As regras, regrinhas e regretas que vejo saltar quase todos os dias, sobre o uso de praias, restaurantes, creches e etc., fazem-me lembrar as regras sobre fogos, que em boa parte dos países se limitam a ser recomendações técnicas mas que aqui tomam a forma de leis que toda a gente sabe que não vão ser cumpridas.
Lembro-me da história da regulamentação dos campos de férias e afins em Portugal.
Um exemplo, para não complicar. O Estado, em Portugal, acha bem determinar que "As entidades organizadoras devem disponibilizar aos participantes uma alimentação variada em qualidade e quantidade adequadas à idade dos participantes e à natureza e duração das actividades, devendo, para os campos de férias residenciais, ser repartida em, pelo menos, quatro refeições por dia.", inviabilizando campos de férias muçulmanos durante o Ramadão.
Por alguma elevada razão de interesse público? Porque acha que as pessoas participam livremente em campos de férias onde se passa fome ou todos os dias se serve massa com arroz?
Não, a razão é simples: durante anos andou em discussão uma regulamentação da actividade de campos de férias e afins, sem resultado palpável. Num ano morreram uma ou duas pessoas intoxicadas e rapidamente se aprovou a regulamentação que estava à mão. O Estado, em vez de se limitar a tornar obrigatório um sistema de seguros, ou coisa do género - se tinha assim tanta necessidade de regulamentar -, ou de financiar as pessoas que não tinham recursos para pagar campos de férias decentes, escreveu no diploma o que entendeu saído da cabeça de quem nunca teve de gerir campos de férias com orçamentos limitados.
Aparentemente, as leis e as regras administrativas em Portugal não visam a regulação de conflitos entre pessoas livres e autónomas, o seu principal objectivo é proteger politicamente os governantes.
Quando leio a quantidade de regras que uma cabeça burocrática é capaz de conceber, sem a menor consideração pela realidade material das coisas (para se ter uma ideia, cite-se a senhora que dirige os serviços que fazem as regras relacionadas com a covid "Sabemos que as creches e as amas são locais potenciais de transmissão porque os meninos não têm consciência de que podem transmitir a doença, querem abraçar-se e beijar-se. Cabe aos adultos passar-lhes esse conhecimento") só me apetece emigrar porque me lembro sempre do Charles Aznavour: "il me semble que la misère serait moins pénible au soleil".
É de facto, como diz: estas cabecinhas burocráticas entretêm-se com regrazinhas administrativas comestíveis que
ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/china-uma-ameaca-para-as-democracias-ocidentais/ (https://observador.pt/opiniao/china-uma-ameaca-para-as-democracias-ocidentais/)
..." a sua ideia é proteger os governantes."
ResponderEliminarCaro Senhor
A sua ideia (deles) é por regra justificar a coisa pública, protegendo os governantes, justificando os autores das normas e regulamentos ( veja-se o M Educação), os seu fiscais e inspectores, as comissões de acompanhamento, ...., ......!
O bicho público nunca pára de crescer, a não ser que seja cerceado exteriormente, pelos eleitores, pelas crises financeiras, e por outras situações graves.
A alma que fez as regras das creches deve ser um jotinha sem filhos (ou humorista). As crianças não podem partilhar brinquedos. Eheheh. As crianças, que, acordadas e aos saltos e aos gritos, estão agarradas, devem dormir a 2 metros de distância. As crianças devem ser deixadas à porta mas deve-se estar atento aos sintomas dos pais.... Só pérolas!
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ResponderEliminarA forma como os diferentes Estados tratam a sociedade - neste caso do vírus (se calhar) chinês- é o exemplo do que se afirma neste post.
Na Suecia chamou-se a atenção do cidadão para as vantagens, como sociedade, de cumprir certas regras. A resultante sueca, neste triste surto, vaticina-se como uma das melhores (consistentemente e já a médio prazo).
Por cá preferem-se as momentânea, e estatísticamente, melhores, baseadas nas hipóteses de um imaginativo metemático.
Por cá dá-se 2 metros a cada infante. Dois rigorosamente medidos metros...
as regras administrativas em Portugal não visam a regulação de conflitos entre pessoas livres e autónomas, o seu principal objectivo é proteger politicamente os governantes
ResponderEliminarNão me parece que neste caso seja assim.
Há um conflito latente entre pessoas que de facto se sentem inseguras e que de forma nenhuma querem ser infetadas, e outras que pelo contrário se estão marimbando para o vírus.
O Estado faz regras que tentam compatibilizar esses dois tipos de pessoas.
Por exemplo, as regras para as creches tentam assegurar a muitos pais que estão cheios de medo que o seu filhinho seja infetado de que podem e devem enviá-lo de volta para a creche.
Ontem estava com outras pessoas ouvindo o noticiário das nove da tvi24 e foi comentário acordado por todos que o dito noticiário mais parecia texto de um porta-voz do governo do que informação tratada e analisada criticamente por jornalistas.
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