quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Chegadas e partidas

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 José Rentes de Carvalho discorre aqui sobre o fascínio dos aeroportos, das estações de comboios e das urgências dos hospitais. Os três são cenários de espera, de chegadas e partidas. O aeroporto exala uns laivos de euforia e mundanidade que não tem paralelo na plataforma da estação dos comboios, melancólica e proletária. De resto é nas urgências de um hospital, que a pobreza e o precário sobressaem na paisagem humana, e o olhar dos outros nos espelha despidos de máscaras e artifícios... mas com a inocência perdida.

2 comentários:

  1. As nossas estações ferroviárias são nostálgicas e proletárias porque deram cabo do caminho de ferro. Mas se visitar Saint Pancras, chegada e partida do eurostar, verificará que é hoje, em quase tudo, semelhante a um aeroporto, não fosse a magnífica estrutura de ferro a lembrar a revolução industrial.

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  2. As Urgências no Hospital de S. José em Lisboa, são dignas de nota:


    Tempos de espera muito longos.
    Tudo se passa num apertado corredor numa barulheira de feira.

    Os Doentes, homens e mulheres, novos e velhos, em maca ou pelo seu pé, ou sentados em cadeiras ou em cadeiras de rodas, amontoados em total promiscuidade frente a frente.
    Uns choram, outros gemem, outros dizem palavrões, uns vomitam, outros borram-se, outros sangram, outros andam praticamente despidos, outros mudos e meio aparvalhados com o que veem e ouvem. 


    Os Médicos, os Enfermeiros, as Auxiliares e as Serventes todos num rodopio acotovelando-se que nem formigas, por entre doentes e acompanhantes.


    Mesmo assim, estes profissionais esforçam-se por atender todos o melhor que podem, perante as tristes condições que o local lhes oferece.


    Médicos, praticamente tudo gente nova, dão consultas onde quer que calha e até em improvisados gabinetes.


    Todos os espaços de actividade são acanhados e pouco iluminados.
    Sistema de fonia roufenho, sítio para o doente se despir e ser internado é onde calha.
    As roupas e pertences dos que vão ser internados, metidos num saco de plástico e levados por um auxiliar.
    Os sacos de urina dos acamados são despejados numa pia junto à qual eu já vi uma doente a ser consultado pelo Médico.
    Uma doente, vi eu ser auscultada pelo Médico, encostando o estetoscópio por cima da roupa de inverno...


    Mas temos dez (10) excelentes Estádios de Futebol espalhados por Portugal, com todas as condições desportivas e habitacionais... muitos deles estão às moscas.

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