segunda-feira, 19 de julho de 2010

O futuro é quando?

Há um primeiro-ministro que todos declaram já morto politicamente. Há um candidato que todos dizem ser certo que vai ganhar. Ninguém percebe o que ele diz ou quer, para além das banalidades da menor “presença do Estado” na Economia, mas todos o acham simpático e os jornalistas e comentadores (e, diz-se, também o “tecido empresarial”…) já o vão tratando com o respeitinho que dedicamos a quem pode vir a mandar. E tem a seu favor o maior “dado” de análise de todos os que se dedicam a comentar a política nacional: está à frente nas sondagens. Por isso, deve ter razão, o caminho que escolheu é o melhor, os seus adversários não interessam.
Enquanto o PSD se deleita com a “vitória” nas sondagens e com o “sentido de Estado” que os impediu de derrubar o Governo quando era possível, os mesmos analistas garantem que, eleições, eleições, só daqui por um ano e olhe lá. Seremos governados por mortos-vivos, o estado do País pode agravar-se a cada semana, mas que ninguém pense que há hipótese de mudar antes de Junho de 2011, mercê do virtuoso sistema de eleição presidencial que criámos. Entretanto, graves dirigentes sociais-democratas “reflectem” sobre se o Presidente deve ter mais poderes, mais um ano de mandato e outros assuntos vitais para resolver “a maior crise da nossa democracia…”. Os jornalistas, como é óbvio, não só não estranham como alimentam esta proveitosa discussão da qual depende o futuro da Pátria.
Daqui um ano, tudo se resolverá. Está tudo previsto. Todos sabem em que estado estará o País no próximo ano, o que irão pensar os portugueses na altura, o que o recém-eleito presidente irá fazer, como os socialistas irão reagir…E também se não for exactamente assim, espera-se mais um pouco, outro ano se for necessário. Adia-se o tal futuro que era "agora". Ir para eleições e correr o risco de perder é que nunca. Nisso, o País vem em segundo lugar. Sá Carneiro não era bem dessa opinião e via a política como um risco, não adiava as soluções em que acreditava? Bem, citar o fundador é só em certas ocasiões, aniversários, congressos, etc. "Agora", há muito mais juizinho.

16 comentários:

  1. A falta que por estes dias faz um rasgo e...  "coragem". 

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  2. Houve eleições em Outubro e o PSD perdeu. Convém não esquecer

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  3. Nas eleições de Outubro José Socrates prometeu não aumentar os impostos...prometeu o TGV...prometeu...

    aldrabou numeros, ocoltou o gravissimo Endividamente de Portugal etc, etc

    este Governo não tem legitimidade nenhuma para governar!! foi uma autentica FRAUDE com a conivencia da comunicação social...vergonhoso!

    mas enfim, estado do país apenas reflete a comunicação social que temos...praticamente metade da população vive em condições de pobreza ou no limiar, com tendencia ainda para aumentar com o aumento do desemprego...a Comunicação Social a pintarem um país cor-de-rosa quando na realidade ele estava e agora ainda mais, negro!! Socrates e afins, bazem...e podem levar tambem o parceiro do tango...




     

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  4. Viva, Luís. Se há alguém que se lembra bem que o PSD perdeu e todos os dias vê a falta que Manuela Ferreira Leite (até o João Marcelino diz agora que ela tinha razão, vê lá tu...) faz à governação, sou eu. As eleições, convém também não esquecer, definiram um quadro parlamentar em que o PS é minoritário e pode ser derrubado do Governo. Com a razão de, como lembra o comentário abaixo, do Tric,  ter faltado a quase tudo o que prometeu, até o cheque-bebé... Mas como diz o João Távora é preciso coragem. E, acrescento eu, é preciso saber o que se quer e ter capacidade para governar.

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  5. Há três maneiras de o governo cair: dissolução da assembleia, demissão do 1º ministro e moção de censura. A primeira depende de Cavaco Silva, a segunda de José Sócrates, a terceira dos outros partidos. Em nenhuma das hipóteses o PSD controla todos os factores, portanto isto não depende da 'coragem', mas das circunstâncias apropriadas. Uma moção de censura provocaria uma crise política e penalizaria quem a iniciasse. O PSD derrubar o governo só serviria os interesses do CDS e do Bloco. E se 15 dias depois, o FMI entrasse em Portugal, a culpa seria do partido que produzira a moção de censura.
    Além disso, 30% do eleitorado ainda não avalia a verdadeira extensão da crise e, se houvesse eleições agora, iria provavelmente votar no PS. Além disso, para haver eleições, mesmo com queda do governo, era preciso que Cavaco dissolvesse a assembleia.
    Ao contrário do que escreves, e do ponto de vista do PSD, esta não parece uma boa ocasião para eleições, até porque há presidenciais. Do ponto de vista do país também não é uma boa ocasião, pois tudo indica que não haveria clarificação política e ainda acabávamos num bloco central ou num governo de salvação.
    Em relação a Manuela Ferreira Leite, só tenho a dizer o seguinte: perdeu as eleições devido a uma má estratégia e ao facto de ter subestimado José Sócrates. E não entendo porque tem de ser lembrada nesta conversa ao jeito de 'eu tinha razão'. Não, não tinhas razão.
    Saudações fraternas

     

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  6. Pronto despediram o Tric, que ele agora anda contra o governo!!!

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  7. Luís Naves,

    Manuela Ferreira Leite "perdeu as eleições devido a uma má estratégia e ao facto de ter subestimado José Sócrates".

    Má estratégia é dizer a verdade contra a aldrabice?
    Subestimar Sócrates é recusar-se a admitir o incomensurável despudor do sujeito?

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  8. Não há futuro. E como o futuro faz parte da História, também já não há História.
    Só há História quando há um projecto - que tem o futuro para ser realizado.
    Onde está o projecto e quem é o projectista?

    Para manter a empreitada neste ritmo, estão muito bem o Alegre e o sub, o Sr. Sócrates. O Arquitecto é o Supremo e a obra chama-se República.

    Uma ruina que aperenta estar em pé.

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  9. e agora temos um PM renascido do incêndio que Passos Coelho ateou no PSD.

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  10. Da Ega.

    Que o Supremo Arquitecto tenha pelo menos piedade da gente.

    Se for preciso até vou à cozinha por avental e tudo

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  11. Meu caro:
    No outro dia ofereceram-me um avental de cozinha. Tem escrito «Sr. dos Aflitos» na frente.
    A outra razão é porque é a romaria da minha terra. A primeira V. calculará...

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  12. Sócrates foi eleito, mesmo com maioria relativa, porque o povo/eleitor é burro! os jornalistas, "imparciais" "formadores de opinião", são burros!! e a "velha", não servia para governar, porque era preciso "uma visão optimista"!
    e então a derrapagem das contas públicas de mais de 6% neste último semestre? e o que diz o novo líder do PSD, com seu grande "sentido de estado"?
    Realmente o maior sinal de democracia é distribuição homogénea de burrice!

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  13. Marquesa de Carabás22 de julho de 2010 às 08:46


    Tem a certeza Sr. Ega? É que andavam por aí a distribuir uns, por sinal muito jeitosos, mas eram da Senhora da Agonia... ainda bem que o seu é só dos aflitos. Sendo assim já promete: umas caldeiradas, uns peixinhos assados agora para o verão...



    Cumprimentos



    Marquesa de Carabás

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  14. Senhora Marquesa:
    A minha aflição toca as raias da agonia.
    Talvez mesmo uma caldeirada me recompusesse.

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  15. Obrigado, Luísa. Peço desculpa pela demora em responder, caro Luís. Usas aqueles que julgo terem sido os elementos de análise da actual Direcção do PSD para dançar o tango com o Governo e deixar o País arrastar-se na crise por mais um ano, dois, talvez mais. Não vou repetir o que eu acho dessa análise errada, vinda aliás de pessoas que creio estarem por detrás desta proposta de revisão sem pés nem cabeça, o melhor que os socailistas poderiam pedir neste momento. Quanto à questão da "razão", percebeste mal. Eu aqui não tenho importância nenhuma. Quem tinha razão era Manuela Ferreira Leite, como todos os dias se demonstra. E há seguramente mais de dois anos que ela alertava exactamente para o que se está a passar. Quanto à célebre má "comunicação", para mais vinda de um jornalista, é de facto pouco consistente. Todos os dias, jornalistas próximos do PS ou próximos da então oposição interna e actual direcção do PSD (tu, tal como eu, conheces vários deles) distorciam, desenquadravam, silenciavam intervenções de MFL e de outros dirigentes do PSD. Na campanha eleitoral, até houve um tal "caso das escutas", não sei se te lembras...O erro de MFL e dos seus próximos foi não ter percebido até que ponto hoje há "jornalistas" que são mais políticos do que outra coisa, nem o grau de hostilidade e mesmo de ódio que pessoas como ela despertam na Comunicação Social. Mas tudo isso é passado. As pessoas votaram como votaram, deixaram-se manipular como deixaram, os militantes do PSD escolheram maciçamente o que escolheram, o Governo é o que merecemos, o actual PSD é o que os seus militantes merecem.  Enquanto isso, o País está no descalabro, sem esperança à vista, entretido em irrelevâncias. A culpa é nossa e somente nossa.

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