Esta velha contenda entre Israel e a Palestina sempre me deixou perplexo e dividido, num incómodo limbo de indefinição nunca consegui aderir a um partido. Por uma questão de feitio, o abstencionismo sempre foi para mim uma dura provação. Mas neste caso tomar um dos partidos seria sempre uma fuga para a frente: é demasiado fácil cair na comiseração para com os irredutíveis palestinianos, ou comover-me com os judeus vítimas crónicas de sanguíneas hostilidades.
A detestável saga do conflito israelo-palestiniano, a par de outros insanáveis nós cegos do direito internacional e da geopolítica, constitui uma tão insuportável quanto inabalável prova da estagnação civilizacional do homem, e de como a paz e o amor constituem uma impossibilidade administrativa: só se edifica com o coração, de baixo para cima, de dentro para fora, como numa pessoa, como na biologia. Com o coração. O resto é demagogia e propaganda, e quem procurar a justa razão, encontra-la algures dispersa e decomposta no meio das duas partes.
Em nenhuma guerra há razão. Uns desentendem-se porque provocam, outros porque retaliam à provocação. Duas cabeças duas sentenças. Um Mundo em paz é utopia. Bom era que não fosse. Bom mesmo, era que os ocidentais conseguissem entender os árabes, ou qualquer outro povo, sem querer ocidentalizá-los.
ResponderEliminarOs Hebreus viveram milenios expulsos da sua terra, foram escravos do Egipto, foram preseguidos durante a inquisição aqui em Particular por D João III, foram massacrados na II grande guerra e no dia em que lhes deram um país, os vizinhos islâmicos pura e simplesmente votaram este povo ao extremínio.
ResponderEliminarClaro que Nasser tinha intuitos deturpados, a única coisa que queria era poder imperial e para isso reuniu os países que circulavam Israel e passou à acção.
Para se defender e em várias fases Israel tomou territórios estratégicos fundamentais para a sua defesa, em particular os montes Sírios de Golan e a porta do Egipto de Gaza.
Daí em diante a vítima tornou-se no monstro e o mundo uniu-se para ajudar à causa da destruição deste país.
Durante anos e anos choveram roquetes, rebentaram carros armadilhados, assassinaram atletas olímpicos, tudo em nome de Deus, da Palestina, da justiça, do direito internacional...
Israel existe, é uma democracia, é um país livre; os vizinhos não são laicos, vivem em estados Islamitas onde a lei do Islão é a regra; a mensagem de Deus deles toma sempre a figura do anjo da morte em intifada permanente; Israel defende-se, os anos ensinaram que não se pode vacilar.
Por um tempo ainda acreditei na Palestina e na reconversão à paz de Arafat, talvez embalado pelo seu prémio nóbel... Puro engano, o Hamas tomou o poder.
É uma guerra; não é sempre justa ? As guerras nunca o são, mas ninguém pode negar a este país tão martirizado pelos séculos o direito fundamental de simplesmente existir.
Partilho inteiramente do seu ponto de vista!
ResponderEliminarParabéns pela análise lúcida!
Cumprimentos