Não tenho visto muitos debates das presidenciais, uns porque começo a ver e são mesmo chatos e sem qualquer interesse, outros porque não tenho interesse no que dizem as pessoas que participam e, talvez o mais importante, a minha decisão de voto está tomada há bastante, salvo circunstâncias supervenientes excepcionais, como dizem sempre os juristas.
Mas vi alguns, um ou outro porque tinha especial interesse em ouvir (o último entre Marisa Matias e Tiago Mayan), outros por puro entretenimento, como o debate entre Marisa Matias e André Ventura.
Já nas eleições passadas eu achei que Marisa Matias era muito fraquinha, razão pela qual achei que não ia ter mais de 5% dos votos, no que me enganei redondamente porque teve o dobro. Mas sempre achei que era uma pessoa de trato fácil e razoavelmente decente na argumentação.
Vi muitos comentários sobre a sua prestação frente a Ventura, em que levou um arraso monumental, argumentando que realmente a luta na lama não era o forte de Marisa e lhe tinha corrido mal o deixar-se arrastar para o tipo de debate em que Ventura tem mais vantagem.
Logo quando vi o debate fiquei de pé atrás com esta justificação para o desastre (desastre relativo, num debate entre Marisa Matias e Ventura nenhum dos dois ganha ou perde votos significativos porque os respectivos eleitorados potenciais gostarão do estilo e do desempenho dos dois) porque na verdade quem começou à pedrada com matérias politicamente marginais foi mesmo Maria Matias e não foi só por reacção que o pé frequentemente lhe fugiu para a chinela, foi por opção e iniciativa própria.
Dando de barato a minha parcialidade no debate Maria Matias/ Tiago Mayan (não tinha grande impressão do pouco que tinha vista de Tiago Mayan, um perfeito desconhecido para mim no momento em que tomei a decisão de votar nele, não por ser ele, mas por representar a defesa de um Portugal mais liberal, e por isso até tencionava evitar ouvi-lo ou lê-lo para não correr o risco de mudar o voto, impressão que entretanto mudou), é impressionante a incapacidade política de Marisa Matias, o seu esquematismo intelectual e a inacreditável argumentação de que Mayan não serve porque não defende as políticas que Marisa Matias definiu como devendo ser as políticas de um liberal.
Até aqui, é como o outro, é mais ou menos o padrão dos dirigentes do Bloco de Esquerda que não só definem para si próprios, legitimamente, o que acham que são políticas que a esquerda radical deve defender, como pretendem definir o que são as políticas que definem um liberal, usando como padrão a caricatura que fazem do liberalismo.
O que verdadeiramente me espantou foi a quantidade de caneladas retóricas, a quantidade de vezes em que o pé de Marisa pretendeu fugir para chinela, procurando levar Tiago Mayan para a lama - suponho que medicinal, ao contrário da lama de Ventura - com argumentos da treta, como dizer que Tiago Mayan gosta de falências e muitas outras coisas do mesmo tipo. Pretender que defender uma "ADSE para todos", a mera expressão retórica de uma opção política clara, é o mesmo que defender que todas as pessoas em Portugal deveriam ser funcionários públicos é de gente chalupa (eu não percebo, não percebo mesmo, como raio alguém acha que isto é argumento político eficaz no debate em causa, quando ainda por cima não resultou da dinâmica do debate, era um argumento evidentemente preparado).
Ao ponto de Marisa Matias se entreter a ler o programa da Iniciativa Liberal, truncando-o para deixar de fora a frase que contrariava o que pretendia dizer (Tiago Mayan não estava suficientemente preparado para responder com a mera indicação de que continuasse a ler, mas isso acontece).
Meus caros, a diferença entre a qualidade política do discurso de Marisa Matias e de André Ventura é muito pequena, isso só não se nota mais pela complacência com que as maiores barbaridades, insultos, mentiras e afins em que o Bloco é useiro e vezeiro, são recebidas pela generalidade das pessoas e, em especial, pelas redacções dos jornais.
Marisa Matias dizer que todos os países da Europa têm companhias aéreas de bandeira e não se ouvir uma sonora gargalhada nas redacções dos jornais, diz muito sobre a qualidade do jornalismo e sobre nós.
ResponderEliminartodos os países da Europa têm companhias aéreas de bandeira
Formalmente as companhias aéreas (Lufthansa, British Airways, KLM, etc) são empresas privadas, mas a verdade é que em grande parte continuam a ter as bandeiras dos países de onde provêem, e a utilizar os aeroportos desses países como hubs.
ResponderEliminarTodos os comentadores políticos são unânimes em dizer que Marisa Matias desiludiu nos debates.
Marisa Matias há cinco anos era uma candidata jovem e refrescante. Agora está balofa e estandardizada.
Olhe, agora numa boa.
ResponderEliminarComo nem vejo tv, deu-me ontem à noite para ver online os debates- Os principais. Nunca vejo nada, nem tenho pachorra para ler programas e isso também não altera muito porque raramente. E, quando voto, é mais para puxar cá para baixo a porcaria que está em cima.
Mas vi. E resumia mais ou menos como resumiu. Uma treta em que praticamente só o Marcelo e maluka da Ana Gomes querem ir a presidentes e os outros a fazerem agitp prop dos seus "ismos".
No entanto, o mais básico, zero à esquerda, apatetado e nem sequer esteticamente aproveitável, como me parecia há uns tempos, foi e é a Marisa. Uma cacada sem resposta para nada.
E sim. Isso viu-se no debate com o Mayan que também nunca tinha visto mais gordo nem lido, nem nada. Sei o que é o grupo porque tive kms de debates com "eles", via Carlos Novais com quem se podia falar.
Ora o Mayan é apresentável, o que diz passa, de forma muito razoável porque o óbvio ululante é que nunca tivemos liberalismo algum e uma pitada disso no extremo estatismo de esquerda em que vivemos, era como a Marisa a viver na Bélgica e a ir à clínica privada como se fosse ao SNS sem nunca ter dado por isso.
Fora o resto, o Ventura nunca iria a presidente e até tenho dúvidas que fosse a PM porque não tem estaleca intelectual. Parece radical porque não é teórico. Tudo o que ele disse acerca da imigração ilegal vinda de Marrocos e até de outros lados, é dito de modo pacífico pelo Jaime Gama, com teoria e informação política do controle normal de fronteiras e interesses recíprocos dos governos. E nunca ninguém insultaria o Jaime Gamas querendo ilegalizá-lo por ser racista, xenófobo, anti-minorias ou sei lá que mais.
Acho que até o João Távora não teria preconceitos de comer com ele à mesa, ainda que tenha memórias de uns pecadilhos, por outras vias. Mas sabe do que fala e teoriza. o Ventura quer maralhal para apoio.
Sobra o Marcelo- é óbvio que no panorama em questão o Marcelo ganha e isso é óptimo, o meu caso, porque assim dispenso o trabalho de "ir à urna".
O resto, o contrapeso, ao status quo, sim, admito que na IL e no Chega mas na Assembleia.
O Mayan é claramente mais apresentável em todos os aspectos que os outros IL já conhecido (ainda que me parece que em alguns debates havia o mesmo problema piloso de falta de lavagem da cabeleira ou contágio da brilhantina do Cotrim). Mas foi bem escolhido e fica bem na Assembleia.
ResponderEliminarÉ tão útil como o Ventura, por muito que não se queira admitir, estritamente naquele sentido estratégico que os comunas sabem- justifica porque serve para os fins. Devia largar a panca da esterilização de pedófilos e a agir prop para Zona Jota à conta das rivalidades populares (legítimas, mas básicas, no todo e no "fundo") acerca dos ciganos.
A Ana Gomes continua a mesma maluk@ como a MJM e o MRPP nunca lhes saiu do pêlo.
A nossa esquerda é toda isto- socialista e seus compagnons de route que são fósseis e se julgam vanguarda. E são mesmo um atraso de vida que devia ser entendido racionalmente e historicamente pelos portugueses.
Faltou-nos ter provado o veneno a sério, como os do leste que nem os podem ver. Por cá ainda servem a "aura" romântica do "antifassismo que é uma anormalidade descoberta pelos filhos de Abril e das cagadas de circo nos grafitos de rua. Ensinada na escolinha, acrescente-se, desde a pré-primária ao universitário e vendida nos jornais desde os anos 60. Um totalitarismo que não existe em mais parte alguma.
Engordou, em todos os aspectos. E gordura com batom vermelho dá ar chunga até dizer chega, adornando bem a nulidade que é.
ResponderEliminarNulidade que só chegou onde chegou a ganhar umas boas pipas porque o Portas falecido se apaixonou por ela e lá a meteu na UE.
Adorei, Zazie! Continue a malhar na esquerda! Tresandam a bolor e a ranço velho.
ResponderEliminarOs debates têm uma coisa boa. Não servem para escolher o próximo presidente porque já está escolhido há muito tempo, mas servem para escolher o maior grunho para levar o voto do descontentamento.
ResponderEliminarPois eu, depois de ouvir isto (que demora uns 5m), fiquei com vontade de não permitir que o 2º lugar vá para a "candidata" que disputa esse lugar no pódium. E tal só se impede, se...
ResponderEliminarPrecisamente! o voto do descontentamento. Assim ficam a saber que a malta já estás farta desta "Frente Popular" . E porque MRS não está em risco.
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ResponderEliminarObservar o pensamento político, social e pessoal da candidata Marisa Matias é constate público ddo nível de maturidade do pessoal das esquerdas. Embora já com idade para serem crescidinhos continuam -num mundo de adultos- a viver uma infância com Pai Natal e tudo. Outros evoluiram mas ainda vivem num universo que apenas compreende um restrito número de "amigos".
Pensam em termos de o que é bom, os bons em oposição -branco / preto- do que é mau, os maus e mesmo os mauzões. Nunca mais crescem.
Curiosamente encontram certos grupos de adultos, paizinhos protectores (os partidos) que bem sabem tirar partido de essas carentes crianças (eleitores).