Wokes e afins tendem a considerar que a cólera dos "amotinados" em França (já agora, noutras paragens também) se compreende, mesmo que não se justifique, porque são umas vítimas constantes, sobretudo da polícia.
Confesso que quando ouço estas generalizações me pergunto sempre quem são estes amotinados, para depois tentar perceber as raízes da tal cólera e as razões para a polícia, no dia a dia, os tratar mal.
Há vários artigos sobre isso, sobre o perfil dos amotinados e uma coisa é comum a todos os perfis que vi: as mulheres não existem.
Não é muito estranho que assim seja, 96 a 97% da população prisional são homens, quer em França, quer aqui, embora seja fácil encontrar mulheres nas manifestações pelo clima, contra a carestia de vida, pela habitação digna, por uma vida justa, enfim, todas essas reivindicações políticas e sociais que motivam manifestações.
No entanto, quando se procura especificamente compreender o papel das mulheres nos disturbios franceses, supostamente uma reacção compreensível de oprimidos contra o sistema e, sobretudo, contra a polícia, é mais fácil encontrar artigos em que mulheres apelam à calma, como este, que artigos que procuram caracterizar o perfil das mulheres que participam nestas manifestações (que as há, claro, são é poucas e invisíveis).
O que verdadeiramente acho intrigante, é o desinteresse das feministas, mesmo as mais radicais e constantes, em perceber as razões para a invisibilidade das mulheres nestas manifestações, talvez me ajudassem a perceber o que se passa com as mulheres destas comunidades que se afirmam como vítimas da sociedade.
ResponderEliminara invisibilidade das mulheres nestas manifestações
Eu vi na televisão diversas reportagens sobre as manifestações em França e nessas reportagens havia bastantes mulheres, e bem visíveis. Creio que ouvi algumas serem entrevistadas, que me recorde em português.
Acredito que não haja mulheres a atirar pedras à polícia, a partir montras de lojas e a lançar fogo a carros, mas nas manifestações havia mulheres visíveis.
estas são consideradas como fêmeas que ficam obrigatoriamente em casa a cozinhar, etc
ResponderEliminarse fossemos todos iguais o mundo era uma monotonia
A vida é assim: os "protestos", se forem uns, são "golpes de estado", se forem outros - e a masculinidade só é tóxica quando o vento sopra para a direita. Tudo "perfeitamente normal" (como diria o mister Artur Jorge), tal como o facto de, entre ontem e hoje (como aliás sucede quase todos os dias), ter gramado no noticiário das 8h da Antena 1 com duas senhoras a falar longamente em representação "dos médicos" e "dos reformados" - sem o "jornalista" informar que ambas militam num partido que teve 4,3% dos votos nas últimas eleições.
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ResponderEliminarsem o "jornalista" informar que ambas militam num partido que teve 4,3% dos votos nas últimas eleições
Como sabe JPT que militam?
Que eu saiba, a militância em partidos políticos desta ou daquela pessoa não é um dado público em Portugal. Algumas pessoas divulgam publicamente a sua militância num qualquer partido, mas a generalidade das pessoas não o faz nem - felizmente! - é obrigada a fazê-lo.
ResponderEliminarduas senhoras a falar longamente em representação "dos médicos" e "dos reformados"
Elas não falaram em nome dessas classes, mas sim em nome de organizações que lutam em favor dessas classes (e, eventualmente, não só). Organizações a que as pessoas podem livremente aderir ou não aderir, tal como podem livremente (não) aderir aos protestos e formas de luta convocados por essas organizações.
Tenho Internet e uso o Google.
ResponderEliminarBem observado, HPdS. Qué das feministas?.
ResponderEliminarNão são "organizações de pessoas", mas organizações formadas por um partido político para fingir que são "organizações de pessoas" com a ajuda de "jornalistas" (ou porque são preguiçosos, ou porque são do mesmo partido). Aliás, na altura dos "ladrões do Passos e da troika", como o patético MURPI, que o PCP inventou nos idos de 1974 não seriva, o PS inventou a "APRE", com uma sua militante à cabeça, a Sr.ª Maria do Rosário Gama (que, depois, até chegou a deputada), qualidade, que, lá está, nunca era divulgada quando ela aparecia aos berros na tv. Chegado o PS ao poder, a "APRE" desapareceu mais depressa do que um flato no vento.
ResponderEliminarQuem for Mulher não é feminista porque não é parva. Feminista é parva dado não ter entendido que a espécie humana é gerida pelas Mulheres.
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ResponderEliminarEm
https://www.cdu.pt/2022/mais-de-190-medicos-apoiam-a-cdu
está uma lista de médicos que apoiaram a CDU em 2022, na qual consta o nome de Joana Bordalo e Sá.
E, de não deu com ela, a senhora Isabel Gomes, que hoje falou "pelos reformados", é da Comissão Nacional da PCP https://www.pcp.pt/conferencia-nacional-2022/intervencao-do-pcp-junto-aos-reformados
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ResponderEliminarNão foi não ter dado por ela, foi não a ter procurado.
Trata-se de um caso claro de uma militante. Deveria ser como tal noticiado pelos media.
O caso de Joana Bordalo e Sá é menos claro, ela apoiou a CDU mas não é necessariamente militante do PCP.
ResponderEliminarOntem, no telejornal da 2: às 21:30, passaram a primeira-ministra francesa a visitar lugares afetados pelas depredações e em conversa com personalidades locais, e uma dessas personalidades disse que uma caraterística destas depredações era a presença de muitas mulheres entre os vândalos, contrariamente ao que era costume.
Pois claro. Temos que respeitar as culturas,a diversidade cultural, defender
ResponderEliminaras mulheres do patriarcado capitalista ocidental. Claro que se uma cultura
assinala a obrigação da mulher com a casa,com os tachos e com a cama
conjugal temos que a defender da opressão ocidental.
Manifestações são cometidas aos homens,tradicionalmente,na sagrada divisão
de tarefas,e é isso que temos de defender e proteger!
Qual é a dúvida?
Estão nas trincheiras da Ucrânia, a combater ferozmente, e a exigir cotas para mais...combatentes.
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