segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Mas e os jornalistas, Senhor?

"para o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, “haver mais matrículas no Ensino Superior demonstra bem que a grande quebra não era demográfica, mas sim devida às dificuldades financeiras” que as pessoas sofriam e que, garante, “agora estão um pouco minoradas”. Mais, para Costa o registo que se verificou este ano, depois de terem saído as primeiras colocações no Ensino Superior, é também “um sinal de confiança no futuro“".


As declarações, em si, são de uma indigência que brada aos Céus, mas o que gostava mesmo de perceber é como é possível alguém fazer uma afirmação destas, ser público, notório e verificável que esse aumento de matrículas existe pelo terceiro ano seguido, e a generalidade dos jornalistas acharem que não faz parte da sua função informarem os seus leitores disso.


Aparentemente a generalidade dos jornalistas acham que a sua função consiste em reproduzir declarações de terceiros, e não relatar factos e ajudar a compreender a realidade a partir de informação verificável. Declarações de terceiros deste tipo, isto é, com recursos a tretas, se não escrutinadas pelo jornalismo, são a essência do populismo e não se percebe por que razão são reproduzidas sem mais.


A responsabilidade dos jornalistas no crescimento do populismo é inegável quando qualquer pessoa (podemos discutir se é mesmo qualquer mas não é isso que agora me interessa) sabe que pode fazer declarações destas sem ser verdadeiramente escrutinado e posto a ridículo pela imprensa.


 

7 comentários:

  1. Não existe imprensa em Portugal no seu verdadeiro sentido. Está tudo controlado de alto a baixo. Cada vez mais é uma classe desprestigiada por culpa própria que se deixa vender e controlar. Limitam-se a debater o que não interessa e transmitir os famosos "sound bytes".

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  2. Muito bom e directo aos alvos, caro HPS.

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  3. Ridículo é este post...inacreditável e insultuoso para um Primeiro ministro que está a puxar pelas portuguesas e pelos portugueses de pois de quatro anos de depressão e de infelicidade geral. Tudo por culpa da direita que arrasou com as esperanças e com os rendimentos da população. Todos os sinais de esperança, todos os sinais positivos - e são muitos, mas nunca falam neles aqui - são apoucados e postos a ridículo. O país melhora, as pessoas vêm a sua esperança aumentar, apesar de tudo ser muito lento devido ao cego diretório alemão e á falta de solidariedade dos países do norte da Europa e da direita europeia que tem sempre os seus Paulos Rangéis disponíveis. Que tristeza.

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  4. Meu caro Henrique, lembrei-me, não sei porquê, desta passagem de O Triunfo dos Porcos: 

    (As ovelhas não vêm referidas neste excerto, e ainda bem: é que não se sabe se as ovelhas são o povo ou os jornalistas)

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  5. O desespero de causa é tão grande que já não se comentam os assuntos em concreto, antes aplicando princípios "políticos" gerais que dão para tudo e o seu contrário. isto parece mais uma igreja em que o que é preciso é ter fé.

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  6. Deixem-me trabalhar! deixem-me trabalhar!

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