sexta-feira, 22 de abril de 2022

Da tolerância (outra vez máscaras)

Tenho visto vários comentários no sentido de boicotar ou interpelar (estou a falar no sentido de confrontar ao estilo dos proselitistas) pessoas com máscara, sobretudo trabalhadores de lojas e afins.


Fui a um supermercado, e durante o tempo todo que lá estive penso que não vi nenhuma outra pessoa sem máscara, com excepção de um homem com máscara meio posta, meio não posta, que explicava à senhora da charcutaria, que conhecia, que já não era obrigatório e tinha respondido não sei o quê quando na Caixa Geral de Depósitos uma funcionária lhe tinha dito que precisava da máscara.


Reparei que a senhora da charcutaria lhe respondeu que sim, tinha razão, já não era obrigatório, mas eles - os trabalhadores do supermercado - era melhor que usassem "já viu, estamos aqui com toda a gente", dizia fazendo um gesto largo com o braço, e o assunto morreu.


Quando estava a pagar, perguntei à senhora da caixa se todos usavam máscara por opção ou por indicação da empresa, respondeu-me imediatamente que, no caso dela, era por opção e iria sempre continuar a usar porque tinha um enfisema pulmonar, mas que tinham já recebido uma comunicação da empresa a dizer que já não era obrigatório.


Cortei (mais ou menos) a conversa (os portugueses a falar de doenças são terriveis, mas conheço a senhora e até acho que nem seria o caso), explicando que estava a perguntar apenas para saber se era opção do trabalhador ou da empresa, por curiosidade.


Penso que hoje parte das pessoas ainda usaram máscara por deficiência de informação, mas é bem provável, como diz o João Távora mais abaixo, que a coisa demore o seu tempo a resolver-se.


Depois de tanto tempo a aturar parvos que me mandavam pôr máscaras, quer explicitamente, quer com olhares imperativos, espero agora não ter de passar o tempo a defender o direito das pessoas a estarem com máscaras, se quiserem, perante parvos de sinal contrário que acham que todos têm de fazer o que acham adequado.

16 comentários:


  1. Apoiado. As pessoas que quiserem usar máscara devem poder fazê-lo sem por isso serem vexadas ou olhadas de lado. Usar máscara deve ser uma opção legítima - tão legítima como uma mulher tapar a cabeça, por motivos religiosos ou outros quaisquer, com um véu ou com um lenço ou com um turbante ou com o que lhe apeteça.
    As pessoas devem ser livres de trajar como queiram.

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  2. Tem razão. Há por aí muita gente que gosta de impor o seu (não) poder de impor aos outros aquilo que acha correto.
    Contudo,  nos transportes públicos continuará a ser obrigatório. Assim não percebo os médicos (que supostamente sabem do que falam) queixarem-se antes da pandemia, que as pessoas entupiam as urgências nos picos da gripe, nunca terem recomendado às mesmas que usassem, durante esse pico, a máscara nos transportes públicos.

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  3. Só me falta um topo no Guiness... Ver um gaijo a passear o cão e ambos com máscara.


    Mas já vi um gaijo dentro de um carro grande alemão, sozinho, de vidros fechados, com máscara e com viseira. Uma besta. Aliás é o que há mais por aí.

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  4. Eu acho que até é bom sinal haver parvos dum lado e do outro. É sinal que a vacinação foi um êxito e atingimos finalmente a parvoíce de grupo.

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  5. A insensatez de alguns agora leva-os a tornarem-se "caça utilizadores de mascara". Advogam a não utlização de máscara e outras regras com a liberdade, constituição e afins, mas pelos vistos ignoram que continuamos com mais de 20 mortos por dia, assim como a liberdade de cada um poder continuar a usar máscara quando achar necessário.
    Obviamente que este alivio, ninguém usa máscara porque sim, irá agravar o numero de infeções, aumentar o numero de internados em enfermaria e cuidados intensivos e atrapalhar mais o já exaurido SNS.
    Resta-nos que esse efeito seja atenuado pela sensatez de quem continua a usar mascara em locais, para além dos indicados pelo governo, onde as pessoas se aglomeram.

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  6. Ou seja devem poder andar nuas na rua.

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  7. Tenho uma novidade para si: não há demonstração, em lado nenhum do mundo, que eu conheça, de qualquer relação entre a evolução da incidência desta doença e o uso obrigatório de máscaras.
    No entanto, percebo bem o seu ponto de vista: se correr mal, é por causa da insensatez dos que não usam máscara, se correr bem, é por causa da sensatez dos que usam máscara.
    Assim é fácil ser santo.

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  8. Quando as pessoas aceitam a ladainha dos mortos covid sem qualquer confirmação de autópsias é inútil tentar argumentar. É mais fácil enganar uma pessoa do que mostrar-lhe que foi enganada.

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  9. Você precisa que eu escreva tudo? É claro que há limites de decência e pudor. Mas só deve haver esses.

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  10. Não, não foi em todo o mundo, nem foi da mesma maneira, que as máscaras foram tornadas obrigatórias e é exactamente por isso que é possível fazer comparações e existem milhões de dados sobre o assunto.
    Só que esses milhões de dados sobre o assunto não permitem fazer demonstração nenhuma de que há uma relação entre a obrigatoriedade do uso de máscaras e a evolução da epidemia.
    Para responder a este facto, não vale a pena agitar espantalhos como a oposição às vacinas, por exemplo, pelo menos no que me diz respeito, pelo simples facto de nunca ter lido rigorosamente nada escrito por mim que seja contra vacinas.
    Estou de acordo, é completamente incompreensível que continue a ser obrigatório o uso de máscara, seja onde for: as pessoas são perfeitamente capazes de tomar decisões quanto ao uso de máscaras para se proteger quando entendem.

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  11. Resta é saber quem está enganado. Não pode assegurar os obitos por covid porque não se fizeram autópsias, mas pelo mesmo motivo, já não são mortos covid (brilhante dedução), apesar de pelo menos terem covid quando morreram. As pessoas só acreditam no que querem, mesmo apesar de estar à vista a maior probabilidade. 

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  12. "( brilhante dedução)"


    A dedução é sua, aliás não é uma dedução é uma falácia. 
    A ausência de autópsias impede a confirmação dos mortos covid mas não impede a existência de mortos covid. 
    Penso que isto é básico mas é como você diz, as pessoas só acreditam no que querem. 

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  13. Repare, está a partir do princípio de que a sua opinião é a verdade.
    Eu, que sou mais cartesiano e acho que a minha opinião é só a minha opinião (e sobre ela tenho muitas dúvidas), estou a pedir-lhe uma coisa simples: uma demonstração, verificável, de que o que chama irresponsabilidade das pessoas tem alguma relação com a evolução da epidemia.

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  14. Se isso fosse assim tão linear, desgraçados dos africanos. Com esgotos a céu aberto, sem vacinas e sem máscaras a esta hora já tinham desaparecido todos.

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