quarta-feira, 17 de novembro de 2021

A diferença essencial

Um dia destes vi uma pessoa explicar que estava com uma grande gripe ou constipação, com os sintomas clássicos. Se fosse no ano passado, acrescentava, estaria muito preocupada, como é este ano, estando vacinada, estava perfeitamente tranquila e não ia fazer nada a não ser baixar a febre com paracetamol e pôr gengibre ralado no  chá.


A vacina é de facto a diferença essencial da última época gripal para esta (parece que agora já toda a gente, com excepção dos matemáticos que voltaram a aparecer, aceita o papel das condições ambientais para explicar variações na incidência de doenças respiratórias).


É essencial porque reduz o risco de desenvolvimentos graves da doença, reduzindo a probabilidade de morte, mas é igualmente essencial por devolver tranquilidade às pessoas.


Houve quem tivesse defendido as máscaras por desempenharem esse papel (semelhante ao papel dos aviões num grande incêndio, não alteram grande coisa o desenvolvimento do incêndio, mas dão tranquilidade às pessoas), mas o que se verifica é que as máscaras funcionam essencialmente como um sinalizador de risco, e não como um tranquilizante.


A vacina não, a vacina é um verdadeiro tranquilizante.


A hipótese das vacinas terem um papel determinante na redução da incidência ou no bloqueio de surtos é hoje tão evidentemente falsa - vejam-se a Bélgica e os Países Baixos com mais de setenta por cento da população vacinada, que inclui a quase totalidade da população de risco, o que não as defende de aumentos brutais de incidência nas últimas semanas, embora com pouca tradução, pelo menos para já, no crescimento de mortos - que apenas uma minoria completamente alienada a defende seriamente.


Mas actua sobre o risco e, muito mais importante, actua sobre a percepção do risco.


Isto é, a pessoa que citei no início tinha, no ano passado, um baixíssimo risco de desenvolvimento de complicações de saúde decorrentes da covid, e este ano tem um risco ainda mais baixo.


A somar a esse benefício há outro bem mais difícil de medir, mas com consequências na forma como a sociedade gere a resposta à pandemia: no ano passado a pessoa em causa pensava que tinha um risco relevante e este ano acha que tem um risco irrelevante.


E isso é razoavelmente independente do risco real, sendo um benefício marginal bem grande que as vacinas vieram trazer.


Há espaço social para mais bom senso este ano que no ano passado.

23 comentários:

  1. as vacinas...  se a malta não se tivesse juntado toda nos centros de vacinação durante o verão não tínhamos tido 3.000 casos por dia com dias de 30 graus!

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  2. Tranquilidade? É impressão minha ou ouvi falar num novo estado de emergência, hoje nas notícias da rádio? E o regresso da obrigatoriedade  de máscara na rua. As vacinas afinal não serviram para muito...

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  3. Não tenho como o demonstrar, mas tenho a convicção de que se não fossem as vacinas não estaríamos agora a discutir essas possibilidades, estaríamos, com um conjunto muito grande de restrições, a discutir restrições ainda mais severas

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  4. as vacinas prometiam uma redução de casos graves e numero de mortes e claramente cumprem! não prometiam mto sobre os contágios já que só de maneira indirecta poderia haver beneficio ao nivel dos contagios.
    sabendo istos desde que foram lançadas as vacinas não entendo porque o seguimento da pandemia continua a ser em base a contagios e nao em base a internados/mortes.
    convém ter sempre presente que no inverno morrem cerca de +100 pessoas do que no verao! 

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  5. Espero sinceramente que tenha razão, mas tenho dúvidas de que não estejamos a entrar novamente na rampa deslizante. Daqui a pouco estamos todos em casa outra incluindo os miúdos. 

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  6. Veremos o que "sai" da reunião do Infarmed. Estou bastante apreensivo com a tempestade de histeria que se está a formar no horizonte, de que já sinto consequências práticas. 

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  7. Repara que não estou a dizer que não haverá histeria (parece-me que dependerá essencialmente do número de mortos diários), estou apenas a dizer que o nível de histeria será mais baixo e mais limitado no tempo que em períodos semelhantes anteriores porque a percepção pública de risco diminuiu.

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  8. Para mais temos eleições em Janeiro, facto que coloca pressão no discurso securitário dos políticos. Mas espero que tenhas razão. 

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  9. Posso falar do meu caso. Fui vacinado em Julho. Tenho sinusite crónica e tinha os sintomas naturais para a época: corrimento nasal, expectoração, pouca tosse. Não estava preocupado. Todavia, como, na 2.ª da semana passada um colega com que almocei na 5.ª anterior deu positivo (mas tinha estado numa festa de Halloween), fui fazer o teste (pela primeira vez, noto), e bingo!: Covid. Eu e toda a gente cá em casa. Ninguém com sintomas - para lá dos que descrevi (e de eu ter perdido o olfacto e o paladar de forma radical) - e, apesar de convívio com várias pessoas nos dias anterior, não a pegámos a ninguém. Creio que, devido à tal (bendita) tranquilidade, é o que vai acontecer brevemente: um disparar de casos, com gravidade reduzida, mas que, infelizmente, vão ser explorados até à medula pelos media e pelos políticos. 

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  10. Para mim o único benefício que as vacinas trouxeram foi psicológico, porque em termos práticos só trouxeram a discriminação social.
    Porque é que não falam da Suécia que tem 15000 mortos enquanto nós temos 18000?
    Ou porque é que não falam de África em que a vacinação é tão irrisória como os mortos covid?
    Porque é que não passam esse tipo de informação na comunicação social?
    A quem é que interessa manter este clima de alarme social?
    Se até somos felicitados pelo êxito da vacinação, porque carga de água é que estão a falar em novas medidas restritivas?
    Deixem de meter medo às pessoas, aceitem de uma vez por todas que os hospitais entopem na altura do Natal e Ano Novo. Sempre foi assim, sempre houve caos nas urgências, para que é esta histeria?

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  11. Em termos estatísticos, o que mais me incomoda é mesmo o conceito "morto de Covid" - como decorre, por exemplo, do facto de Colin Powell, com 84 anos e um mieloma múltiplo em estado avançado (cancro do sangue, em regra incurável), ter sido considerado "morto de Covid", porque estava infectado à data da morte (suponho que se eu, nos 50 e com colesterol elevado, tivesse, agora, um AVC fatal, também iria para as estatísticas dos "mortos de Covid"). PS: tratando-se de uma doença em que a esmagadora maioria vítimas terá mais de 70 anos, dificilmente poderia haver muitas vítimas em África, onde a esperança de vida média é muito inferior.

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  12. Considero sempre a opinião do Sr.Arquitecto, por isso gostaria muito que se pronunciasse sobre o recente caso da líder do Pan. Obrigado.
    St

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  13. Estas "vacinas" têm demonstrado, felizmente mas aparentemente, ser um razoável atenuador de mais graves consequência nos sintomáticos. Para serem vacinas genuínas falta-lhes no entanto eficácia quanto ao imunisar e quanto ao retransmitir.
    Biliões de dolares depois -com beneplácito dos envolvidos governos(!)-  lá irão sair das gavetas da industria farmaceutica os comprimidos para os que realmente apresentam sintomas, graves, de infecção Covid-19...mas com preço actualizado.

    Entretanto sabe-se que alguns Estados da União Indiana não esperaram. E ganharam.

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  14. Há uma piada nos meios estatísticos que diz o seguinte:
    - Torturem, torturem os números que eles confessam.
    A mim o que mais me incomoda é o mundo todo aceitar os mortos por covid sem haver autópsias. 
    E se em África o número de mortes é irrisório, para quê esta pressão mundial para vacinar os africanos?
    Há muita coisa mal explicada, para não entrar nas teorias da conspiração. 

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  15. Sem dúvida. Este presidente nesta altura foi o pior que nos podia acontecer... 

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  16. Queria escrever "esperemos que lhe não dêem". As minhas desculpas.

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  17. Agradeço o comentário simpático, mas eu não tenho nada que ache relevante a dizer sobre esse assunto

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  18. Não devia ter ido fazer o teste. Nem você nem ninguém em sua casa. Se não estava (nem está, felizmente) doente, para que raio andou a incomodar-se a fazer testes?


    (A não ser que queira ter arranjado uma desculpa para ficar de quarentena, claro.)



    Você (e eu, e toda a gente) carrega no seu corpo milhões de vírus, de milhões de variedades diferentes. A generalidade desses vírus não lhe faz mal nenhum (ou faz-lhe pouco mal). Agora tem mais uma variedade de vírus, que também não lhe faz mal, no corpo. Por que se há de incomodar por esse facto?

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  19. Eu explico: não quero pegar a coisa a ninguém. Em particular aos meus parentes a bater nos 80 anos ou com graves problemas imunológicos. É uma mania que eu tenho…

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  20. Se me permite, é daqueles casos em que está tudo dito. 

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  21. «É essencial porque reduz o risco de desenvolvimentos graves da doença, reduzindo a probabilidade de morte, ...»


    Não é isso que se vê nos dados brutos (de quem tem coragem de os publicar claramente, embora nas vielas da net). 
    «32. The resurgence in both hospitalisations and deaths is dominated by those that have received two doses of the 
    (https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/975909/S1182_SPI-
    M-O_Summary_of_modelling_of_easing_roadmap_step_2_restrictions.pdf )


    Relativamente à variante delta, dos dados apresentados na tabela 4 que figura na página 12 [Table 4. Attendance to 
    Números a reter:
    - não-vacinados: 35521 casos, 34 mortos, taxa de mortalidade 0,096%
    - vacinados, 2ª dose> 14 dias: 4087 casos, 26 mortos, taxa de mortalidade 0,636%
    (https://assets.publishing.service.gov.uk/
    government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/994839/Variants_of_
    Concern_VOC_Technical_Briefing_16.pdf )


    (continua)

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  22. (continuação)
    Ainda relativamente à variante delta, 3 relatórios depois a taxa de mortalidade dos inoculados é cerca de seis 
    - não vacinados: 121400 casos, 165 mortos, taxa de mortalidade 0,136%
    - vacinados, 2ª dose >14 dias: 28773 casos, 224 mortos, taxa de mortalidade 0,779%
    (https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/1005517/Technical_


    Nota: taxas de mortalidade relativas a casos confirmados (a chamada CFR em inglês); as taxas de mortalidade de 


    «...mas é igualmente essencial por devolver tranquilidade às pessoas.»
    «A vacina não, a vacina é um verdadeiro tranquilizante.»


    Com estas duas últimas afirmações, concordo.
    Em consequência da tranquilidade que geram (mesmo que seja ilusória, em face dos números que apresento)  e da 


    PS - Humor negro, mesmo muito negro: quem não tiver certificado de vacinação válido prepare-se para fazer a 
    https://en.wikipedia.org/wiki/Mauthausen_concentration_camp
    https://en.wikipedia.org/wiki/Herzogenbusch_concentration_camp

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A população e o fundo soberano

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