Escapando ao massacre noticioso da morte de Saramago, que Deus o tenha, em boa hora me pus a caminho de Viseu para o Congresso da Causa Real, onde, durante o fim-de-semana, entre congressistas e observadores, se reuniram mais de duzentas pessoas oriundas de todo o país, um acontecimento que imprensa e restantes órgãos de comunicação social fizeram por ignorar olimpicamente. O facto é que, no coração de Portugal, na bela cidade de Viseu, durante dois dias se discutiu o futuro e o sonho duma regeneração de Portugal. Contrariando um país sem ideal ou utopia, encerrado nas suas funestas contas de mercearia e frívolas distracções fracturantes que o condenam à decadência e extinção.
Durante dois dias, no Teatro Viriato celebrou-se João das Regras, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Venceslau de Lima, Antero de Quental, Carlos Malheiro Dias, João Camossa, Ribeiro Teles, Henrique Barrilaro Ruas, Couto Viana e João Aguiar, Almeida Braga, Francisco Sousa Tavares, Sofia Mello Breyner, e tantos outros obreiros do ideal monárquico desta nação quase milenar. Apelou-se à abnegada militância dos monárquicos em vez de discussões pueris, à intervenção voluntariosa, rua a rua, porta a porta, num empenhamento esforçado para mater o sonho vivo do resgate de Portugal. Foram contundentes e emocionantes as palavras proferidas pelo homem livre que é José Adelino Maltez. Foram sábias as palavras de José Valle de Figueiredo sobre a monarquia e o municipalismo, o nosso ancestral contrapoder da tendência macrocéfala do Governo Central. E quão pertinente foi a explanação de Rui Monteiro sobre a esquerda monárquica contra o preconceito, a pior barreira à inteligência. No final ficaram a ecoar as tão serenas quanto convictas palavras de Paulo Teixeira Pinto, num desafio ao banqueiro republicano da comissão das festas para um debate franco e democrático sobre a nossa anquilosada república que a todos nos subjuga e empobrece há cem anos. A nós, monárquicos, desafiou-nos à resistência e à acção, como resposta e serviço a um povo sedento de verdade e esperança.
Triste é que, enquanto isto, o país mediático, acentua o seu trágico e crescente divórcio com a realidade. Nele se despendem energias e recursos financeiros em inúteis discussões, sobre assuntos fracturantes e... eleições presidenciais! Como se estivesse nessa estéril instituição a solução para a sinistra crise económica e de valores em que o país se afunda. Entre desistir e lutar, há que saber escolher.
Fotografia: Maria Meneses
Olha, Viseu está tal e qual o cimo do Parque Eduardo VII!
ResponderEliminarGostava de saber se aproveitou para fazer propaganda ao CDS lá no congresso da Causa Real, ou isso é apenas para o Corta Fitas.
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ResponderEliminarRecomenda-se a leitura de tudo.
Quanto a mim, especialmente da de José Adelino Maltês. É só fazer o link.
No passado fim-de-semana, todo o bom monárquico se deslocou à Suécia, mesmo com sacrifício.
ResponderEliminarTenham juízo!
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ResponderEliminarJoão:
Tive pena de não ter sabido a tempo de não marcar outros compromissos. Apenas soube na sexta, por aqui, quando li o seu post a informar que iria estar cá.
Ainda assim, fui ver o programa e constatei que cobravam 30€ aos observadores. Só isso, por si só, afasta as pessoas e se acrescentarmos a falta de divulgação e a pouca sensibilidade para a causa...
Espero que tenham tido uma excelente estadia. Eu, pela parte que me toca, tive pena de ter estado fora logo neste fim-de-semana.
Uma boa notícia para os Monárquicos:
ResponderEliminarhttp://www.ionline.pt/conteudo/65484-psd-dividido-comissao-discute-apagar-republica-da-constituicao
ResponderEliminarCara Leonor: infelizmente nao temos dinheiro para publicidade ou divulgaçao. O que se vai fazendo é obra do crer de uns quantos e de muito trabalho em horas extras. A estadia foi intensa mas agradável, a cidade está uma beleza, uma liçao de ordenamento e preservaçao.
cumprimentos
O ministro britânico das Finanças prepara-se para anunciar hoje subidas de vários impostos, designadamente sobre o sector financeiro, rendimentos de poupança e IVA, a par de novos e profundos cortes nas despesas sociais, para tentar corrigir o “caminho de ruína” em que o novo Governo diz ter sido posto o país pelo anterior Executivo trabalhista.
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ResponderEliminarAh, ontem não havia foto.
A Rua Formosa em toda a sua formosura.
É linda a minha cidade.
Ainda bem que gostou. Na próxima divulguem, p.f., com mais tempo (ainda que à custa de horas extras:))
Sobre a obra Levantados do Chao de Saramago
ResponderEliminarNunca li nada assim tao desconcertante:
Entretanto atraiu-me a descrição pormenorizada
È descrito com uma crueza real e de uma profundidade ,de um conhecimento como que vivido;
relata o pensamento a amargura e o seu grande sofrer de todas as personagens em todo o seu dia a dia ;
a fome as humilhações com que os (grandes senhores)
ou seus lacaios lhes infligiam
E como se nâo bastasse , a policia politica e seus esbirros ,lançou-se sobre os já desgraçados da vida miseravel, avanção sobre eles,qual alcateia esfomeada
sugando-lhes o resto da personalidade,e as poucas forças fisicas que restam para os amachucar e retirar toda a a dignidade a que tinham direito.
Deixa bem patente toda a bestialidade com que eram investidas tais autoridades e o gozo que usufruíam com o cometimento de tamanhas atrocidades.
Poucas foram as alegrias destes personagens,os tempos de vivencias foram dificeis para eles
Depois de tantos sofrimentos e temores raiou a aurora da liberdade, que ,de pouco lhes serviu, tiveram de continuar a lutar por coisa nenhuma há sempre quem esteja no alto e comande a seu (gosto).
O pequeno é sempre pequeno por mais que tente crescer.
Este é o meu comentário e confesso lio com sofreguidão
Amélia Caria