sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Recortes



(...) Antigamente, as "crises" da economia e das finanças do Estado afectavam pouco mais do que a classe média e a pequena-burguesia de Lisboa e do Porto, que por causa da fraqueza da moeda deixavam de poder importar "produtos de qualidade" (a moda francesa, por exemplo) e, coitadinhas, viajavam menos. Por isso, as "crises" do liberalismo não provocavam revoluções; provocavam, quanto muito, "uniões nacionais", que a certa altura os levaram juntinhos para o governo (sem faltar um único), pendurados numa gerigonça chamada "A Fusão" (que tanta gente, ainda em 2013, incita o dr. Cavaco a fabricar). Na província, como é óbvio, a polícia tratava a tiro o menor tumulto.
Desgraçadamente, o regime republicano, laico e socialista, que sem senso aceitámos, tem de sustentar mais de metade da população, sem meios para mexer um dedo, e assiste impassível ao apodrecimento do país.
(...)




Vasco Pulido Valente hoje no Público

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