
Passei hoje por aqui.
Antes, de manhã, numa das salas lá dentro, tinha ouvido dizer deste jardim que é um dos melhores exemplos mundiais de um jardim modernista. Eu não me atrevo a ter opiniões destas, o meu mundo é demasiado limitado para isso, mas que é um belíssimo jardim, isso é um facto.
A instituição que é dona do jardim atribui um milhão de euros anuais para o prémio Gulbenkian de Ambiente.
Teve (acho que já não tem), durante muitos anos, um programa de ambiente, que aliás foi dirigido por outra das pessoas que ouvi na mesma sala, muito zangado com o mundo e com a nossa responsabilidade na crise ambiental em que estamos.
Nessa crise ambiental, a crise da biodiversidade é uma das mais complexas e na crise da biodiversidade o problema das espécies invasoras é dos maiores e mais difíceis de gerir, causando perdas de biodiversidade brutais.
O facto é que, ocupando um lugar central à vista de toda a gente, e pela qualidade estética que traz a este lugar suponho que tenha um efeito de imitação em muitas das pessoas que visitam o jardim, temos uma das principais invasoras do país (cujo detenção, comércio, etc. está, aliás, proibida).
Não se trata de eliminar o uso de exóticas, o bambu do lado direito da fotografia não tem problema nenhum, é exótico, mas não é invasor. E eliminar aquele monumental eucalipto ao fundo seria simplesmente estúpido, antes de ser uma evidente machadada na integridade de um jardim com um valor patrimonial excepcional.
Já os penachos...
Para além das plantas invasoras, é de referir que no laguinho do jardim costumam andar gansos-do-egipto - outra espécie invasora
ResponderEliminarvendia as minhas opiniões se estas tivessem valor
ResponderEliminarNão sabia que a Erva das Pampas era invasiva em Portugal (e a sua comercialização proibida). Vê-se plantada em inúmeros jardins privados.
ResponderEliminarCuriosamente não me lembro de alguma vez ter visto esta planta naturalizada na paisagem, como acontece com as acácias e as mimosas.
Eu aprecio o jardim da Gulbenkian. Esconde na perfeição as feias fachadas dos edifícios.
Susana sim, é uma espécie invasora, tendo esse estatuto sido atribuído pelo Decreto-Lei n.º 92/2019.
ResponderEliminarDe facto vê-se em muitos jardins, mas nalgumas zonas do país está a expandir-se de forma descontrolada, por exemplo entre Lisboa e Sintra ou então na região do Porto.
ResponderEliminarhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Cortaderia_selloana
"está incluída no catálogo Espanhol de espécies invasoras"
ResponderEliminarMas aquelas plantas ali colocadas num jardim no meio da cidade terão a oportunidade de invadir seja o que fôr?
E: se a detenção destas plantas está proibida por lei, e se elas estão ali bem à vista de todos num jardim cujo proprietário é bem conhecido, então porque é que o caso não é denunciado (pelo Henrique, por exemplo) à Brigada de Ambiente da GNR e esta não atua?
Se calhar nunca reparei por não saber que era uma espécie invasora. Na realidade interesso-me mais por árvores. Vou prestar mais atenção.
ResponderEliminarSempre a aprender... ;-)
As plantas são extremamente eficazes na propagação Balio. É difícil contê-las quando são realmente invasoras. Largam sementes que são levadas pelo vento e pelas aves para zonas relativamente distantes, e algumas conseguem propagar-se através da raiz e de estacas. Não tenho experiência com esta gramínea, mas tenho alguma com acácias, mimosas e árvores do paraíso. Não há forma as conter em determinadas regiões... E vão avançando a cada incêndio.
ResponderEliminarNeste caso, o vento pode dispersar as sementes e os visitantes que as apreciem pode levar pedaços para quintais em ambiente rural onde se expandem facilmente. É um problema.
ResponderEliminarHmmm. O vento a partir dali não deve levar as sementes para longe. E as aves também não. Segundo li na wikipedia, esta planta chama-se "cortadeira" na Argentina (de onde é natural), porque as suas folhas são extremamente cortantes, de tal forma que os pássaros que procurem ir comer-lhe as sementes se cortam. Eu diria que esta planta se apoia mais no vento do que nos pássaros para se propagar. Da mesma maneira, visitantes que procurem levar pedaços desta planta têm boa oportunidade de acabar a sangrar das mãos.
Por "árvores do paraíso" penso que quer dizer "árvores do céu" (ou seja, ailantos).
Basta ir de comboio até ao Porto e logo se observa a sua dispersão ao longo da linga do Norte
ResponderEliminarA responsabilidade pela elaboração de um plano de controlo de invasoras é do ICNF. Não compete à GNR actuar.
ResponderEliminarÉ fácil cortar o pendão sem a pessoa se cortar. Não são facas! Só corta havendo pressão e deslizamento nas folhas. O vento faz redemoinhos em certas zonas de Lisboa e essa planta abunda em todos os baldios até em Telheiras em terrenos camarários!
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ResponderEliminarum plano de controlo de invasoras
Aqui não se trata de controlar uma invasora. Trata-se de impedir ou castigar um crime, que é a posse de um ser vivo que é proibido deter em Portugal. (Pelo menos, é isso que eu entendo do post do Henrique.) Tal como é proibido ter uma águia em cativeiro, também é proibido plantar aquela planta. É um crime, que tem que ser impedido e punido pela GNR.
ResponderEliminaressa planta abunda em todos os baldios
Isso é em parte responsabilidade de quem deixa os terrenos baldios. Esta planta, tal como os ailantos, é sobremaneira boa a invadir baldios, isto é, terrenos que estão sem outras plantas e com o solo à mostra.
Parte do controlo de invasoras passa precisamente por manter os solos cobertos, em particular com outras plantas.
Há aí um equívoco. Não se trata de crime nenhum. A posse ou criação destas espécies constitui uma contra-ordenação ambiental e quando muito pode dar coima mas não dá cadastro nem prisão.
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ResponderEliminarCerto, não é um crime, é uma contra-ordenação. Usei a palavra errada.
Seja como fôr. A Gulbenkian está a cometer uma contra-ordenação ao possuir e criar aquela planta. Logo, a GNR deve intervir no sentido de obrigar a Gulbenkian a destruir aquelas plantas e no sentido de instaurar um auto de contra-ordenação à Gulbenkian, o qual poderá dar ou não dar lugar a coima.
E para que a GNR faça isso, que é o seu dever, qualquer cidadão (o Henrique em particular) tem o direito e o dever de denunciar à GNR o que se passa.
Não creio que seja dever dos cidadãos denunciar estas situações à GNR. E já agora, porquê denunciar o caso da Gulbenkian em concreto e não todos os casos que aparecem? Trata-se de alguma questão contra a Gulbenkian?
ResponderEliminarIndependentemente de se tratar da Gulbenkian ou de outra entidade qualquer, considero que aplicar uma coima num caso pontual não resolve absolutamente nada em matéria de invasoras. O problema das espécies invasoras deve ser encarado e atacado numa perspectiva macro (a nível nacional) e não numa perspectiva micro (de um jardim em particular).
Oh, sim. Vi hoje na A8 de Lisboa para norte. Tantas...
ResponderEliminarNão sei como nunca me tinha apercebido...
Susana,
ResponderEliminarDurante anos também não reparava nisto... a partir do momento em que comecei a estar atento ao problema das invasoras passei a reparar na quantidade de penachos, acácias, ailantos, canas, azedas, robínias, piteiras, figueiras-da-índia, tintureiras, albízias, jacintos-d'água e tantas outras plantas exóticas invasoras que se espalharam pelo nosso território de forma descontrolada. Arrisco dizer que são já poucos os locais deste país onde podemos olhar em volta e não ver de imediato uma ou mais espécies invasoras. Talvez em certas zonas de altitude no interior norte e centro a situação ainda esteja contida, mas de resto na maior parte do território, e muito especialmente no litoral, já está fora de controlo.