domingo, 7 de fevereiro de 2021

Qualquer funcionário público confirma isto

"Porque aos problemas de sempre – as cunhas, os favores e a dependência – juntou-se uma administração tão medíocre quanto omnipotente e omnipresente. Um administração dos “filhos de algo” do regime: os maridos estão nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, as mulheres nas Misericórdias e num qualquer grupo de trabalho, os filhos no centros da Segurança Social, as noras nas comissões de combate à causa do momento e num gabinete de estudos, os sobrinhos no instituto ou no observatório, ou em ambos, a prima na unidade de missão. São maioritariamente socialistas porque ser do PS é uma garantia de que se é melhor sucedido nestes percursos e menos escrutinado.


...


a sua forma tentacular de exercer o poder conduziu a uma decadência técnica e moral da administração pública e política: ninguém é responsável por nada, o que disseram ontem desdizem hoje. O seu objectivo não é fazer mas sim sobreviver no cargo."


Helena Matos, hoje no Observador.


E não, isto não se resolve olhando para administração pública com os olhos da gestão privada, resolve-se olhando para a administração pública sabendo que a administração pública não pode ser gerida com as regras da administração privada (o que define a burocracia é o facto dos seus decisores não se poderem apoderar dos resultados que geram) e que o Estado precisa de ser desenhado em função dos seus servidos e não dos seus servidores.

10 comentários:


  1. Depois de ter lido o seu post lembrei-me (por associação) de que está em preparação uma gigantesca campanha de propaganda contra o racismo, dotada com 15 milhões de euros... não será difícil de imaginar o saque gigantesco a que isto vai dar origem. Uma réplica daquilo que acaba de descrever no seu texto.
     A fome de poder e a ganância não têm medida neste país! Tudo à tripa-forra. Suponho que já se afivelam dentes para os Gabinetes dos Chefes, dos Sub-Chefes, dos Coodenadores e dos Assessores de todos eles,( porque assessores nunca se podem dispensar), dos Responsáveis disto e daqueloutro, para "não-se-quê" que estava em falta, mais as outras que se hão-de inventar, mais o Serviço que entretanto não se fez, porque emperrou na calha. Tudo para todos os gostos e tudo devidamente racializados ou por racializar. No fim, será tanta a gente, que já nem minorias parecerão... 



    (Haja ânimo! até David venceu Golias). 

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  2. Aquilo que a Helena Matos descreve são factos. Tão assustadoramente verdadeiros!  Como sempre, a verdade sempre documentada (aliada a uma incrível memória) a que nos habituou a corajosa HM.
    E hoje, as verdades inconvenientes, só se lêem  em artigos de opinião (na rara imprensa livre que ainda existe) e nos blogs sem a canga socialista.
    Os danos que, indirectamente, os jornalistas estão a causar ao país, não têm perdão. Porque não denunciam, porque não investigam, porque não querem  fazer o escrutínio do governo com perguntas incómodas. O seu silêncio torna-os cúmplices e a sua submissão fá-los coniventes e por isso também culpados da decadência e do declínio do país. Um dia, a História há-de julgar "este" tempo de democracia falhada.

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  3. "By appointment" de Helena Matos.


    https://blasfemias.net/2021/02/05/como-empobrecer-um-pais/

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  4. O que descreve é só parte da missa.

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  5. Boa noite Henrique, foi bloqueado no facebook?

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  6. Não, de vez em quando faço férias, de maneira geral curtas

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  7. Estas campanhas estão a "educar" o povo. São, por isso, de grande utilidade!


    E para livreiros e editores vão...600 000 euritos...Fechem-se Livrarias, proiba-se  a venda de livros.

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  8. Sou funcionário pública há quase 4 anos (entrei sem cunhas, sem contactos, apenas com currículo), tendo passado antes 7/8 anos no privado, e posso dizer que muitos dos problemas que se vê no público também acontecem no privado (português).



    No público existe uma impunidade e uma irresponsabilidade que me confundem e me faz confusão (no privado haveria consequências) e nitidamente não é quem mais competência tem que esta nos cargos em geral.



    Obviamente há excepções e onde trabalho há muitas pessoas que pouco fazem, mas também muitos que dão tudo pela instituição.



    Considero importante não demonizar os funcionários públicos até porque uma grande maioria tem muitas qualificações e tem um desfasamento salarial gigante. O meu caso particular por exemplo, 13 anos de experiência, sou técnica superior no escalão mais baixo (menos de 950 euros mensais limpos), tenho uma licenciatura, um mestrado, uma pós graduação e encontro-me a fazer doutoramento. As funções que tenho e responsabilidades são muito mais complexas do que o valor que ganho faz crer. Como estou há pouco tempo na função pública e os critérios do siadap são o que são, pouca ou nenhuma margem de progressão tenho (e como disse, não tenho cunhas nem padrinhos). Sim uma vantagem é a estabilidade, mas sem motivar os bons trabalhadores não há boa função pública.  

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  9. Enquanto funcionário público, confirmo que:
    1. Existem sectores da função pública cheios de gente que "tem emprego";
    2. Que os sectores onde o Estado tem papel fundamental (de que a Justiça e relacionados, é exemplo forte) e aos quais se deveria limitar, a escassez de "mão-de-obra" (a isso se associando os salários mais desconformes da dita função pública) é gritante, quiçá, porque os referidos em 1. para ali não querem ir (porque se trabalha) e os mesmos constituem o sorvedouro financeiro que impede a contratação de pessoal essencial;
    3. Que a prima, a tia, a sobrinha, o irmão, o filho ou a nora, para além da mulher/marido, cabem na perfeição nos concursos que possam existir em 2.
    4. Se a premissa de 3. não existir, há sempre um decisor intermédio que a torna possível.

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  10. Os senhores têm o que eu não quero ter: um acesso ao Obser-và-Cor.
    Há mais de dois anos que mercê da falta de nível daquela 'coisa', eu não quero ir lá para ver/ler umas bostas — segundo a sciência de Baila Bá.
    Eles incomodam, dado dizerem ser jornalistas a sério, e ao exigir um pagamento. Eu pago o papel higiénico enquanto houver. Não tenciono limpar-me a electrões.

    No Porta da Loja fazem um 'scanning' de um artigo e colocam as imagens naquele site. Só poderei estar grato ao José. Vê-de o que ele tem feito até com textos do Corta-Fitas.

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