sábado, 18 de julho de 2020

Uma história

Passei à porta da mercearia e, como estava aberta - a porta, não a mercearia - perguntei pelos donos.


Têm duas mercearias, numa delas está habitualmente o dono, na outra a mulher.


Fecharam há semanas por causa da covid, o dono esteve uns dias nos cuidados intensivos, mais uma semana em recuperação, foi para casa e já abriu a outra mercearia.


A dona também testou positivo, mas nunca teve outros sintomas para além de uma perda de paladar, os filhos deram sempre testes negativos.


Até aqui, uma história banal, a partir daqui entramos na dimensão surrealista da coisa.


Para não infectar os filhos, a dona não sai do seu quarto praticamente há quatro semanas e o Estado determinou que tem de estar em prisão domiciliária até que tenha dois testes negativos.


Só que, teste após teste, os resultados são inconclusivos e, dessa forma, o Estado português, ao arrepio do que se sabe sobre o assunto (ao fim de treze dias a probabilidade de alguém ser infecciosa não está demonstrada), determina a prisão domiciliária de uma pessoa e determina, por consequência indirecta, o fecho de uma estrutura económica.


Insisto neste ponto: o que me arrepia não é tanto que isto aconteça, porque em processos complexos é muito provável que existam erros, o que me arrepia é o silêncio quase absoluto sobre isto (que me lembre, vi um dia destes uma notícia de uma senhora que se mantém assim há quatro meses, notícia cujo impacto social foi ser considerada uma curiosidade chata, e não uma flagrante violação de direitos constitucionais praticada discricionariamente pelo Estado, sem controlo judicial) e a serena posição da generalidade da imprensa que é capaz de escrever peças manhosas sobre eventuais sequelas da covid em crianças assintomáticas, ou peças manhosas sobre o risco de abrir escolas, mas é incapaz de ver flagrantes violações de direitos constitucionais, praticadas com fundamentação que, aparentemente, ninguém acha necessário discutir.


Que haja tantas conferências de imprensa e não se questionem os responsáveis por esta opção administrativa e política que consiste em impôr a prisão domiciliária a quem não tenha testes negativos, apesar da evidência científica que a suporta ser nula, é deprimente.

9 comentários:

  1. É pior ainda do que prisão domiciliária, prende não só o infectado como prende a família toda.
    E o que é mais grave é que isto é apenas para justificar a utilidade da aplicação. Aplicação essa que é uma clara violação de direitos e um atentado à protecção de dados. 
    Será que anda tudo a dormir ou já estamos na república das bananas?

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  2. MANADA de boçais MERECE ser assim tratada... Andam sempre a chorar pelo "Estado" tomem então lá com ele!


    Em vez de perderem horas a ouvir notícias falsas nos telejornais... LEIAM mais, e tenham o devido PENSAMENTO CRÍTICO sempre afinado.

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  3. Só os boçais vão usar tal aplicação!
    E todos os que a usarem merecem ser espremidos até ao tutano.

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  4. E a Organização Mundial de Saúde, também não sabe nada do assunto?

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  5. O tipico escravo tuga fica sempre chateado não com que o fornica mas com quem o alerta de que está a ser fornicado.


    É de rir...

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  6. Eu gostei de ver foi a serie de bandarilhas que o Eremita lhe pos no lombo ! Essas ninguem lhe as tira.  So acho que ele esteve mal numa coisa.... tantos posts para dizer que voces NAO PERCEBE NADA do tema ??   Deu-lhe atencao de mais.   Tem é que cair no esquecimento que é o seu lugar. Pequenino pequenino caladinho.   Ok.. fale de fogos à vontade.  De ciencia medica é uma nulidade !           Ja o outro toino que aqui comenta logo abaixo.....  com raid trata-se

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  7. Todos sabemos que ainda antes de chegarem a essas conclusoes ja voce as sabia.  Nada de novo.  Ja li os artigos do Eremita sobre si.... o homem merecia 2 as orelhas e sair em ombros!!

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  8. É isso é ! O que seria de nós se nao fosse os teus alertas ! Quem bom que estamos sempre na presença de pessoas tao espertas como tu

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