Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é a inveja (dos outros), sentimento a que, pelos vistos, os outros são especialmente atreitos. Quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar incómodo ou inquietação. Como profilaxia ao conflito, o português prefere nada fazer: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz quaisquer laivos de criatividade e ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, derrotada pelos envenenados olhares de colegas, adversários e concorrentes.
Sendo “a inveja”, como “o ódio” ou “o amor”, um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças e credos, pergunto: afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, para quem a iniciativa, o empreendedorismo e a excelência são propósitos comuns, tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue é o pragmatismo e a coragem com que se aplicam nos projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. É o medo que nos tolhe: somos uma cambada de medricas.
Texto reeditado
Estrabão, na sua Geographia, fez uma excelente discrição dos Lusitanos, não se governa nem se deixam governar (citando Cipião), com mais uma série de adjectivos muito interessantes, em particular dedicarem-se ao banditismo e ao ócio!
ResponderEliminarSim, referia-se aos Lusitanos, não aos portugueses... mas a referência é tão actual, não é medo, é falta de vergonha e malandrice que nos colhe!
Até o fado, canção dita nacional, se centra nesse aspecto, a canção do bandido e da mulher da vida dos bares de Lisboa, onde se relevam o aspecto decadente de um povo.
Verdade pura! Eu, por exemplo, tenho uma imensa inveja de SAR o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança Gelada.
ResponderEliminarInteiramente de acordo, caro João. E feliz por ver alguém dizê-lo, finalmente.
ResponderEliminarComo ciscunstância atenuante só vejo a pobreza: os pobres não são corajosos.
Ou será ao contrário?
A sua discrição também é excelente. Só com os israelistas é que a sua discrição se torna indiscreta e se vai um pouco abaixo.
ResponderEliminarEsqueci-me de dizer que é por não ter sangue azul.
ResponderEliminarSomos uma cambada de medricas? Caro João Távora, não! Eu não sou. Partilho do dito segundo o qual as verdades se devem dizer por inteiro...quem tem medo, fica em casa.
ResponderEliminarAh valente!!! :-)
ResponderEliminarNão sou valente. Mas falo e documento. Coisas da profissão. Acampo onde tiver que acampar e quanto mais me vejo com razão, mais me fortaleço e avanço. Creia-o, sinceramente e sem qualquer tipo de pretensão.
ResponderEliminarÉ por isso que é anónimo?
ResponderEliminarNaturalmente, meu Chico - esperto, no espaço em que escrevo. Ora debite aí o seu nome. Quer ver que ambos não o fazemos por razões consideráveis?
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