José Rentes de Carvalho discorre aqui sobre o fascínio dos aeroportos, das estações de comboios e das urgências dos hospitais. Os três são cenários de espera, de chegadas e partidas. O aeroporto exala uns laivos de euforia e mundanidade que não tem paralelo na plataforma da estação dos comboios, melancólica e proletária. De resto é nas urgências de um hospital, que a pobreza e o precário sobressaem na paisagem humana, e o olhar dos outros nos espelha despidos de máscaras e artifícios... mas com a inocência perdida.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Nobreza e política
É uma verdade desconfortável: o conservadorismo e o liberalismo são ideologias contra-intuitivas. Guiados pelo princípio instrumental da sat...
-
"Grossa asneira" foi como um amigo meu classificou o que fizeram Fernando Alexandre e Alexandre Homem Cristo. Quando perguntei qua...
-
Li esta frase num texto de um comentador que leio habitualmente com gosto e proveito, no meio de outras como "segundo qualquer observad...
-
Sabendo de como é coisa complexa e eu sei pouco do assunto, não perdi muito tempo a ver os pormenores das alterações ao código do trabalho. ...
As nossas estações ferroviárias são nostálgicas e proletárias porque deram cabo do caminho de ferro. Mas se visitar Saint Pancras, chegada e partida do eurostar, verificará que é hoje, em quase tudo, semelhante a um aeroporto, não fosse a magnífica estrutura de ferro a lembrar a revolução industrial.
ResponderEliminarAs Urgências no Hospital de S. José em Lisboa, são dignas de nota:
ResponderEliminarTempos de espera muito longos.
Tudo se passa num apertado corredor numa barulheira de feira.
Os Doentes, homens e mulheres, novos e velhos, em maca ou pelo seu pé, ou sentados em cadeiras ou em cadeiras de rodas, amontoados em total promiscuidade frente a frente.
Uns choram, outros gemem, outros dizem palavrões, uns vomitam, outros borram-se, outros sangram, outros andam praticamente despidos, outros mudos e meio aparvalhados com o que veem e ouvem.
Os Médicos, os Enfermeiros, as Auxiliares e as Serventes todos num rodopio acotovelando-se que nem formigas, por entre doentes e acompanhantes.
Mesmo assim, estes profissionais esforçam-se por atender todos o melhor que podem, perante as tristes condições que o local lhes oferece.
Médicos, praticamente tudo gente nova, dão consultas onde quer que calha e até em improvisados gabinetes.
Todos os espaços de actividade são acanhados e pouco iluminados.
Sistema de fonia roufenho, sítio para o doente se despir e ser internado é onde calha.
As roupas e pertences dos que vão ser internados, metidos num saco de plástico e levados por um auxiliar.
Os sacos de urina dos acamados são despejados numa pia junto à qual eu já vi uma doente a ser consultado pelo Médico.
Uma doente, vi eu ser auscultada pelo Médico, encostando o estetoscópio por cima da roupa de inverno...
Mas temos dez (10) excelentes Estádios de Futebol espalhados por Portugal, com todas as condições desportivas e habitacionais... muitos deles estão às moscas.