sábado, 20 de maio de 2023

A confiança no árbitro

Éramos muitos lá em casa e, portanto, havia muitas situações em que jogávamos o que quer que fosse.


E todos sabíamos que havia duas coisas absolutamente inaceitáveis para o meu pai: 1) acusar outro jogador qualquer de fazer batota (não só a batota era inaceitável, como não se joga com quem se admita que é capaz de fazer batota); 2) não se discutiam as decisões dos árbitros, nos jogos em que havia alguém encarregado de fazer de árbitro.


A explicação do meu pai era simples, e sempre a mesma: quem não confia no árbitro, não entra no jogo.


Lembrei-me disto a propósito de um indivíduo que, a pretexto de um caso de polícia, contactou não sei quantos ministros.


Um porque queria falar com a PSP, outro porque queria falar com a PJ, outro por causa de informação classificada, enfim, uma roda-viva.


Imaginemos que estou num edifício, que tem segurança 24 horas por dia, e me convenço de que está a acontecer qualquer coisa que justifica que se chame a polícia.


Eu, como a generalidade das pessoas, diria ao segurança para ligar para a esquadra mais próxima a pedir que a polícia viesse o mais rapidamente possível, visto que a minha preocupação seria ter a polícia a tratar do assunto no mais curto espaço de tempo, para prevenir consequências das acções em curso.


Aparentemente, outras pessoas funcionam de forma diferente: ligam ao ministro que tutela a polícia, para que esse ministro me ponha em contacto com o chefe máximo da polícia, de maneira a que o chefe máximo da polícia garanta que, o mais rapidamente possível, a polícia se encarrega do assunto.


Se excluirmos a hipótese de alguém ser completamente estúpido e estar convencido de que ligar a um ministro, para assegurar o contacto com o chefe máximo da polícia, que desencadeará a acção dos polícias mais próximos é mais rápido que ligar directamente para a esquadra mais próxima, sobra uma explicação racional para este caminho alternativo: garantir um tratamento privilegiado ao meu problema.


E isto diz muito mais sobre o que pensa o ministro Galamba do Estado e do seu funcionamento, que as não sei quantas horas de inquirições: Galamba acha que problemas comezinhos de polícia precisam do reforço da autoridade do governo para serem atendidos pela polícia, dito de outra forma, Galamba está convencido que é mais útil usar o seu estatuto para resolver os seus problemas que colocar-se em pé de igualdade com as pessoas comuns, confiando na relação do Estado com as pessoas comuns.


Por isso não entende que é o reforço da confiança das pessoas no Estado que é mais importante, e não as narrativas que, em cada momento, parecem servir melhor a sua prática política.


Nisso, infelizmente, não me parece que tenha grande divergência com António Costa.

11 comentários:

  1. corre por aí que para o 'f c dos penaltis' nada mais fácil que comprar árbitros

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  2. Bem visto. Uma cultura política obscurantista. E porquê?.

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  3. Claro que o sr galamba queria ter um tratamento privilegiado. Ele, como bom discípulo de Sócrates e subordinado de Costa (outro que também era um amigalhaço do sr engenheiro), vive muito bem com este tipo de tratamento. 

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  4. Desde o início que algo me diz que o João Galamba e a sua chefe de gabinete estavam em pânico por algum motivo que ainda não conhecemos _ e não são só as razões que eles invocam! Mas há uma coisa que salta à vista e é para mim muito clara: queriam que a devolução do computador fosse efectuada pelo Sis e não pelas autoridades competentes nestas situações. 
    Parece-me, pois, que tudo foi conduzido deliberadamente (por quem?) para que fosse o Sis a recolher o computador e para isso era forçoso que chegasse a casa de F:Pinheiro das autoridades policiais. E comprova-o a "pressinha" com que contactaram primeiramente aqueles serviços e o telefonema feito  à Ministra da Justiça, precisamente quem tutela as polícias. Note-se também o facto de lhe omitirem que o Sis já tinha sido "accionado" e actuado.
      

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  5. Mas atenção que ontem não foram 4,foram 3 e um repetido.

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  6. Mas não se pode dizer ,é discurso de ódio ...

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  7. Boa análise. Parabéns.

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  8. As quatro  senhoras daquele Ministério mantiveram-se "escondidas" na casa de banho, mesmo depois de as autoridades já estarem dentro do edifício. Elas afirmaram  não as terem ouvido chegar. No entanto, parece que entraram ruidosamente e com algum aparato, dizem. 
    Uma vez mais, me causa estranheza terem permanecido muito quietas e "escondidas", pois poderiam ter aparecido sem nenhum receio,  já que tinham protecção policial e portanto, estavam em segurança. Logo, o argumento de que sentiam medo não colhe, já não se justificava.

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  9. Que faz alguém que queira ter um alibi perfeito que o desresponsabilize de forma  inquestionável de "coisas" inconvenientes ou comprometedoras? 
    Diz-nos a experiência que apresenta uma "prova" visível e evidente (se possível com testemunhas) de que esteve em lugar ou cenário diferente e distante daquele onde ocorreram os acontecimentos. 
    "Elementar, meu caro Watson!". 

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