sábado, 29 de maio de 2021

O risco das boas intenções como norma

Esta história conta-se depressa.


"Não tenho maneira de saber se isto é realmente verdadeiro, se é, é gravíssimo e estre Francsico Santos Silva merecia uma carga de porrada (desculpem a linguagem e a sugestão, mas estou a tentar manter-me ao nível do texto original).
Se não é, o mesmo se aplica a quem inventou esta história, e continua a ser gravíssimo."


Este é um post que fiz no Facebook e que levou a que esteja proibido de escrever e comentar por três dias (resulta, provavelmente, da denúncia de um comentador aqui do Corta-fitas, a julgar pelo comentário ao meu post anterior em que me pergunta porque não digo nada no Facebook, já que é difícil a terceiros saber que estou bloqueado e ele sabe), a propósito desta coisa inacreditável.


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É para o lado que durmo melhor (eu próprio abandono o facebook de tempos a tempos) e acho que o Facebook tem todo o direito a gerir o estaminé como entender: eu só lá estou se quiser, e eles permitem que eu esteja, se quiserem.


Para o que queria chamar a atenção, a propósito de uma troca de argumentos entre numa conversa em que participei ontem, e dos argumentos a favor da liberdade de expressão de Luís Aguiar-Conraria, Carlos Guimarães Pinto, Eduardo Cintra-Torres e das cautelas em relação a essa liberdade de Joaquim Vieira e Manuel Carvalho (é extraordinário como são os senadores da imprensa a querer encontrar mecanismos para controlar a liberdade do discurso), é que o resultado concreto do policiamento do discurso tem sempre, sempre, o risco do que é evidente neste caso.


Um indivíduo concreto tem uma atitude vergonhosa: não concordando com um colega, faz queixa ao empregador do colega, usando argumentos falsos (isso é o menos, poderia ter usado argumentos verdadeiros que continuava a ser vergonhoso), pretendendo que o empregador sancione o colega pelo que disse (e ainda invoca a liberdade de expressão).


Eu comento essa atitude vergonhosa dizendo que não tenho maneira de confirmar se existe (embora todos os indícios seja no sentido de que seja verdadeira e o senhor Francisco Santos Silva tenha orgulho em ser um denunciante sem causa), mas a existir o seu autor merecia isto ou aquilo e, a não existir, quem inventou a história, merece isto e aquilo.


Qualquer criança com sete anos percebe que estou a usar uma mera figura de estilo (e não a organizar uma espera a ninguém), mas outro orgulhoso denunciante sem causa sabe que pode usar as regras de policiamento de discurso para me chatear e portanto faz uma denúncia e o Facebook toma uma decisão que na prática significa apoiar denúncias indignas como a que foi feita, sancionando quem se revolta contra esse tipo de indignidade.


O problema é a imperfeição do sistema de controlo social do Facebook?


Não, o problema é haver tanta gente, tão qualificada que não perceba que este é o resultado inevitável de qualquer sistema de policiamento do discurso que desloca da sociedade para uma entidade qualquer o poder de sancionar discursos desadequados.


Ou melhor, o problema é haver tanta gente a querer tornar este modelo num modelo normativo assente no aparelho repressivo do Estado, dando-lhe formas legais e coercivas.


E haver ainda mais gente que acha que não há grande risco nisso e que realmente há coisas que não se podem aceitar no discurso público, como a mentira, o incitamento ao ódio e todas essas boas intenções que sempre justificaram todos os sistemas de censura que existiram e existem.

13 comentários:

  1. Só há uma coisa simples a dizer: a repressão, sob que forma for _ e a censura é uma das formas _ é um atentado contra e Estado de Direito!!! 
    É preciso pôr um travão nesta gente!

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  2. Antonio Maria Lamas29 de maio de 2021 às 11:58

    A lei 27/2021 já entrou em vigor, ou na verdade nem é preciso lei nenhuma para aplicar a nova censura?
    E ainda pode ser pior.
    O grupo Impresa está falido e emitiu dívida obrigacionista para tapar buracos.
    Vamos seguir com interesse quem vai subscrever as obrigações.
    A CGD? Se calhar......

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  3. A demagogia e as falsas promessas governamentais também as podemos denunciar? E já agora, a "propaganda" e os encómios do jornalismo eufeudado ao poder, também podemos desmascará-los como publicidade enganosa? E os "comentadores" pouco isentos que nos aparecem nas pantalhas a comentar em causa própria?

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  4. Não deixa de ser desconcertante um suposto antifascista denunciar um colega à respectiva entidade patronal. E é ainda mais curioso esse indivíduo não se aperceber da ironia dessa forma de agir. O mundo ao contrário.

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  5. Se o discurso for livre, os que têm asas voam (leia-se, melhores argumentos e inteligência superior).


    Se todos nos pudermos entreter a rasteirar uns aos outros, somos todos iguais nos tropeções.


    A censura 'woke' - difusa, disruptiva, universal- é igualitário-socialista no seu ADN. É a marca perfeita do zeitgeist.

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  6. https://portadaloja.blogspot.com/2021/05/a-impresa-esta-falida-fechem-para.html



    Em Roma não era hábito premiar-se traidores. Raça degenerada em que isto se tornou!

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  7. Quem nos policia a linguagem, obviamente que dará largas aos seus instintos e à sua vocação: acabará a (querer) vigiar-nos os comportamentos, os nossos movimentos, e até a controlar o que pensamos. Como está a acontecer! Vamos consentir? Eis a questão! 

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  8. Quão longe vão os tempos em que se escrevia:


    "Discordo do que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de o dizer."


    "Se quiseres saber quem te oprime, verifica quem não podes criticar" (Voltaire), ou onde não podes exercer o teu direito de criticar - generalidade das redes sociais que, para além da reconhecida censura que praticam, vieram dar voz aos imbecis.

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  9. Entao mas a denuncia já nao faz parte da liberdade de expressão ?
    Ó Henrique... vamos lá a ser um bocadinho mais coerentes

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  10. Claro que faz, e não ponho em causa a sua liberdade para ser um denunciante sem causa, não consigo é evitar este sentimento de pena por alguém que tem tanto gosto em ser tão pequenino.

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  11. O burro faz uma denúncia baseada na opinião de outros burros. 

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  12. Entao amigo ja voltaste ao facebook ?
    Já te trato la da saúde 

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  13. Este deve ser daqueles para quem liberdade é isenção de critica...

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