Se bem percebo, há uma esquerda que entende que se devem fazer cordões sanitários a partidos políticos legalmente constituídos.
Deu imenso resultado resultado com Trump, que apenas representava "a basket of deplorables" e com Bolsonaro "ele não", e vários outros exemplos, mas esqueçamos o empirismo para nos concentrarmos nos princípios.
Esta esquerda entende que se devem fazer cordões sanitários, porque não se devem normalizar correntes políticas anti-democráticas, que põem em causa o estado de direito e essas coisas todas.
Acontece que essas correntes políticas crescem porque têm votos (não entremos agora na estupidez de quererem confundir partidos que se limitam a ter votos, com partidos que tinham fortes milícias para-militares na primeira metade do século XX, para não complicar).
Ou seja, esta esquerda quer conter estas correntes políticas não lhes dando palco.
Palco esse que, na opinião destas esquerdas, é responsável pelo crescimento eleitoral dessas correntes políticas.
O corolário lógico disto é que esta esquerda tem medo de não conseguir persuadir os eleitores, se tiver de partilhar o palco com terceiros.
E que esta esquerda acha que se estas correntes políticas tiverem acesso ao espaço público, os eleitores vão a correr votar nestas correntes políticas.
Naturalmente porque os eleitores são estúpidos e não sabem distinguir os seus interesses da banha da cobra, concluo eu, cartesianamente.
Para grande parte desta esquerda, esta desconfiança no discernimento dos eleitores é uma longuíssima tradição, é uma fama e um proveito que vêm de muito longe, de muito mais longe que a do brandy Constantino.
O Chega, naturalmente, segue a velha máxima militar de jamais interromper os inimigos quando estão a cometer um erro.
ResponderEliminarAs esquerdas simplórias são isso mesmo. Não vale a pena esperar um mínimo de respeito pelo articulado constitucional, quer na vitória quer na derrota.
Interessante será assistir à conduta do PM para com o Chega. Uma verdadeira pedra de toque à qual o PM não vai poder escapar.
Sobranceria, respeito constitucional, tentativas de ocultação de dossiês?.... Veremos.
Tanto o Chega como a esquerda estão a cometer um erro.
ResponderEliminarO erro da esquerda é por demais evidente no post que estou a comentar. O do Chega é o de enredar-se em polémicas estéreis e vazias de conteúdo quando devia estar a trabalhar para resolver os problemas reais do país. É que não vejo em que é que discutir a epiderme dos portugueses vai solucionar a actual crise no sector da energia ou pôr a economia do país a crescer.
Até Marques Mendes, disse claramente que seria legítimo os deputados não elegerem Pacheco de Amorim mas que seria estúpido.
ResponderEliminarOs antecedentes foram Krus Abecasis, por 3 vezes proposto pelo PSD e 3 vezes não eleito, tendo então, por sua iniciativa, desistido da candidatura. De acordo com o regulamento que permite o funcionamento desde que estejam preenchidos (2/3?) a mesa da AR funcionou incompleta.
Ora parece que todos concordam que a polémica só beneficiará o Chega, que ficará como vítima e André Ventura já declarou que, se for necessário apresenta seguidamente todos os deputados à eleição. Se, como Krus Abecasis, Pacheco do Amorim e os restantes deputados só desistirem à terceira vez, temos 36 eleições. Mas nada que eu conheça limita o número de vezes que um deputado pode ser apresentado à eleição e se André Ventura, como líder da bancada, depois de apresentar sucessivamente os 12 deputados, voltar a apresentá-los novamente, e novamente, pode bloquear o início dos trabalhos parlamentares.
Se eu sei alguma coisa de psicologia das multidões - pelo menos li o livro - a percepção de culpa recairá nos que não votam e não nele.
Mas se, depois de 6 ou sete votações, finalmente deixarem passar um deputado do Chega, Ventura ficará publicamente como vitorioso. Uma demonstração de poder que atrairá adesões.
Marques Mendes só pecou por defeito. Não será estúpido mas muitissimo estúpido.
Ontem ouvi na CNN a deputada Isabel Moreira do PS num debate com o Chega (havia outros intervenientes). Achei inaceitável a "forma" e o tom de superioridade das suas intervenções, muito pouco democrática e de uma arrogância que roçava o discurso de ódio. Não me identifico nem sou eleitora de nenhum desses dois partidos, mas aquilo incomodou-me, sobretudo pelo que significou. Se a "forma" é o lado exterior do discurso, também não deixa de ser um prenúncio, ou um indício revelador do "conteúdo" do discurso mental ...ontem deixei de ter quaisquer dúvidas, ao ver a deputada Moreira: tudo nela ressuma privilégio de casta e aquela segurança de estar bem respaldada pela sua grande tribo, aquela que se presume dona do País, dona do Regime, dona do Estado, dona de todas a Certezas e de tudo "se mais houvera" .... Ao mesmo tempo desfasados do que acontece "em baixo", cegos para as motivações que fazem crescer esta nova realidade, ignorantes do que pensa e sente essa parte do país que ousou engendrar um partido para os representar, o Chega.
ResponderEliminarI
Ao contrário do que muitos pensam, não me parece que a Esquerda esteja a ser "estúpida". A Esquerda está a alimentar o Chega porque a Esquerda precisa de inventar papões para justificar a sua própria existência e actuação.
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ResponderEliminar"...com medidas "fantasiosas" difíceis de manter que apenas "ganham eleições"..."
Exacto. E apenas ganham eleições "democráticas".
Suponho que o Chega, depois de bem alimentado e cevado, engolirá essa mesma esquerda nada "estúpida" que o engordou...
ResponderEliminarA vida está cheia de ironias. Veja o que aconteceu: vieram comer à mão do Costa e olhe!... foi um ar que lhe deu.
Concordo com a sua observação. É com votos que se ganham eleições. Apenas lhe faltou um detalhe: muita demagogia à mistura, vulgo "eleitoralismo" se não mesmo "populismo". Mas nada de novo nessa concepção de "democracia".
ResponderEliminarO superlativo da prática, não do discurso, da madame Moreira é fazer a manicure na AR. Para ela a AR não deve passar de um grande salão de estética à conta dos pagadores de impostos.
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