Há algum tempo que escrevo sobre a covid não sabendo eu nada do assunto.
Já fui mudando de opinião várias vezes, já fui reconhecendo erros de previsão (ao contrário do responsável pelo modelo do Imperial College, que continua a dizer que está tudo a correr como previsto), fui realinhando argumentos, fui refazendo erros ou imprecisões que me convencia (ou me convenciam) que os meus argumentos tinham.
Mas as intuições iniciais - que isto é um processo natural que tem de ser gerido nos seus efeitos, e que a forma de o gerir não pode ser pior que a falta de gestão - têm-se mantido.
A coisa mais estranha que tenho ouvido, não especificamente em relação ao que escrevo, mas em relação a qualquer pessoa que se limite a dar contexto aos números da covid comparando-os com os da gripe, é a de que se pretende desvalorizar a covid dizendo que é só uma gripezinha.
O argumento, em si, é bastante estúpido e não vale a pena perder muito tempo com ele, mas tem um aspecto para que vale a pena olhar com mais atenção, é a ideia de que a gripe é só uma gripezinha.
É difícil saber quantas pessoas morrem de gripe (e complicações associadas) mas a Organização Mundial de Saúde diz que podem ser até 650 mil pessoas num ano, com variações muito grandes de ano para ano (varia entre 350 a 650 mil, se não me engano, mas não fui verificar o número inferior).
O que aparentemente o uso desse argumento demonstra é que uma boa parte das pessoas (eu incluído até me ter metido nesta discussão) desconhece o verdadeiro impacto epidemiológico da gripe e, consequentemente, quando ouve alguém dizer que a mortalidade da covid anda pela mortalidade de um ano mau de gripe (globalmente, localmente há variações importantes, mas isso também é verdade para a gripe), acham que isso corresponde a uma desvalorização da covid, em vez de perceber que se trata é de uma valorização da gripe no que ela tem de importância social, em especial para as pessoas acima de 65 anos.
Quando a poeira assentar, quando passar a ser possível discutir racionalmente o que aconteceu, o que correu bem ou mal na gestão desta epidemia, é bem provável que haja muito mais gente a perceber que a gripe não é só uma gripezinha, é um motor muito relevante da mortalidade acima dos 65 anos (e, ao contrário da covid, também no outro extremo da estrutura etária, embora, felizmente, com menos impacto).
Espero continue atento aos números do EUROMOMO cujas estimativas continuam a ser revistas em alta todas as semanas.
ResponderEliminarA diferença é que essa gripe só mata muitas pessoas porque há demasiadas que até são cuidadoras de idosos, com contrato com entidades oficiais que, pura e simplesmente se recusam vacinar.
ResponderEliminarE depois contagiam-nos. Porque, mesmo com vacina, pode-se apanhar uma gripe e esta, em pessoas mais frágeis e idosas, pode degenerar em pneumonia- Os que têm alzheimer acabam por morrer assim.
Só que essas pneumonias até podem ser bacterianas. Têm tratamento com anti-virais e a sua propagação e letalidade não tem a menor comparação com este vírus novo, para o qual o nosso organismo não tem protecção nem memória de outra vacina. Por isso é que as outras podem ser epidémicas mas nunca foram pandemias como a que se está a viver no mundo inteiro.
ainda o hei-de ver a defender uma quarentena entre outubro e abril para acabar de ver com todas as gripezinhas, gripezonas e afins.
ResponderEliminarqual será o papel da vacina na propagação da gripe ? conheço casos de gente que depois de vacinada e como consequência da vacina , que fica doente , mas doente, 2 ou 3 semanas. essas pessoas provavelmente contagiaram outras , certo? a vacina teve papel na disseminação da doença , ou estou a pensar mal?
ResponderEliminarNão vale a pena Zazie. É um discurso zizezagueante. Umas vezes assim, outras assado. Agora é o de que quando se dizia ser uma gripezinha era a dar importância à gripe. Pronto, é assim. Ao princípio tinha piada, depois passou para absurdo, e agora simplesmente não vale a pena.
ResponderEliminar