sábado, 28 de julho de 2012

Em terras de Sua Majestade


Gostei do espectáculo de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. A antítese de Pequim sem conceder na grandiosidade. Uma retrospectiva e retrato da mais cosmopolita cidade europeia, o maior entroncamento étnico da Europa em que por ironia do destino os "povos de todo o mundo" cumpriram a exortação de Carl Marx por via do capitalismo. A capital da orgulhosa e idiossincrática Grande Bretanha transformada numa passerelle para a extraordinária iconografia pop que o Reino Unido produziu e exportou para o mundo, como o fizera nos séculos anteriores com a revolução industrial e a própria democracia. Foi afinal um retrato da civilização ocidental, com todos os seus defeitos e virtudes, em que afinal a Inglaterra mantém excepcional influência e liderança.


Reconhece-se também em todo o guião um descomplexado estímulo ao orgulho nacional contrabalançado com a exibição do refinado e proverbial sentido de humor britânico, a regenerativa qualidade que as pessoas inteligentes cultivam de se rirem de si próprias. 
De resto aos mais puritanos relembro que os espíritos verdadeiramente eruditos usam do privilégio de apreciar a arte efémera (quantas vezes perpetuada pelos insondáveis desígnios das modas), um privilégio proibido àqueles cuja sorte ou azedume gerou uma mente limitada ou preconceituosa. Um fenómeno que a democracia jamais conseguirá superar. 

2 comentários:

  1. Não percebo é essa da exortação de Marx. Se a da união de proletários, referia-se a apenas a uma classe e não aos povos, para não falar já que  essa união tinha intuitos bélicos.
    Quanto o resto, é sempre bom saber que há povos com memória. 
    No desfile das nações participantes, vi as muitas bandeiras com as armas britânicas. Que diferença! O que achariam os Ingleses da ideia de venderem a sua Língua-Mãe? E o que achariam Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales ou Sua Alteza Real, o Duque de Cambridge de tal negociata? Que diferença!  

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  2. O espetáculo de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres foi absolutamente deslumbrante:) Sempre admirei os JO e lembro-me de passar muitos dias em frente à TV a assistir a provas de natação de atletas que nunca tinha ouvido falar. Tenho saudades desses tempos e já agora de ver Portugal a ganhar medalhas:)

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