zero? E do 1143?
Continuei sem perceber por que razão se deve classificar tudo isso como violência de extrema direita
ResponderEliminarNão respondeu às perguntas que lhe fiz. Nem é, tão pouco, a isso obrigado. Deixo-lhe outra: a ignorância a quem serve?
ResponderEliminarA mim sempre me ensinaram que responder a uma pergunta com perguntas era má-criação.
ResponderEliminarPor isso, se não se importa, responda às minhas perguntas primeiro, depois discutimos as suas perguntas: em que é que a violência policial descrita é violência política de extrema-direita?
Os polícias do Rato eram todos filiados na extrema-esquerda e foram influenciados pela nefasta ideologia que esta espalha a sete-ventos: o ódio ao emigrante, aos desviados sexuais, aos marginais da sociedade, aos subsidiodepentes, à falta de respeito pela dignidade dos mais vulneráveis, ao exercício sádico de violência sexual sobre pessoas indefesas, vulneráveis sem voz para protestar, enfim, aos sentimentos cristãos mais elementares (os esquerdalhos são ateus).
ResponderEliminarNão percebeu, porque não quis perceber. Definitivamente, estamos numa sociedade de “colaboradores”.
Não faço ideia em que é que eram filiados os polícias, provavelmente eram filiados em coisas diferentes ou nem eram filiados, ou vai dizer que por haver polícias do Benfica no meio daquele grupo aquilo era violência futebolística?
ResponderEliminarPercebi sim, percebi a velha técnica de tentar misturar alhos com bugalhos.
Retiro as aspas a colaborador e acrescento que quem recorre a este nível de argumentação é um branqueador. O polícia que violou era do Benfica e o violado era do Sporting? Ou vice-versa? Alhos e bugalhos?
ResponderEliminarJá não é um problema da ignorância. É a legitimação do ódio ao “outro”, ao que é considerado diferente, degenerado ou patológico, evocando a retórica do discurso nazi. Seja negro, judeu, sem-abrigo, emigrante, homossexual. Todos os que são menosprezados socialmente pela sua extrema direita podem, eventualmente (ou frequentemente), ser torturados em esquadras pelos elementos que deviam cuidar da segurança das pessoas.
Com a concordância de quem destrata sistematicamente o regime que nasceu fruto do 25 de Abril. Nada é por acaso.
Nem sequer é original, basta ouvir o Chega, o Movimento Zero e o 1143. Os comentários que o seu post recebe são uma espécie de prova dos nove.