quinta-feira, 1 de abril de 2021

O que verdadeiramente importa

Alexandre Homem Cristo resume bem o Estado a que isto chegou:


"Concluo com um desabafo. É impossível olhar para este estudo do IAVE, para o silêncio crítico que o enquadra e para o actual debate à volta da recuperação da aprendizagem dos alunos sem sentir um grande desânimo. Viver este último ano em pandemia ensinou-me muitas coisas e uma delas é que a Educação, em Portugal, permanece pouco apreciada (excepto nos discursos, claro, onde é a rainha das prioridades). Se o país levasse a educação das crianças a sério, estaríamos indignados com a incapacidade do Estado em medir o impacto da pandemia na aprendizagem dos alunos, estaríamos inquietos com a indisponibilidade orçamental para investir na recuperação da aprendizagem, estaríamos impressionados com a falta de monitorização do sistema educativo, estaríamos intolerantes perante a possibilidade de alguma criança ficar para trás pelo azar de ter nascido pobre. Mas, como em Portugal muito pouco se leva a sério, andamos ocupados a imaginar crises políticas. Daqui a uns anos, pagaremos a factura".


É trocar neste texto educação por qualquer problema social que nos preocupe e estará sempre certo: nós, as pessoas comuns, os que aqui andamos, não levamos a sério a medição do impacto do que fazemos colectivamente e entretemo-nos a imaginar coisas.


O resultado é que fazemos erros, o que é uma inevitabilidade, mas também repetimos erros, o que, a cada repetição, nos aproxima da bovinidade em que vamos pastamos a erva que vamos encontrando, sem cuidar de saber se não poderíamos ter vidas melhores que as que temos.

3 comentários:


  1. a Educação, em Portugal, permanece pouco apreciada


    Claro que sim, uma vez que diz respeito a poucas, e cada vez menos, pessoas. Os portugueses não se reproduzem, logo, não se preocupam em demasia com a educação. Trata-se de um povo de velhos, que se preocupa, portanto, muito com a velhice, pouco com a infância e juventude. A preocupação do futuro, para a maior parte dos portugueses, não é saber que mundo os seus filhos vão herdar, mas sim como eles próprios passarão a velhice.


    Portugal é um país bom para velhos.

    ResponderEliminar
  2. o governo actual podia fazer um orçamento suplementar e deixar-se da cegada habitual 

    ResponderEliminar
  3. Boa Páscoa ou o que resta dela

    ResponderEliminar

A população e o fundo soberano

 Dando uma vista de olhos pelo que se vai publicando dos meios mais formais aos mais informais, dois assuntos vão aparecendo nestes dias: o ...