quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O grande embuste

O meu rapaz mais velho que está este ano no 12ª ano tem Psicologia como cadeira opcional, uma daquelas para encher balões e que não contam para os exames. A leccionar a cadeira saiu-lhe na rifa um personagem animadíssimo que se reclama Astrofilósofo (o quer que isso seja), assunto sobre o qual disserta nas aulas e escreve numa publicação popular. 


Entre as várias afirmações bombásticas deste senhor que chegam em conversa à mesa de jantar lá de casa, estão verdadeiras pérolas da incultura vigente: que as religiões são todas perversas, ou que ele  não está ali para ensinar a matéria mas para fazer dos seus alunos “melhores pessoas”. Lindo serviço este que estamos a patrocinar com a nossa anuência e os nossos impostos. 


 

18 comentários:

  1. Pode ser Deus a testar a fé dos crentes
    por via do ministério da educação.

    ResponderEliminar
  2. Sinceramente, João, julgaria que alguém normalmente tão bem informado estivesse a par do papel fundamental dos Astrofilósofos na construção da nossa civilização.

    Uma pesquisa no Google indica que é algo estranhamente próximo da astrologia...Não houve aqui há algum tempo uma polémica qualquer sobre um curso de auras e crianças indígo que era aceite pelo ministério da educação como competência para professor?

    E nenhum desses especialistas pode usar o seu dom de presciência para ver em que estado ficará a educação?

    ResponderEliminar
  3. Astrofilosofia não é uma área das Novas Oportunidades?

    ResponderEliminar
  4. O seu filho, por acaso, não está na Anselmo de Andrade, em Almada não?
    É que a minha irmã tem um professor de Psicologia estranhamente parecido com essa descrição...

    ResponderEliminar
  5. Cheira-me que é um inimputável de nome Prudêncio...

    ResponderEliminar
  6. Declaração de interesses, como agora se usa: sou professor desde 1976 e orgulho-me disso.
    Posto isto, o que mais falta no ensino são "disciplinas" inúteis ou de utilidade duvidosa (e.g., Estudo Acompanhado, Formação Cívica, "Área de Projecto", Sociologia, e outras cujo nome nem lembra ao Diabo). E não faltam também cabecinhas pensadoras, que, por vezes, nem escrever sabem, ignoram a tabuada, nunca leram um livro, nem talvez um jornal na vida, mas têm ideias brilhantes sobre tudo. Infelizmente, sou constantemente forçado a ouvir as respectivas reflexões profundas...
    Quanto ao dinheiro dos impostos, de acordo: mas pense nos 5000 licenciados (em quê? para quê?) que vão empastelar ainda mais as nossas repartições, pense no milhão -- desconheço o número exacto-- de funcionários públicos existentes, pense nos 7000 (admito que haja alguma incorrecção no número) de professores primários destacados para bibliotecas e tachos afins, vá ao site da Caixa Geral de Aposentações, pergunte pela idade dos reformados Educadores de Infância e 1º Ciclo -- e relativizará a sua indignação.

    ResponderEliminar
  7. Na minha experiência, João, o 12.º ano ainda só serve para que os nossos estudantes percam, de vez, os já precários hábitos de trabalho que trazem dos anos lectivos anteriores. É um ano pouco mais do que fictício, sem conteúdo estruturado e sem interesse. A minha filha, durante todo o 12.º ano, não pegou, nem – o que é realmente grave! – precisou de pegar num livro (de estudo).

    ResponderEliminar
  8. Isso, realmente, é obra...Curiosamente eu achei precisamente o contrário, nomeadamente que a diferença entre o 12º e os dois últimos anos foi considerável e , consequentemente, tive que pegar nos livros todos.

    ResponderEliminar
  9. Nos meus tempos de décimo-segundo ano, Psicologia era, sim, uma cadeira opcional (em Humanidades, tal como IDES, Tradução de Inglês, Tradução de Francês e Sociologia), mas não era de todo uma cadeira "para encher balões". Bem pelo contrário: era uma excelente introdução à Psicologia, para quem considera que pode ser uma disciplina importante (e interessante).

    Se hoje é assim, então lamento muito. Mas com professores como esse astronabo que descreve, não há tema ou disciplina que resista.

    ResponderEliminar
  10. Igualmente, notou-se a diferença em relação aos dois anos anteriores.

    ResponderEliminar
  11. Olá,

    Em vez de vir para aqui mostrar a sua indiganção porque é que não se dirige ao local adequado e apresenta a sua queixa?

    Não estará a querer conversa?

    ResponderEliminar
  12. Desde que provoque discussão já é bom... pelo menos nessa parte faz algum serviço publico :)

    ResponderEliminar
  13. Bernardo e João, é possível que as coisas difiram entre as várias áreas. Eu falo pela área de Artes e nessa área, no ano lectivo de 2008/2009 e no liceu que a minha filha frequentou (que é um liceu público com boa reputação), não houve que estudar (nem quase que fazer). Foi um ano perdido.

    ResponderEliminar
  14. fantástico. hoje uma amiga que lecciona biologia contou-me que ela e as colegas andam a pensar descer bastante a exigência na disciplina para que os miúdos não escolham a psicologia ( que dá sempre boa nota) no 12º e continuem na biologia e assim irem mantendo a clientela e o emprego.
    e que tal os pais perguntarem aos meninos porque escolhem isto e não aquilo? disciplinas fáceis só podia dar coisa esquisita.
    E puuuffff , escolaridade obrigatória foi o fim da escolaridade séria.

    ResponderEliminar
  15. Agradeço todos os comentários, alguns dos quais contribuem para uma discussão séria sobre o ensino em portugal, uma questão fulcral para o futuro de Portugal e dos portugueses.

    ResponderEliminar
  16. Boa noite!
    Afinal "há palhaços" também nas escolas!
    Por favor, diga ao seu filho que estude e leia e faça perguntas ao pai e à mâe, mas que não leve esse Astro...(ou asno?) a sério.
    Até porque ele, o Astrofilósofo, daqui a um tempo, pode ser chutado para Marte.
    - Quando houver neste país, uma política de Educação a sério; que é o que está cá a fazer, realmente, falta.
    Tenha paciência e ensine o seu filho a ser independente e a ver nos professores, meros auxiliares de memória.
    Fique bem
    mcm

    ResponderEliminar
  17. Parece o (im)prudêncio!

    ResponderEliminar
  18. viu o que eu disse ? da minha amiga bióloga? o drama agora de quererem diminuir disciplinas nuns anos quaisquer ? os profs aflitos? o estado quis aumentar a escolaridade para dar emprego a profs e manter pessoas de 15 , 16 e tal fora do mercado de trabalho. mas dá barraca nas contas públicas se os ordenados forem o que são lá pró meio e fim da carreira ( esquisito como os profs não ganham todos igual , dado a importãncia do 1º ano que leccionam ser a mesma do último , mas pronto) , e agora andam a palpar formas de reparar estragos. fantástico !! onde o estado mete o bedelho sai sempre bosta.

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...