A avaliação da evolução da mortalidade e suas causas não é coisa que se consiga fazer depressa e em cima do joelho, para ser feito como deve ser. Está por isso totalmente fora de causa pretender com esta nota fazer isso, esta nota é um simples nota sobre a evolução comparada entre mortalidade total e mortalidade covid, num período determinado com condições específicas.

Neste gráfico estão os números da mortalidade total e covid (colunas e eixo da esquerda) e a sua relação medida em percentagem (linhas e eixo da direita), sendo a linha principal, a verde, a média a sete dias calculada com três dias anteriores e posteriores (por isso a queda brusca final, correspondente aos próximos três dias que neste momento têm valor zero).
É claro um primeiro momento, até ao fim da primeira semana de Janeiro, em que a mortalidade covid anda pelos 20% da mortalidade total, iniciando-se aí uma subida acentuada que estabiliza recentemente nos 40%.
Note-se que a subida da mortalidade global e covid é relativamente suave e equiparável entre o Natal e 2 a 3 de Janeiro, desde essa altura até 8 a 9 de Janeiro aumenta o crescimento diário da mortalidade global e covid, mantendo-se mais ou menos estável a relação entre as duas, a partir dessa altura até 28 a 29 de Janeiro há uma subida progressiva do peso da mortalidade covid na mortalidade global até aos 40%, estabilizando desde essa altura e, especulo eu, essa relação irá começar a descer nos próximos dias (eu diria, 8 a 9 de Fevereiro).
O pico da mortalidade total é ligeiramente mais cedo que o pico da mortalidade covid (22 a 24 de Janeiro contra 27 a 30 de Janeiro).
Esta evolução é consistente com a hipótese de que existem dois processos paralelos a influenciar esta evolução:
1) o impacto directo das condições meteorológicas excepcionais que começam a 24 de Dezembro na mortalidade (e, por essa via, na mortalidade com relações de casualidade com a covid), que tem um tempo relativamente curto entre o fenómeno meteorológico e a mortalidade (4 a 7 dias):
2) o impacto indirecto decorrente das condições mais favoráveis à actividade viral, que tem impacto rápido no contágio (não visível nos dados), mas precisa de cerca de três semanas (provavelmente um pouco menos) para que esse contágio se traduza em mortalidade com relações de causalidade com a covid.
O mesmo desfasamento irá verificar-se no fim da anomalia meteorológica, com a mortalidade global a descer mais rapidamente que a mortalidade covid numa primeira fase (nessa fase a mortalidade covid que desce é a que tem relações de casualidade com a covid) e depois uma segunda fase em que a mortalidade com relações de causalidade com a covid começa a descer, cerca de duas a três semanas depois das condições ambientais deixarem de ser tão favoráveis à actividade viral, que o mesmo é dizer, três semanas depois do contágio começar a baixar.
Frequentemente dizem-me que ao dizer isto estou a negar o papel da redução de contactos nesta evolução.
Não é verdade, não o nego nem deixo de negar, sou agnóstico nisso, é uma possibilidade e se tiver o efeito que se tem admitido, isso traduzir-se-á em ampliar os efeitos descritos (os contactos do Natal e época anterior potenciam o efeito da meteorologia, as medidas de redução de contactos posteriores potenciam o efeito da meteorologia na diminuição do contágio), o que digo é que partir do princípio de que apenas isso explica a evolução de uma epidemia é partir do princípio de que a actividade viral é independente das condições ambientais, o que é um princípio absurdo.
Qual é o peso relativo dos dois factores, não sei, sei que ao olhar para os dados não consigo ver o efeito determinante que é atribuído às medidas não farmacêuticas e, mais relevante, não consigo encontrar na literatura sobre o assunto demonstração empírica sólida do peso esmagador do controlo de contactos na evolução de qualquer epidemia, o que encontro são correlações estatísticas e modelação matemática, com ténues indícios de validação empírica em muito poucos casos.
Faço uma sugestão:
ResponderEliminarSuponho que o gráfico tenha sido feito com os dados numa folha de cálculo. A minha sugestão é que desloque para trás os valores da mortalidade covid e faça o quociente. É possível que se possa encontrar um número de dias de atraso tal que esse quociente seja aproximadamente constante. Se assim for, então o andamento das duas curvas de mortalidade (total e covid) será o mesmo mas com a curva covid atrasada de esse número de dias. Olhando para os gráficos, não me surpreenderia que esse atraso fosse de cerca de 10 dias.
Talvez seja possível distinguir entre o que terá sido uma influência do clima (em ambas as mortalidades) do que terá afectado (efeito do Natal, p.ex.) apenas a mortalidade covid.
Quem observar os números pode observar uma coisa , que sempre quiseram negar, muitos, o brutal efeito que teve o fecho das escolas na diminuição dos contágios... Se abrirem nas mesmas condições e sem testagem voltaremos ao mesmo!
ResponderEliminarNão há "mortalidade covid"!
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