Fiz muitas asneiras na vida, mas também fiz algumas coisas boas. Uma delas foi ter-me lembrado de convidar o meu amigo João Távora para se juntar ao Corta-fitas, passado pouco tempo sobre a sua fundação. Ele estava preocupado com o facto de não ser jornalista, de nunca ter tido nenhuma profissão ligada às "letras", receando não se saber exprimir bem por escrito. Aquilo que ele via como uma desvantagem, a mim parecia-me uma enorme oportunidade de variar de estilo de escrita, de temas e de pontos de vista de um blog que até então era formado exclusivamente por jornalistas (eu, na altura, ainda o era). Rapidamente se provou que tinha razão e o João Távora conquistou logo um lugar na blogosfera sem nunca ceder nas suas sólidas convicções, sem nunca precisar fingir ser algo que não é. Já há algum tempo que ele é a verdadeira alma deste blog, relegando-me com toda a justiça para a discreta posição de "fundador que resta" e, apesar de ele me estar constantemente a espicaçar, continuo com a minha preguiça e descrença no poder das palavras. Sem ele, este blog hoje já não existiria e eu estou-lhe profundamente agradecido pela sua persistência e invencível optimismo.
Não sendo conservador, mas detestando o discurso "progressista", sendo agnóstico, mas com repulsa por "mata-frades", nunca estas minhas características afectaram as relações com o João Távora, o que mostra bem o seu espírito de tolerância, embora certamente ajude sermos ambos fervorosos monárquicos e sportinguistas. Infelizmente, devido a razões profissionais, é-me de todo impossível comparecer amanhã ao lançamento do seu livro Liberdade 232, às 18.30h, no Instituto Amaro da Costa (Rua do Patrocínio, 128, Campo de Ourique, Lisboa), mas fico muito satisfeito em ver que entre os admiradores do João Távora estão pessoas com a qualidade de Francisco José Viegas e do padre Pedro Quintela, que farão a apresentação, ou de Henrique Raposo, que escreveu o prefácio. Prometo não faltar ao lançamento das próximas obras do João Távora, porque se há algo de que tenho a certeza é de que ele ainda tem muito para nos dizer.
Foste corajoso ao convidar-me, Duarte, e estou-te grato por isso. Forte abraço e bom trabalho!
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