domingo, 9 de julho de 2023

Em defesa de Cristina Sampaio

Não conheço Cristina Sampaio de lado nenhum, excepto dos seus bonecos no Público, de que não gosto.


Acho o desenho desinteressante e o conteúdo frequentemente idiota e desnecessariamente panfletário, sem o mínimo de complexidade e de esforço para se pôr nos sapatos dos outros.


Mas isso é a mera opinião de um leitor, o facto é que é uma ilustradora com uma longa carreira, com muitos prémios.


Este boneco animado que se pode ver aqui ilustra na perfeição as razões pelas quais não gosto do trabalho que conheço desta ilustradora: chato, esquemático, difamatório e sem a menor sofisticação intelectual, é um mero boneco razoavelmente tosco a dizer uma estupidez que, inegavelmente, pelos padrões woke, é um discurso de incitação ao ódio (neste caso, de incitação ao ódio contra a polícia, qualquer polícia).


Sem surpresa, sendo o boneco o que é, passando na RTP1, sendo transmitido nos ecráns do Nos Alive, ao que me dizem, gera um movimento de indignação, com o Chega a dizer coisas que o Chega diz, com o PSD a pedir explicações ao Governo e à RTP (desculpem o pleonasmo), com os sindicatos de polícia a apresentar queixas judiciais contra os autores, por difamação.


Não estou nada de acordo com estas acções.


O direito à asneira é sagrado, nenhum polícia acaba difamado no fim deste boneco - o boneco é difamatório, mas é tão mau e tão idiota, que as únicas pessoas cujo bom nome é afectado por ele são os seus autores - e os autores devem ter toda a liberdade de expressão.


Eu não compreendo por que razão a RTP contrata o Spam Cartoon (vi outros, frequentemente estão ao mesmo nível, afirmações infantis e insultuosas sobre pessoas ou organizações de que não se gosta, iustradas com bonecos sem graça nenhuma), não compreendo as razões pelas quais o Público todas as semanas publica um boneco indigente desta ilustradora, mas isso faz parte da liberdade de toda a gente: a RTP, o Público, Cristina Sampaio e eu, todos temos a mesma liberdade para fazer asneiras, incluindo a asneira que faço todos os dias de comprar o Público e, com isso, financiar Cristina Sampaio e outros, alguns dos quais me chateia bem mais financiar.


Claro que eu teria bom remédio: fazer um jornal melhor que o Público.


Se não o faço, o problema é meu e deixem-se lá de perseguir pessoas por delito de opinião (e, na minha opinião, por indigência intelectual).

16 comentários:

  1. Parece-me que aqui quem foi perseguido de forma difamatória foi a policia em geral e num canal publico pago por todos. Calar e fechar os olhos é uma forma mansa de estar na vida. Os corruptos que estão à frente do país é que gostam de dizer: "não há alternativa , os outros ainda são piores .... Vão lá discutir a bola e comer uns tremoços que a gente trata do resto.Estejam caladinhos senão dizemos que são do Chega." 

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  2. Concordando que a liberdade de expressão é um valor a preservar, como acha que se deve confrontar o woquismo crescente de tvs e jornais, sabendo que a liberdade já está a perder com a ascensão dos wokes e a perda de diversidade de opiniões à direita.

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  3. a velha tem ódio a quem não concorda com ela. gostaria de ter a categoria do Charlie Hebdo. ''quando a merda acredita ser pastel de nata

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  4. Não tenho nada a ideia de que confrontar alguém se faça apenas obrigando-a a estar calada.
    Por exemplo, neste post, eu digo que não gosto do que vi e que acho uma infantilidade e uma estupidez.

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  5. Escrevendo, falando e fazendo o que me der na telha, não deixando de identificar o wokismo onde ele exisitir, impedindo-o de ser considerado o discurso do bem.
    Como sempre se fez em relação a tudo.

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  6. Ninguém pode afirmar que é um "discurso do bem" se o wokismo é, na prática incitamento ao ódio e só tem trazido segmentação e divisão na sociedade. A fragmentação que está à vista de todos é uma das consequências do "discurso de ódio"dos wokes. 

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  7. Aquilo é suposto ser humor ou critica? 
    A qualidade é o que se vê, como também se sabe que muito intelectual do humor em Portugal só sabe "brincar" com os adversários de barricada. 
    Merece repúdio formal e participação criminal? Pois, claro que não... mas os que (hoje) clamam pelo direito à crítica e liberdade de expressão, que diriam de um cartoon digamos por exemplo, com indivíduo étnico a casar a filha menor dele com outro adulto? A bem do humor, claro, nada mais.
    Pimenta no dos outros é refresco, e a tolerância e empatia são sobrevalorizadas. Nem indo à inteligência e reflexão, extintas há algum tempo.

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  8. Deixei de dar para esse peditório, HPS. Há muito que perdi as ilusões e não lhes cedo um milímetro da minha tolerância de outrora. Essa gente, caro Sr., tem acoplado todos os ismos do "progressismo" radical woke.  Hoje calhou ser o racismo, amanhã será o fascismo, o esclavagismo, o populismo, a homofobia e outras fobias. Enfim, um menu completo... 

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  9. Concordo. A questão aqui e que não posso decidir nao comprar a RTP. Escolho comprar ou não Publico, mas RTP tenho que pagar, e caro, mesmo nao vendo!

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  10. Creio que a defesa da "artista" é escusada. Enquanto a contratação, pelo Estado, autarquias e empresas públicas, bancos e "monopólios naturais" de todo o "artista" ou "intelectual" de esquerda ou extrema-esquerda é "perfeitamente normal" (dando até a ideia de que não existem outros), a sua dispensa é uma prova da natureza censória da direita. Ainda ontem vi uma "reportagem" na RTP2 em que a senhora "jornalista" (para lá de chamar "juiz" àquele Sr. Garzon, que foi demitido da profissão em 2012, por gravar conversas entre advogados e os respectivos clientes, o que, sendo ele que esquerda, é uma perfeita minudência) qualificou de "censura" o facto de os novos titulares dos poderes públicos não subsidiarem aquilo de que não gostam - que é, ou ao menos parece, o que a esquerda faz e, desde que me conheço, sempre fez, sem qualquer rebuço. Assim, o HPS e a "artista" podem estar descansados, porque, apesar da falta de gosto e talento, enquanto ela "malhar na direita", nunca lhe há-de faltar um palco e uns euros dos contribuintes ou dos clientes da SONAE (credo, se até a Alexandra Lucas Coelho - apercebi-me há um hora - tem um programa na RTP!).

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  11. A sorte da rapariga, a nossa sorte,  foi o polícia cartoon não estar a atirar no stormtroopers. Assim, e por enquanto, estamos livres de ser visitados pela Estrela da Morte.

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  12. Concordo completamente com o Henrique Pereira dos Santos.
    O cartoon/filme, independentemente do seu gosto, não provoca qualquer dano evidente, mensurável, quantificável, à Polícia nem a qualquer polícia. Como tal, não constitui difamação.
    Em geral, a barreira àquilo que constitui difamação deve ser colocada muito alta, por forma a que dificilmente, ou nunca, alguma forma de expressão possa alguma vez ser considerada difamação. Somente prejuízos mensuráveis e quantificáveis diretamente resultantes da expressão, ou então factos objetivamente falsos que sejam explicitamente afirmados, devem poder contar como difamação.

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  13. Em adenda, cito o Sr. Ministro da Cultura, a falar, anteontem, a um conjunto de jornalistas, sobre o cartoon da Sr.ª Sampaio: É um ‘cartoon’ e eu acho que devemos levar a sério essa autonomia do que é o humor e o humor sobre a atualidade política nacional e internacionalsurpreendo-me sempre que muitos daqueles que defendem a liberdade do humor e do ‘cartoon’ numas determinadas matérias e, depois, noutras, já pensem o contrárioEstavam presentes 5 "jornalistas" (cinco) quando o Sr. Ministro da Cultura disse isto, e a nenhum deles ocorreu perguntar-lhe como comentava, então, a exclusão de um exposição sobre cartoons políticos de uma obra do autor do famigerado cartoon "racista", "(acrescentando o pormenor delicioso de que "a conferência Combart é um projeto financiado pelo FCT desde 2019" - e, acrescento eu, que continuar a ser...)

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