quinta-feira, 26 de março de 2020

"The coronavirus, in contrast, is a virus with public relations."

Pela parte que me toca, já chega o que chega: escrevi demais sobre esta epidemia, expus-me demais com esta epidemia (no espaço público, entenda-se, no que pessoalmente me diz respeito, pelo contrário), fi-lo de forma totalmente consciente, quer da dimensão da minha ignorância, quer dos riscos associados a deixar todo o espaço público à brigada do "fecha tudo, já!".


Na altura em que o fiz, a margem deixada à racionalidade e à moderação era muito, muito estreita, mas agora começa a haver algum contraponto à exigência populista do "fecha tudo, já!" e já não me parece útil ter um ignorante a passar tempos infindos a procurar informação e, sobretudo, a ouvir quem, sabendo muito mais do assunto, simplesmente não se ouve.


Para quem quiser, que dê uma vista de olhos a estas citações de onde tirei o título da crónica, a partir de uma referência do Paulo Fernandes.


Pela parte que me toca, fiz o que achei que era útil fazer e agora vou-me dedicar às couves.

15 comentários:

  1. Pela parte que me toca, obrigado (não por fechar a loja da dúvida metódica, mas por tê-la mantido aberta).

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  2. parece a simbologia onde os merdas vem o que querem porque a MERDA flutua ou afunda-se

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  3. Tudo me parece muito correto, mas questiono, é ou não é verdade que os sistemas de saúde da Lombardia e de Madrid, que são bons sistemas de saúde, estão assoberbados de trabalho com pessoas a precisarem de ser ventiladas? É isto que acontece todos os anos, esses sistemas de saúde ficarem à nora com pessoas com falta de ar? Creio que não é. De onde deduzo que efetivamente este vírus é pior do que os vírus da gripe que anualmente nos afetam.

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  4. Sim, é isto que acontece em todos os anos em que os picos da gripe são mais fortes. Em qualquer caso, como expliquei, com esta doença há um tempo de ocupação das camas de cuidados intensivos maior.
    Não sei quanto da sobreocupação actual se deve a este aspecto da doença, à concentração de doentes que de outra maneira seriam tratados de forma mais dispersa e quanto se deve ao medo instalado que faz com que haja maior procura dos sistemas de saúde, mas por outro lado, como este surto tem estado abaixo de um ano mau de gripe, não sabemos quanto disto é mais atenção mediática sobre o problema e quanto é mesmo do problema ser maior.

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  5. E não só.
    Falta ver os efeitos colaterais nos outros internamentos (que já tinham o problema de quase haver mais risco em bactéria hospitalar que na doença ou operação que se fez), como no protelar de tratamentos a doenças muito mais graves e até mera ida a urgência hospitalar por verdadeiras urgências de saúde.


    Nem numa ambulância uma pessoa que nem tenha suspeitas de covid quer ir.
    Caso de problema de tendinite com que lidei hoje e que ninguém se atreveu nem a chamar médico ou, muito menos, ir a centro de saúde ou hospital.


    Já para não falar de casos que conheço com análises e exames protelados e consultas canceladas, havendo sintomas de longo tempo graves e diagnóstico por esclarecer.

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  6. É verdade. O problema é que não se consegue calar a "atenção mediática" quando de epidemia mais ou menos localizada e com ritmo lento, se passa a bruta pandemia a velocidade enorme e propagação planetária, com a net. 

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  7. Se tivesse seguido a ligação, teria percebido que iria ter a declarações de terceiros que pode confirmar

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  8. E ainda existo o factor de medo por existirem testemunhos de quem teve e de que a coisa é bera, assustadora e falta de ar a ter de ser ventilado não é comum em epidemias de outras gripes, a menos que sejam velhos.


    Eu creio que há uns anos, quando fui a Madrid para trabalho de investigação em biblioteca, apanhei a dita doença do legionário. 
    Eu e mais pessoas que estiveram nos mesmos dias.
    Se não tivesse alugado apartamento, nem sei como me safava. Literalmente foram uns 5 dias a hibernar, beber água e meter-me em banheira com gelo para fazer baixar a febre. Nem dava para levantar. E nunca tinha tido nada de semelhante na vida.

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  9. Não tenho nada contra as couves, mas vá lá, um pouco de multitask, please.

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  10. Bom dia , hoje questionar a narrativa oficial é suicídio , as pessoas deixaram de pensar pela própria cabeça , comem tudo .
    É por isso que eu gosto de o ler , como também gosto de ler o Pedro Arroja (Portugal Contemporâneo) , o J. Rentes Carvalho (Tempo Contado) .


    Luis Almeida

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  11. Fez muito bem Henrique, a dúvida é sempre saudável . Tendo a concordar, esta estratégica di linha Maginot é desastrosa.

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  12. Segui e confirmei um conjunto de argumentos de autoridade (que sei que o Henrique também detesta), cientistas que publicam mais em blogs e sites que em peer review e no único artigo científico citado, se o lê-se, e não apenas as citações no site, verificaria que até os autores colocam em questão o suas próprias conclusões (para além de claros erros de citações no artigo, estatística muito duvidosa na sua robustez e clara desfasamento da realidade de dados à presente data).

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  13. Mesmo estando em desacordo, gosto da pluraridade de pensamento, e muito dos pontos que faz fazem sentido. Alem de que, a sua voz é importante contraponto à histeria que se vive, fechar tudo por tempo indeterminado é impossivel e causara tantas ou mais vitimas que a epidemia.


    Quanto aos numeros, como ja disse noutro comentario, entre aquilo que leio e o que vejo todos os dias num pais europeu, estou assustado. é uma grande vaga de pacientes que esta a inundar o sistema que rapidamente nao conseguira dar resposta.
    e é pior que uma gripe visto que a proporcao de casos graves é maior, o tempo de estadia nos cuidados intensivos é maior e a mortalidade bem mais elevada


    cuide de si e dos seus, saude e coragem para enfrentar o que ai vem

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  14. Escreveu demais. Com a arrogância somada à ignorância que são o seu apanágio e com que esconde a ignorância, complementada pela desonestidade intelectual de arvorar as teses que se enquadram na sua agenda ideológica , omitindo outras do seu desagrado.


    Pelos vistos terá tido muitas reacções negativas.


    Dedique-se ao que sabe fazer melhor: defender o cultivo de eucaliptos.


    Está a chegar o Verão e os fogachos. Aí sim pode explicar ao pagode a razão porque não há diferença entre os eucaliptos e os choupos, apontando para o bom exemplo das celuloses.
    .
    No entretanto, mostre ao povo a sua tese de doutoramento, por certo em Cambridge ou Stanford.

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  15. Esse é um argumento diferente, o de que as pessoas que dizem o que dizem não têm curriculum que lhe interesse, quando antes dizia que era o site que não era de confiança (o que dou de barato).
    Pena é que, quanto aos argumentos, em si mesmos, diga nada

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