Alexandre Homem Cristo resume bem o Estado a que isto chegou:
"Concluo com um desabafo. É impossível olhar para este estudo do IAVE, para o silêncio crítico que o enquadra e para o actual debate à volta da recuperação da aprendizagem dos alunos sem sentir um grande desânimo. Viver este último ano em pandemia ensinou-me muitas coisas e uma delas é que a Educação, em Portugal, permanece pouco apreciada (excepto nos discursos, claro, onde é a rainha das prioridades). Se o país levasse a educação das crianças a sério, estaríamos indignados com a incapacidade do Estado em medir o impacto da pandemia na aprendizagem dos alunos, estaríamos inquietos com a indisponibilidade orçamental para investir na recuperação da aprendizagem, estaríamos impressionados com a falta de monitorização do sistema educativo, estaríamos intolerantes perante a possibilidade de alguma criança ficar para trás pelo azar de ter nascido pobre. Mas, como em Portugal muito pouco se leva a sério, andamos ocupados a imaginar crises políticas. Daqui a uns anos, pagaremos a factura".
É trocar neste texto educação por qualquer problema social que nos preocupe e estará sempre certo: nós, as pessoas comuns, os que aqui andamos, não levamos a sério a medição do impacto do que fazemos colectivamente e entretemo-nos a imaginar coisas.
O resultado é que fazemos erros, o que é uma inevitabilidade, mas também repetimos erros, o que, a cada repetição, nos aproxima da bovinidade em que vamos pastamos a erva que vamos encontrando, sem cuidar de saber se não poderíamos ter vidas melhores que as que temos.
ResponderEliminara Educação, em Portugal, permanece pouco apreciada
Claro que sim, uma vez que diz respeito a poucas, e cada vez menos, pessoas. Os portugueses não se reproduzem, logo, não se preocupam em demasia com a educação. Trata-se de um povo de velhos, que se preocupa, portanto, muito com a velhice, pouco com a infância e juventude. A preocupação do futuro, para a maior parte dos portugueses, não é saber que mundo os seus filhos vão herdar, mas sim como eles próprios passarão a velhice.
Portugal é um país bom para velhos.
o governo actual podia fazer um orçamento suplementar e deixar-se da cegada habitual
ResponderEliminarBoa Páscoa ou o que resta dela
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