segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Rui rói as unhas

Vejo que muita gente acha que Rui Rio ficou muito mais confortável com o resultados das autárquicas.


Eu acho que nem por isso.


A Moedas foi dada uma missão impossível, que Moedas resolveu, sem que alguém com um mínimo de senso atribua a Rui Rio qualquer responsabilidade nisso, com a eventual excepção da escolha do candidato (toda a gente sabe que a escolha de pessoas para este tipo de coisas é muito contingente, e portanto não atribui mérito maior na lista de candidatos que se consegue apresentar: por exemplo, nas últimas eleições o PSD tinha um tipo muito bom no Porto, mas era um mau candidato e teve uma votação de pouco mais de 10%).


O resto dos resultados são mais ou menos, são bons, mas não representam nenhuma alteração relevante da situação.


Acontece que Moedas foi um mau candidato, previsivelmente será um muito melhor presidente de câmara, e não mobilizou o eleitorado por aí além: segurou-o, teve mais uns quinhentos votos que PSD e CDS nas últimas eleições - é certo que com Iniciativa Liberal e Chega a comer alguns votos - e isso é bom, mas a câmara foi-lhe, na verdade, entregue pelo PC.


Aparentemente, num movimento que eu não imaginaria possível, o PC serviu para que quem não queria ser conivente com o polvo do PS, mas não queria votar Moedas, tivesse onde votar. O que fez Medina perder palettes de votos.


A boa votação do PC não pode ser confundida com o declínio estrutural do PC (para quem tenha dúvidas, mais que Almada, é para os resultados do Barreiro que deve olhar) porque na verdade resultou de eleitores que poderiam apoiar Medina, mas não queriam dar qualquer apoio a Rio e ao estado a que isto chegou.


A ser assim, isto significa que há muita gente farta do sufoco do PS e da sua gula de controlo da sociedade.


Se isso não se reflecte nas intenções de voto é por uma razão muito simples: Rio não consegue demonstrar que responde a essa necessidade, servindo como destino de voto dos desiludidos do estado a que isto chegou.


Eu acho que Rui Rio, se não tivesse aquela auto-satisfação homérica que se lhe conhece, estaria mesmo a roer as unhas de nervoso.

7 comentários:

  1. Não me parece. Quando nem Rio nem a sua oposição tem uma ideia o que vale é a percepção mediática. E essa é a desta vitória mesmo que seja só aparente.

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  2. E porque é que a Komentadoria assobia para o lado e ninguém questiona a liderança do BE depois de mais uma derrocada?
     Nas presidenciais já tinha perdido 2/3 dos votos; 
    Agora perde 20 º/º dos votos em relação às últimas autárquicas e foi um desastre em Lisboa.
    Perdeu 2/3 dos vereadores e 1/3 dos deputados das assembleias municipais. O BE tem tido derrotas em toda a linha, sucessivamente ;  De eleição para eleição tem vindo a tornar-se cada vez mais irrelevante. 
    No entanto, noto com espanto, que para  a CS amiga "nó passa nada" e finge não ver...  O BE continua impante, cheio de palco e de uma importância que definitivamente já não tem. É obviamente a CS que lhe prolonga a vida artificialmente, pois é a "reserva" útil e que dá jeito _para o que der e vier _ na consolidação do poder do PS, nomeadamente a aprovação de orçamentos.  

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  3. O BE é o partido de boa parte dos jornalistas, e não teria existido sem eles.

    Note que ao contrário o Chega teve mais de 200 mil eleitores e não tem uma voz em algum dos jornais e TVs  "de referência".

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  4. As eleições ganham-se ao "centro" e Rui Rio foi claro ao reafirmar que o PSD tem que estar ao centro. Não pode nem por sombras deixar transparecer a imagem de que é "direita". Porquê?. Porque ainda existem muitos eleitores para quem a direita é sinónimo do papão capitalista.... Papão capitalista esse que vai para 50 anos tem dado vitórias eleitorais às esquerdas.


    Entretanto está a surgir um novo eleitorado, as novas gerações. Uns, os das gerações dos "Galileus",  "europeus" de nascimento, sabem e querem ser ou empresários ou querem bons empregos em economias privadas....

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  5. Esses jovens da geração "Erasmus" e "Galileus" , que se sentem europeus, descobriram outras Realidades noutras paragens onde adquiriram uma mentalidade nova e mais aberta ; Pode ser que sejam eles a nossa última esperança deste país mudar e sejam eles a fazer a Diferença.  


    Por terem tido outras experiências de vida _ puderam comparar_ e  perceberam uma coisa essencial à vida: que há países que fazem escolhas políticas exigentes que  permitem aos seus cidadãos terem futuro, um melhor nível de vida e  oferecem-lhes condições para singrarem em todas as áreas e no geral são sociedades mais prósperas, mais ricas e mais desenvolvidas que este seu país.
    E concluem, obviamente, uma coisa importantíssima:  podíamos (se quiséssemos) NÃO ser o país pobre e subdesenvolvido que escolhemos ser   v-o-l-u-t-a-r-i-a-m-e-n-t-e  (sublinhe-se).  Também sabem que foi escolha nossa, permitirmos que o país tenha estes vergonhosos casos de corrupção generalizada e de nepotismo escabroso, dignos de país de "3º mundo".  Sabem também como isso os prejudica e lhes tolhe o futuro. É, pois, da exclusiva responsabilidade dos   e-l-e-i-t-o-r-e-s  o nosso empobrecimento e o pântano onde estagnámos. Para além da degradação moral que se tem visto. Chegou-se ao ponto de quase se instituir o  pagamento do "pizzo" (a extorsão à moda das máfias), a troco de "protecção", em certas freguesias de Lisboa. Os poderosos fecharam convenientemente os olhos e embora já se soubesse destas práticas (e doutras) havia um pacto de silêncio (a "omertà") e ninguém as denunciava. Impera o oportunismo daqueles que também se servem e "comem". 
    Enchem a boca com as palavras "cidadania", "inclusão" e "direitos cívicos", mas esquecem-se  de incutir o DEVER CÍVICO de se terem critérios apertados para impormos/exigirmos uma conduta ética aos nossos governantes (com custos elevados para o nosso país). 

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  6. Pois olhe, pelo que tenho assistido, vergonha é ser-se de esquerda.  Bem podem limpar as mãos à parede. A tão apregoada "superioridade moral" da esquerda viu-se, ouviu-se e filmou-se! 

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  7. É exatamente por assa razão que a Komentadoria, as "redações" e o jornalismo de "reVerência"  assobiam para o lado.
    Mas os eleitores estão de pestana mais aberta, finalmente.

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