segunda-feira, 3 de julho de 2023

Q.E.D. sobre wokes

"um menor foi atingido a tiro, mortalmente, por ter cometido uma infracção de pouca gravidade. Demonstra sobretudo que a extrema-direita já ali depositou os seus ovos e que a lógica de ver no cidadão um potencial inimigo está instalada. Esta lógica ganha particular relevância perante cidadãos imigrantes ou que integram minorias".


Claro que o que diz alguém que acha que é preciso dar uma oportunidade aos talibãs afegãos ou que não foi vertida uma pinga de sangue numa revolta em que os revoltosos abatem vários helicópteros (com os seus pilotos, claro), em princípio não interessa nada.


Vamos esquecer as perguntas ao Público sobre as razões que o levam a contratar gente assim para fazer comentário, e concentremo-nos neste pequeno concentrado de wokismo.


Não sei como é em França, mas em Portugal, aquilo que se caracteriza aqui como uma infracção de pouca gravidade - condução de um automóvel sem habilitação legal para o fazer - é punido com pena de prisão até dois anos.


Mas há um bocadinho mais: aparentemente alguém (quem? por que razões?) emprestou um Mercedes eléctrico a dois miúdos sem carta de condução, para darem umas voltas.


Interceptados pela polícia, o menor não se limita a acatar as ordens dadas, foge com o carro.


O carro é obrigado a parar por causa do trânsito, e é abordado por dois polícias armados.


Perante essa abordagem, há duas versões: 1) a do outro ocupante do carro que diz que a polícia agrediu o condutor, sem razões nenhumas, assutando-o, o que acabou por resultar no facto de ter tirado o pé do travão, o que fez o carro começar a andar, visto ser um carro eléctrico e automático que não estava na posição de parking; 2) a do polícia, que diz que apontou às pernas mas o arranque brusco do carro por parte do condutor implicou uma mudança na posição da arma (o polícia estaria apoiado no carro), atingindo-o no peito.


Não vou discutir versões contraditórias nem responsabilidades no que se passou, mas o facto é que não se trata de nenhum menor que cometeu uma infracção sem gravidade, trata-se de um menor, várias vezes apanhado a conduzir sem carta, que foge da polícia quando abordado e que tenta resistir às ordens da polícia.


Isto acho que é claro, independentemente do último e fatal arranque do carro ter sido mais uma tentativa de fuga ou um acidente involuntariamente provocado pela actuação excessiva da polícia.


Primeiro ponto, muito característico deste tipo de wokismo radical, as vítimas nunca são responsáveis pelas suas opções até ao momento da tragédia, conduzir um carro de gama alta, emprestado, sem carta e fugir da polícia são consequências inevitáveis do racismo estrutural e não opções individuais daquela pessoa em concreto.


Salto mortal encarpado com pirueta para meter a extrema-direita a martelo na argumentação: o abuso de poder da polícia que exista não resulta das condições frustrantes em que trabalham, com a sua autoridade minada, também por este tipo de conversa de café, com a sua actuação fortemente condicionada e em bairros difíceis que podem incluir zonas em que um polícia não pode entrar fardado sem correr perido de vida, mas sim resultado da infiltração da polícia por forças da extrema-direita.


Conclusão, falar de imigrantes a propósito de franceses, nascidos em França, criados em França, escolarizados em França, pelo simples facto de algures no tempo, os pais ou os avós serem originários de outros países, acrescentando, a martelo, a pertença a minorias, como se a minoria de origem árabe em França não fosse uma enorme minoria, que tem de tudo, desde pessoas completamente integradas, membros do governo, donos de empresas, escritores de sucesso, etc., até pertencentes a comunidades fechadas que vivem praticamente em guetos.


A discussão das responsabilidades pela guetização, e do peso relativo das classes dominantes nessa exclusão, ou das próprias comunidades que não querem dissolver as suas especificidades culturais e religiosas no país de acolhimento, está totalmente ausente do discurso woke porque uma das principais características do wokismo radical consiste em evitar a complexidade das sociedades, comunidades e indivíduos, para se centrar na simplificação eficaz de uma única matéria considerada escandalosamente injusta, mesmo que tenha ocorrido há décadas ou séculos.


A mim falta-me caridade para tratar esta gente de forma cordata (os que escrevem disparates como aqueles com que comecei o post, porque não me passa pela cabeça cometer o mesmo pecado de simplificação da realidade e achar que todos os que pertencem aos grupos X ou Y são assim ou assado e passar a tratar vítimas, que realmente o são, como totalmente responsáveis pelas injustiças de que são vítimas, e portanto, em relação a esses, com certeza, merecem que procure compreender as circunstâncias que lhes negam a vida que gostariam de ter).

26 comentários:

  1. discurso do ódio ao ódio e sua componente selvagem perante uma sociedade que deixou de o ser e uma autoridade que se deixa manietar.
    novo modelo de intifada
    a pilhagem das lojas tem décadas

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  2. Embora os wokes neguem, a verdade é só uma:

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  3. Isto não é necessariamente assim.


    Os carros de mudanças automáticas que conduzi nos EUA eram assim: quando se retirava o pé do travão, eles começavam imediatamente a andar, sem necessidade de se pressionar o acelerador.


    Pelo contrário, o carro de mudanças automáticas que possuo não é assim: ele só começa a andar se se carregar no acelerador.

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  4. Curioso que os inadaptados são os ditos de 2ª geração (sendo que na realidade muitos já são nativos, pois nasceram no país), ao contrário dos reais imigrantes. Esses sabem o porquê de terem migrado para a Europa, têm consciência de que a pocilga europeia pode ser pouco recomendável, mas ainda assim é um bocadito melhor que os paraísos de onde fugiram, em termos de paz, emprego, e respeito pelos direitos humanos. Sim, que a malta que se queixa de que isto pelo Ocidente está do pior, devia ir interagir com as polícias dos costumes e outras forças da autoridade tolerantes para com os comportamentos desviantes, sejam de género, sejam de pensamento.

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  5. Tenho para mim que a razão para o Público ter contratado essa senhora e mantê-la lá onde está, é porque ela é garantia de "pageviews" - das quais a maioria, arrisco, são de pessoas como o HPS, que vai lá para ver até que ponto ela desceu desta vez e irritar-se com isso logo a seguir. Nos anos 80 do século passado, o Correio da Manhã, para vender ao domingo, apostou nas louras com mamas à mostra. Na década de 20 do Séc. XXI, o Público, para vender online, tem a Dr.ª Carmo, vestida. Está provado o tal "empoderamento", suponho.

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  6. Eu vivi na Pensilvânia. Na cidade onde eu vivia também havia bairros onde muitos brancos, bem ou mal, não ousavam entrar. E não era por neles haver muçulmanos. Não é somente em França, muito longe disso, que há bairros onde muitas pessoas de fora não ousam entrar. Mesmo cá em Portugal os há, ao que ouço dizer. E não é por nesses bairros haver muçulmanos.


    Eu vou frequentemente à rua do Benformoso, na Mouraria, em que quase todas as (muitas) pessoas que se vê na rua são muçulmanos originários do Bangladeche. Mas há também muitas pessoas que não são muçulmanas. Vê-se mulheres turistas a passar por lá em calções. E ninguém lhes faz mal, nem elas parecem ter medo.

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  7. Não será o caso, compro o Público, em papel, todos os dias

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  8. Pois, assim sendo, é mais difícil ignorá-la. Antes de desistir do Público, lembro-me de ter tentado e falhado com um "especialista em sistemas informáticos" chamado Vilarigues (era novo, na altura), e de ter tido sucesso com um "historiador" chamado Loff - agora, coitado, apenas mais um nessa categoria, e, talvez por isso, reduzido à condição de deputado do PCP.

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  9. Está a tentar dizer que aquele estudo é falso e não reflecte a realidade francesa?

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  10. ...de resto se dúvidas houvesse sobre o sentimento de impunidade desses grupos, bastava-lhe a notícia sobre o carro em chamas lançado contra a casa dum presidente de Câmara, tendo ferido com gravidade familiares seus.
    A França está um barril de pólvora e só não vê quem não quer ver. 

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  11. Está a tentar dizer que aquele estudo não reflecte a realidade francesa?


    Não. Certamente que a reflete.


    Estou a dizer que culpar a religião islâmica (ou sugerir que a religião islâmica é a culpada) por essa realidade é que é, provavelmente, abusivo.


    Porque há grandes comunidades muçulmanas em muitos outros países europeus (por exemplo, Alemanha e Reino Unido), nos quais não se formam ghettos similares aos franceses, nem se registam desordens deste teor.


    E porque há países que têm ghettos similares aos franceses, mas sem muçulmanos.


    Por exemplo, cá em Portugal temos o Martim Moniz, que tem montes de muçulmanos mas não é um ghetto, e diversos bairros que são (quase) ghettos, mas não têm muçulmanos.


    Eu diria que em vez de se culpar a religião islâmica pela formação de ghettos, talvez se devesse culpar a existência de ghettos pela transformação que ela opera na religião de quem habita esses ghettos.


    Porque as religiões não operam somente transformações na realidade social. Passa-se também o converso: a realidade social opera transformações nas religiões.

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  12. Alô Henrique, não estou a contabilizar, mas estes dois últimos posts foram na mouche.

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  13. Vê-se que alguns comentadores "politicamente  correctos" há já uns largos  anitos que não pôem os pés em França....
    JSP

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  14. Porque George Soros financia movimentos de esquerda e apoio a imigração de populações cujos valores civilizacionais e culturais colidem com os da democracia europeia?

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  15. É extraordinariamente desconcertante e invulgar que alguém, diante de uma morte, se foque no funcionamento das mudanças automáticas dum carro, 

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  16. A questão é se o governo francês utilizará a receita israelita para conter drásticamente estes desmandos sociais.

    Em Israel um julgado e condenado causador de morte(s) e destruição de propriedade pública ou privada, poderá ter a sua habitação destruída. Sendo que a comparação não é linear, esta norma obrigará as 1ªs gerações a conter, mesmo controlar a conduta de estes jóvens franceses. Antes tarde do que nunca?.

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  17. Após estas 5 noites a França será outra. 

    Agora constata-se o resultado da imigração sem controle, tão ao gosto das esquerdas ingénuas, os idiotas úteis.

    Agora Macron ameaça Generais que há vários anos andam a avisar os detentores do poder político de esquerda.

    Como será a França que se segue?.

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  18. A ler, a carta aberta que se segue, datada de Junho de 2021,  por iniciativa de vinte generais, cerca de cem oficiais superiores e mais de mil soldados assinaram um apelo "pelo retorno da honra de nossos governantes" e alertam para o risco de uma guerra civil perante o tentacular avanço do islamismo: 




    Aqui: 

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  19. Esta carta e todas as outras reacções da sociedade surgiram quando um professor foi decapitado em França. O assassino não constava sequer nos radares que identificam os radicalizados pelo Islão. Isto significa isto que a França perdeu o controlo e está a um passo da sua desintegração.

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  20. Essa morte não fez grande alarido,e não causou distúrbios nem motins.

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  21. Na França aquilo já lá não vai com avisos, é preciso acção (se é que ainda há homens suficientes para isso).

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  22. Quem invocou o sistema das mudanças automáticas como causa do arranque do carro foi um dos acompanhantes e eventual testemunha de defesa do falecido.Se as mudanças automáticas tiveram a ver com a situação (e pelo que se vê no filme é possível que sim), então o invulgar é que se ache a opinião desconcertante.

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