quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

As elites e o povo

De repente, não mais que de repente, aparecem as coisas habituais "das pessoas do Porto" sobre como Rio era horrível, tiranete e detestado (o editorial de Manuel Carvalho no Público de hoje é inacreditável).


O mesmo aconteceu com Margaret Thatcher (a outra escala, evidentemente, não estou a comparar Rio a Thatcher, estou a comparar a conversa amarga dos seus inimigos políticos) e, em Portugal, o clássico é Cavaco Silva ("não é exemplo para ninguém", como disse Costa, convencido de que estava verdadeiramente a exprimir um consenso generalizado no país, apesar de ser o político com mais maiorias absolutas no país).


Nada me liga a Rui Rio, por quem não tenho qualquer especial afeição, mas continua a parecer-me estúpido que haja tanta gente que pretende explicar aos que não são do Porto como Rio era um nazizinho detestado no Porto: o homem ganhou três eleições e não me consta que nenhuma delas tenha sido fraudulenta.


Há uma quantidade enorme de gente, com acesso aos jornais, televisões e salões da gente "bom genre, bon chic" que conta no país (acham eles) que na verdade se está nas tintas para o que pensam as pessoas comuns, apesar de estarem sempre a falar em seu nome (como eu gostava de um dia ouvir um jornalista perguntar a Catarina Martins por que razão fala em nome do povo quando não vale mais de 10% dos votos desse povo) e que, por isso, acham Rio (como antes Cavaco, ou Trump, ou Bolsonaro) completamente imprestáveis para o exercício do poder, apesar de ganharem eleições.


Vejamos, eu acho Costa um péssimo primeiro ministro, um tiranete sorridente, desde que não contrariado, mas se no Domingo ganhar as eleições a única conclusão que eu posso tirar sobre isso é que não estou alinhado com a maioria dos eleitores.


Não é por ter a opinião que tenho sobre Costa que vou tentar demonstrar que as pessoas que votam nele têm qualquer deficiência congénita que as impede de ter o voto esclarecido que me pareceria evidente e, muito menos, tentar demonstrar que o homem é detestado no país e, mesmo assm, ganha eleições.


As elites, pelo menos em Portugal, têm uma enorme dificuldade em lidar com as derrotas, aceitando-as como aquilo que são e vivendo tranquilamente com o facto de na vida se perder e ganhar, a maior parte das vezes por responsabilidade própria, outras vezes pelas circunstâncias.


É a vida.

8 comentários:

  1. 1.568.168 portugueses votaram no "Engenheiro" Sócrates em 2011, e não tenho quaisquer  dúvidas que, muito deles, votariam outra vez (até porque conheço alguns). Pelo menos esses (os que estão vivos) tenho direito a defender que 

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  2. Também fiquei espantado com o editorial do Manuel Carvalho, no Público de hoje. Se calhar o Carvalho, ao tempo no início da sua carreira de jornalista, teve algum desaguisado com o Rio, no tempo em que foi presidente da Câmara do Porto, que alcançou ,pelos votos dos portistas (que não do FCP) contra as hostes socialistas e a opinião então publicada. Ou isso ou uma dependência do PS quie eu nunca vislumbrei...

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  3. Catarina Mendes representa o povo?. Que se saiba nunca essa Sra. teve o nome dela num boletim de voto.

    Além de que a facção em que ela se insere, dentro de aquele partido, é apenas um grupinho, o do A. Costa. Correcto será afirmar que representa A. Costa. Mais nada. E mais precisamente representa uma mãozinha, cujo conteúdo é um difuso grupo de personagem cujo comportamente público até tem sido, amiúde, muito discutível.

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  4. "os que estão vivos".
    Tem a certeza de que não queria dizer... viúv@s ? 

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  5. Costa Inundou o país com pelo menos 40.000 funcionários públicos com o objectivo de poder. Por isso o desemprego baixou.
    Propagandista e especialista em prometer até 2050. Mente quanto baste.

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  6. A Catarina fala "em nome do povo" com 10% dos votos (não do povo) porque para a esquerda radical, o seu poder não vem do voto expresso em "eleições burguesas" mas do carácter revolucionário do grupelho a que pertencem. Isto é o que é perigoso com esta gente, e o be e o pcp tinham juntos cerca de 20% dos deputados. Os bolcheviques de Lenine tinham pouco mais de 15% quando fizeram a "revolução" (golpe de estado contra o poder democrático) de Outubro.

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