sexta-feira, 1 de abril de 2022

O sectário natural

A votação de ontem para a mesa da Assembleia da República tem uma importância relativa e bem faz a Iniciativa Liberal em não perder tempo com o assunto: apresentou candidatos, perdeu, aceitou a derrota e seguiu.


O Chega, pelo contrário, aproveita a onda de forma eficiente, dando razão aparente aos jornalistas que passam o tempo a dizer que o Chega se faz de vítima, sem perceberem que o Chega não precisa de se fazer de vítima, basta-lhe aceitar essa condição imposta pelos antifascistas.


Na verdade, essa votação é apenas a materialização das atitudes naturais dos diferentes actores, que incluem a grande quantidade de pessoas de esquerda que confundem adversários com inimigos e, por isso, olham para o seu sectarismo como uma virtude moral.


O sectarismo como condição natural de virtude é uma das componentes da situação que não jaz morta mas, seguramente, nos apodrece.

14 comentários:


  1. O sectarismo não é inteiramente simétrico nas sociedades ocidentais.


    Alguma diferença a esse nível teria necessariamente de existir entre o lado que preza mais a liberdade e a autonomia individual, e o lado que preza mais o dirigismo e a condução forçada dos homens, para o seu próprio bem.


    Mas esta votação foi a continuação de um início de legislatura absolutamente delicioso - pelo menos para quem preza o conceito de castigo.


    1º acto do novo poder, ainda antes de tomar posse: dispensar comunicação com o PR e lançar o elenco governativo para a comunicação social - "agora que já não preciso de ti para nada, nem perco tempo a dirigir-te a palavra".


    2º acto, na inauguração da sessão legislativa: chumbam-se todos os nomes propostos para a vice-presidência da AR, e fica-se só com dois do partido do governo (julgo que nunca terá acontecido em democracia) - "agora que já não precisamos de vocês para nada, nem vos deixamos sentar à mesa. Rua!".


    Uma delícia, esta desnecessidade de sequer fingir.

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  2. bem faz a Iniciativa Liberal em não perder tempo com o assunto


    Discordo.


    Num Estado de Direito, a Lei tem que ser cumprida. A Iniciativa Liberal tem que exigir que a Lei seja cumprida.


    A Constituição diz que a Assembleia da República tem que ter 4 vice-presidentes. Portanto, não é aceitável que a AR se ponha a funcionar sem os ter. A Constituição tem que ser cumprida.


    A Lei interna da AR também diz que cada um dos 4 partidos mais votados tem que ter um vice-presidente. A Iniciativa Liberal deve exigir que a Lei seja cumprida. Imediatamente.


    A questão não é saber se os deputados aceitam ou não aceitam que Cotrim de Figueiredo seja vice-presidente. A questão é saber qual dos oito deputados da Iniciativa Liberal os deputados (todos os 230) preferem que seja vice-presidente. Deve-se realizar uma votação com oito opções, e todos os deputados votam naquele que preferem; quem tiver mais votos, fica vice-presidente.


    A lei deve e pode ser cumprida. Basta optar poe um método de votação adequado.

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  3. Oh meu caro, que noticias assustadoras nos traz: 
    80% do nosso parlamento é constituído por sectários de esquerda que se recusam a votar a favor de um candidato por confundirem a

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  4. A lei interna da assembleia diz que cada um dos quatro partidos mais votados pode apresentar um candidato á vice-presidência. Não diz em lado nenhum que os deputados sejam obrigados a votar favoravelmente nesses candidatos.

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  5. Mais uma triste demonstração do que afinal é e como se pensa nesta dita "Assembleia da República".

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  6. "José Manuel Maia, ex-operário da Lisnave,  em 1974 entrou para o PCP e em 1987, ano em que o PSD de Cavaco Silva obteve a sua maioria absoluta,  Vice-Presidente da Assembleia da República.
    Fazia parte do Comité Central do PCP do período anterior à Queda do Muro de Berlim, era o PC da era pré-Perestroika e que expulsava quem a apoiava, era o PC ainda dirigido por Álvaro Cunhal, o PC que defendeu o famoso golpe contra  Gorbatchov, fazendo as famosas purgas numa altura em que muita gente estava a sair do partido. 
    Pois José Manuel Maia esteve como Vice-Presidente da AR durante os 4 anos  do 1º mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva e foi de novo reeleito no seu 2º mandato igualmente com maioria absoluta. Considerava-se na altura que o PCP não fazia parte do arco constitucional e ainda assim nunca foi barrado de ser incluído na representação institucional na Assembleia da República. O PSD teve a dignidade democrática de eleger este deputado e podia ter impedido se assim desejasse, uma vez que tinha uma maioria absoluta no Parlamento.
    Mas... eram outros tempos, havia uma outra cultura democrática que já não existe. Este é o facto a reter. 
    (Os elementos aqui trazidos contém citações retiradas da intervenção do jornalista José Manuel Fernandes, hoje, na rádio Observador, programa "E o vencedor é...")

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  7. Sectarismo e Democracia  é um paradoxo. Os dois termos contêm  conceitos que se excluem mutuamente.
    A alternância de poder e a pluralidade partidária são uma condição  "sine qua non" para que exista Democracia plena. Razão pela qual não pode existir partido Ùnico nas democracias. .Pese embora todos nós conheçamos quem se esforce muito (há demasiado tempo) por se tornar  "o" partido hegemónico, eternamente no poder.

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  8. É pena que se tenha aprendido tão pouco nestes quase 50 anos de democracia e ela pareça (como sugere) só exercer-se por meios coercivos ou pela força da Lei e não fizesse «ainda» parte da nossa natureza. 
    Significará isso que não atigimos a maturidade e não temos uma verdadeira cultura democrática,  entranhada como quem respira? 

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  9. O PSD deixou-se condicionar pelos sectários de esquerda, como tem acontecido frequentemente e é uma das características da Situação.

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  10. eram outros tempos, havia uma outra cultura democrática que já não existe


    Eram os tempos em que não havia redes sociais. Nesses tempos, o sectarismo era bem menor e a noção de sociedade, bem maior.


    As redes sociais vieram estragar tudo.

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  11. Não foi bem deixar-se condicionar. O PSD ficou com um trauma desde que a sua "pureza" democrática foi posta em causa na fase final da campanha eleitoral. Não se esqueça que o PS surgiu com uma manobra inesperada de última hora, um "deus ex-machina"  que o tirou do impasse (e do empate): a hipotética coligação do PSD com o Chega. E essa foi, sem dúvida, a pedra-angular que bastou para alavancar o PS e alçá-lo ao poder. 

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  12. Discordo: as redes sociais podem ter feito alguns estragos à democracia, mas não justificam tudo. A menos que as redes sociais sejam frequentadas maioritariamente por pessoas débeis, com défice cognitivo ou um grau de iliteracia maior que o esperado... e portanto, facilmente manipuláveis e influenciáveis. Não creio que a causa sejam só as redes sociais. O problema é mais profundo. 
    Então como se explicaria que outros países _apesar das redes sociais_ sejam democracias plenas, consolidadas e desenvolvidas, sociedades com uma verdadeira cultura democrática? Em geral essas populações destacam-se por serem bem informadas, atentas e exigentes i.e., fazem um escrutínio rigoroso ao "poder" e às suas Instituições. (A corrupção que existe é quase residual). Para além de existirem os outros mecanismos que travam eventuais "derivas" dos seus governantes, impedindo-lhes excessos, abusos de poder e desmandos. Todos sabemos bem como é a gestão do erário público nesses países_ com uma contenção e respeito quase sagrados_ por serem dinheiros vindos  dos contribuintes. Nem quero comparar a noção de "serviço ao país" desses governantes espartanos com os nossos nababos que, ao contrário, vêem em nós o dever de os "servir", lhes abrimos a porta dos topos de gama que pomos à sua disposição enquanto, curvados nos desbarretamos por entre as demais gentilezas (fora as restantes "cortesias" que os próprios "tomam" para sim_ essas por iniciativa pessoal..._  mas isso daria outra conversa) 


    (Reparou que a Educação é, para este governo, um não-assunto? Temos sabido da falta de professores já na próxima década.  Ouviu algum deles, em grandes aflições, enumerar medidas urgentes para debelar esse grave problema que aí vem?) Este país está a precisar de um enorme safanão!

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  13. "É bom que as pessoas não se conheçam muito porque ficariam a se odiar mais"

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Há muita gente que compara Montenegro a Costa, no sentido que os dois se dedicam muito à pequena política e pouco a tentar resolver coisas r...