A exploração mediática da macabra tragédia do Meco ocorrida em Dezembro que ceifou a vida a seis jovens da universidade Lusófona trouxe para a ordem do dia a velha bandeira anti praxes, tradição das esquerdas academistas, que afinal não é mais que uma sua caprichosa exibição de moralismo serôdio. Se é verdade que tudo o que é tradição não é automaticamente bom, também não vislumbro uma perversão intrínseca no costume das praxes, ritual de integração grupal de comprovada eficiência com raízes profundas na Universidade de Coimbra, que como em qualquer prática humana pode degenerar em excessos – nenhum indivíduo poderá ser sujeito a tais jogos contra sua vontade. Até prova em contrário nada indica que algo parecido tenha sido a causa do fatídico evento. Finalmente, admitindo que a adolescência é um estágio algo imbecil da existência, posso-vos assegurar que de nada nos serve proibi-la.
Este unânime coro persecutório a que hoje assistimos pretendendo atribuir a responsabilidade da desgraça à malvadez das praxes (ou à falta de vigilância das praias o ano inteiro como a certa altura apareceu sugerido num jornal diário), incorre num erro de viciosa ingenuidade, como se o destino humano pudesse ser preventivamente manobrado por legislação. Tal como querer discutir tão lúgubre tragédia à luz da decadência do ensino universitário ou duma pretensa degenerescência das novas gerações académicas, procede dum profundo equívoco que desrespeita acima de tudo a memória das vítimas. Pretender aliviar a indignação e fugir à dor alimentando um qualquer bode expiatório é como ceder a uma superstição na linha da ancestral caça às bruxas.
"Mando que todo e qualquer estudante que ofender a outro com o pretexto de novato lhe sejam riscados os cursos." - D. João V, 1727
ResponderEliminarO que é macabro é que a partir do momento em que se refere a possibilidade de estar relacionado com praxes haver pessoas como tu que de imediato levantam a voz para proclamar os benefícios comprovadíssimos da praxe e defender a querida praxe porque é supostamente intocável.
ResponderEliminarObviamente qualquer familiar dos que morreram, mais do que desejar que a morte dos seus queridos tenha sido provocado por rituais de praxe, queira, simplesmente, saber o que aconteceu e como aconteceu. Simplesmente saber que morreu nunca foi suficiente. As pessoas querem saber como se deu a morte. Morreu porque estava doente, morreu enquanto dormia, morreu num acidente de carro etc.
A mim repugna-me toda e qualquer praxe, seja ela de que tipo for. Defendê-la é viver em tempos idos e completamente dispensáveis, por si só. Sem acrescentar o dubioso carácter de muitos dos praxantes e membros dos vários concelhos e comissões de praxe que masturbam o seu ego com títulos num ambiente carnavalesco e infantil.
João, você decepciona-me com a sua defesa das praxes! Mas está no seu direito de as defender. Mas eu sinto-me no direito de lhe dizer que você está do lado errado da barricada.
ResponderEliminarAs praxes a mim fazem-me vomitar. Tudo o que seja humilhar outros estudantes só porque são mais novos é resultado duma mente doentia e dum ego a precisar dum bom psicólogo.
E se você acha que as praxes não humilham mas, pelo contrário, ajudam a integrar os estudantes, você vive num mundo que não é o mundo real das universidades.
E não me venha com a conversa que nem todas as praxes humilham, porque 99% das praxes fazem-no sem qualquer pudor.
Não tenho outras palavras.
João,
ResponderEliminarRecordo-me da minha praxe (há 29 anos, no ISEL, durante o período de inscrições e no primeiro dia de aulas) e não houve qualquer humilhação. Foi até bastante divertida (no ano seguinte - a primeira em que a minha "geração" participou - foi um bocado parva mas não me recordo de cenas de humilhação) e serviu realmente para sermos "apresentados" aos estudantes do 2º e do 3º anos.
Logo a seguir à praxe os alunos do 2º ano, que tinham aulas em salas contíguas às do 1º ano, deram-nos informações sobre as cadeiras e professores e ofereceram-nos enunciados dos exames realizados nos anos anteriores.
Mas concordo consigo em que "Tudo o que seja humilhar outros estudantes só porque são mais novos é resultado duma mente doentia e dum ego a precisar dum bom psicólogo."
Infelizmente, esse tipo de "praxes" parecem ser cada vez mais comuns e, infelizmente, as autoridades são vergonhosamente complacentes com esses abusos.
Como é evidente, o meu comentário era uma resposta ao comentário do Luis, não ao artigo do João.
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