domingo, 14 de outubro de 2012

Sem perdão

 


Dadas as circunstâncias, antes deste governo tomar posse estava eu já convicto de que em menos de um ano teria meio mundo na rua em violento protesto, num unanime e ruidoso coro com a comunicação social e a opinião publicada. Acertei em tudo menos nos fundamentos da sua consequente fragilização. Queimado por queimado, ao menos que tivesse cortado a direito e cumprido uma parte das promessas. Mas não: o governo, incapaz de promover uma reforma digna desse nome, de afrontar os interesses instalados, o funcionalismo público,  institutos e fundações, incapaz de extinguir uma empresa pública ou autarquia, acabou cedendo a todos os grupos de interesse excepto… à sua base de apoio, aos seus eleitores.  Como o costume a via escolhida para o brutal ajustamento foi pelas receitas. Ou seja, mais socialismo, a que se seguirá um governo com os socialistas. E isso não tem perdão. 

6 comentários:


  1. João, era fácil antever, só quem não estivesse atento nos últimos 20 anos. A malta da politíca ou não estuda ou é parva.

    1.Muitas "imprevisibilidades" que por aí são relatadas nada mais são do que expressões do medo, da insegurança. A tragédia era percetível. Um exemplo: desde 1989, que a velha Contribuição Autárquica, hoje IMI, tinha cláusula de salvaguarda (isenções de 10 anos...p.ex.), mas a lei era clara na necessidade da reavaliação... Agora, ...à força, no pior momento.

    2."Já não há, só há uma: é para mim", dizia o idoso à neta num velho reclame televisivo a propósito de uma guloseima por alturas do Natal.

    3.Não há ricos que cheguem para PAGAR a crise. Como nunca houve. Os BM´s e Mercedes, com os filhotes cheios de "gadjets" é ilusão, muitos destinam-se a baixar fiscalmente o lucro da empresa (rúbrica "despesas"). Outros ricos, não são vistos...mas o IMI fez levantar a gritaria de alguns, enquadrados na vetusta seiva de "riqueza" de família.Outros, carregam no "enter" e metem as suas poupanças e rendimentos em Gibraltar ou em Londres. No mais, ...uns milhares que ganham pouco acima de 8 000 euros por mês. Umas poucas dezenas de milhar que ganham mais de 3500 euros. Centenas de milhar que ganham acima de 1 500 euros por mês. E, dentro de momentos, um milhão de desempregados.

    4. A consoada chega depressa, assim será o epílogo.

    5. Sobram autarquias, empresas públicas, fundações. Milhares para a rua. Pois. Dizem os partidos do "centrão": não há mais, ...", ...as palavras repetem-se, mas agora o vento sopra mais forte, e as ondas batem forte na costa...

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  2. henrique pereira dos santos15 de outubro de 2012 às 09:07

    Não percebo. Os funcionários públicos tiveram os seus rendimentos reduzidos em quinze por cento, alguns chegando aos 30%. O barulho ouvido foi marginal. O tribunal constitucional impediu essa solução do Governo para poupar dinheiro. O resultado foi os funcionários públicos manterem as perdas e os outros perderem 6 ou 7% dos seus rendimentos. O barulho é imenso, incluindo este post.
    Não percebo que factos estão na base da realidade descrita.
    henrique pereira dos santos
    PS João, avalia bem a diminuição da despesa pública, mesmo sem contar com o tal corte de salários. Pode achar-se que se poderia ter cortado muito mais (embora raramente se explique onde) mas o que simplesmente não é respeitar a verdade é argumentar com os argumentos que usas.

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  3. Caro Henrique: a contestação era inevitável, mas antes fosse por um radical corte (estrutural) nas despesas do Estado. Nunca por tão brutal aumento de impostos, uma receita habitualmente utilizada pelo socialismo.


    Abraço,

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  4. Onde está a reforma administrativa do Estado? E um município extinguido para exemplo? 

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  5. henrique pereira dos santos15 de outubro de 2012 às 11:16

    João,
    Eu não sei o que é esse mito da reforma do Estado. O que sei é que a despesa inverteu a tendência e em vez de crescer diminuiu, e diminuiu bastante.
    Se a mera extinção de uma coisa inútil como os governos civis trouxe poupanças marginais, como queres que a extinção de autarquias, que em cerca de metade do país é o que resta de controlo social do território, ou, se preferires a linguagem mais próxima do que pensas, a última presença da nação no seu território, traga poupanças reais.
    Já olhaste para os números? Já viste bem o que representa a extinção de metade das autarquias segundo o critério do número de eleitores?
    Enquanto passarmos o tempo atrás de mitos como a reforma do Estado em vez de avaliar coisas concretas como a efectiva diminuição da despesa conseguida não conseguimos obter resultados concretos.
    henrique pereira dos santos
    PS A possibilidade de despedimento de funcionários públicos sem ser por processo disciplinar é uma reforma do Estado muito mais profunda que a extinção de metade das autarquias (sendo certo que muitas poderiam ser extintas que daí não vinha mal ao mundo, mas bem também não me parece que seja muito).

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  6. A diminuição da despesa é um meio de conseguir a diminuição do déficit.

    Os nossos prestimosos economistas e governantes diziam que era doloroso despedir pessoas e cortar serviços mas era necessário para diminuir o deficit.

    Ora o deficit aumentou. Das duas uma: ou se pretendia diminuir a qualidade de vida dos portugueses e nesse caso o governo é eficiente, ou se pretendia pagar as dívidas e melhorar a competividade do país e nesse caso o governo além de incompetente não faz idéia do que andou a fazer e do que vai fazer a seguir. 

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