Percebi que o Senhor Presidente se fez hoje fotografar a apanhar a vacina da gripe.
Acontece que hoje recebi da farmácia um SMS a dizer que tinham chegado as vacinas à farmácia, que havia pouco stock, e que se vacinariam as pessoas por ordem de chegada.
Isto resulta do facto de ter um médico que é um radical da covid e achou melhor que eu apanhasse a vacina este ano, mas também da minha mulher, que é de altíssimo risco, insistir para eu tratar do assunto.
Chego à farmácia e perguntam-me a idade, explicando logo que abaixo dos 65 anos não vacinavam ninguém porque só tinham chegado 20% das encomendas e com indicações estritas de prioridades dadas pela DGS, não sabendo quando viria um stock suficiente para as encomendas porque o SNS tinha ficado com as vacinas quase todas.
O Senhor Presidente é mais velho, está portanto nos grupos prioritários de vacinação (definidos apenas em função da idade e não da condição de saúde de cada um, mas isso são outros quinhentos).
Encolho os ombros e fico à espera de quando houver vacinas (mesmo vivendo, como disse, com quem é de elevado risco, mas isso é uma coisa que terei sempre de gerir diariamente, com ou sem vacinas).
Não sei é se a exibição do privilégio é a maneira mais inteligente de motivar um povo a vacinar-se.
Bem sei que a Rainha Vitória se ataviava o melhor que podia para ir visitar zonas pobres, com o argumento de que ninguém estava ali para ver a Vitória mas sim a Rainha, e era por respeito para com os mais pobres que ela não lhes podia fazer a desfeita de os desiludir.
Mas não, não é disso que se trata, é mesmo de um tratamento especial - já agora, que se justifica inteiramente, o Presidente da República merece um tratamento diferente do de Marcelo, mesmo que o próprio tenha dificuldade em compreender isso - no acesso à prevenção da doença.
Aí talvez se justifique a resposta de outra Rainha, quando pretenderam levar a família real para o Canadá (nunca confirmei a história, que é boa, porque não troco uma boa história por uma história verdadeira) durante a segunda guerra, para a proteger dos bombardeamentos alemães: os meus filhos não vão porque estão onde estiver a mãe, a mãe não vai porque está onde estiver o Rei, e o rei não vai porque está onde estiver o seu povo.
Chegámos a um ponto, em que já não sei se estou a ser governado pelo chapeleiro louco ou pela rainha de copas.
ResponderEliminarEntão mas o polissorbato 80 presente nas vacinas da gripe já não agrava o estado dos pacientes com covid 19?
Parece razoável, mas há anos que maiores de 65 anos (e creio que pessoas de risco, sofrendo de diabetes, coronárias, etc) têm sido covidadas a vacinar-se gratuitamente, mediante inscrição..Eu assim tenho feito de há uns anos para cá minha mulher inscrevia-se na farmácia e pagava a vacina. Este ano inscrevi-me também na farmácia, para ser vacinado mais cedo, se possivel
ResponderEliminarAssim de relance, sobre a vacina da gripe e a COVID-19.
ResponderEliminar"Influenza vaccination and respiratory virus interference among Department of Defense personnel during the 2017-2018 influenza season"
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31607599/
«Purpose: Receiving influenza vaccination may increase the risk of other respiratory viruses, a phenomenon known as virus interference.
(...)
Conclusions: Receipt of influenza vaccination was not associated with virus interference among our population. Examining virus interference by specific respiratory viruses showed mixed results. Vaccine derived virus interference was significantly associated with coronavirus and human metapneumovirus; however, significant protection with vaccination was associated not only with most influenza viruses, but also parainfluenza, RSV, and non-influenza virus coinfections.»
"Rapid Response:
Covid-19 immunity, covid vaccines, and influenza vaccines"
https://www.bmj.com/content/370/bmj.m3563/rr-0
«
http://prntscr.com/v2itx7
ResponderEliminarmesmo vivendo, como disse, com quem é de elevado risco
Pois, isso é algo que deve ser resolvido pelas próprias pessoas, e não ser motivo para uma alteração da política pública.
Da mesma forma que defendemos que as crianças devem ter a possibilidade de se contaminarem, mesmo quando sabemos que algumas dessas crianças vivem normalmente com pessoas de risco (avós, etc).
As pessoas de risco devem proteger-se, e quem habita com elas deve tentar ajudar a protegê-las. Mas isso não justifica que terceiros se tenham que desencaminhar para ajudar essas pessoas que decidem cohabitar.
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