quinta-feira, 25 de junho de 2020

Se cá nevasse fazia-se cá ski

Onde se dá o grosso da transmissão da covid?


Em coabitação.


O que pretendem as medidas que têm vindo a ser tomadas?


Que aumente o tempo de contacto na coabitação.


Eu sei qual é o argumento usado para defender isto: só há transmissão em coabitação porque alguém foi infectado fora de casa, se ninguém sair de casa, quebramos a cadeia de contágio e resolve-se o problema do contágio em coabitação.


Como lá muito atrás dizia um cientista sobre esta epidemia, é verdade que se em todo o mundo, ao mesmo tempo, toda a gente ficasse quatro semanas em casa, o vírus desaparecia.


Claro que esta solução implicaria que os doentes deixariam de ter assistência médica, morrendo em casa, infectando os de casa, ninguém recolhia o lixo, ninguém ia às compras, ninguém consertava uma torneira estragada, ninguém resolvia um curto-circuito, etc. e, ao fim de quatro semanas, uns tinham morrido, outros tinham deixado de ser infecciosos, não tendo o vírus como sobreviver.


O essencial era que isto fosse cumprido por todos, em todo o mundo, ao mesmo tempo.


Aparentemente a orientação política (há outra? a ideia de que existe uma orientação técnica e outra política na gestão de fenómenos sociais de larga escala parece-me completamente absurda) que temos em execução parte do princípio de que se ficarmos todos em casa tempo suficiente, quebramos as cadeias de contágio, mas sem atender ao pressuposto base inerente a essa política: todos têm de fazer o mesmo, em todo o lado, ao mesmo tempo, mais ou menos quatro semanas.


Ou seja, a alternativa à política clássica de tratar doentes, acompanhar cadeias de contágio conhecidas e preparar os serviços de saúde para responder às necessidades, sabendo que não há doenças potencialmente fatais sem doentes e mortes é, pelos vistos, a ideia de que se cá nevasse fazia-se cá ski.


E, com base na ideia de que se cá nevasse fazia-se cá ski, está o país inteiro a pagar uma enorme pista de ski.

2 comentários:

  1. Que aumente o tempo de contacto na coabitação?! Então eu estou lixado. Eu habito com nem sei quantos,  aquilo parece a casa da Amália, uns a sair outros a entrar, e ninguém leva vinho nem comida, tenho que ser eu a pagar tudo, até o frigorífico fica cheio de pines com poemas para a guitarra , depois, é ás multidões! Estou cozido com isto!
    É como diz o outro- somos os melhores, os maiores, uns heróis...
    Tou lixado c`a missa cantada ...

    ResponderEliminar

  2. Anón. da 15:33,  não está lixado!
    Está a ser tratado como um genuíno tuga é tratado por estes azeiteiros [termo bem típico do Porto].
    Por sermos mesmo bons, vamos dar a volta a esta corja e lutar [é isto mesmo] pela nossa vida, pela nossas autonomia e liberdade. Se não for a bem, pela calada, fintando o fisco e o desgoverno, irá ser com vara de marmeleiro. Ou por envenenamento súbito por chumbo.

    ResponderEliminar

O caso das bandeiras (outra vez)

A devolução ao Parlamento, sem promulgação, do decreto sobre as regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos, pelo Presidente da ...