O meu rapaz mais velho que está este ano no 12ª ano tem Psicologia como cadeira opcional, uma daquelas para encher balões e que não contam para os exames. A leccionar a cadeira saiu-lhe na rifa um personagem animadíssimo que se reclama Astrofilósofo (o quer que isso seja), assunto sobre o qual disserta nas aulas e escreve numa publicação popular.
Entre as várias afirmações bombásticas deste senhor que chegam em conversa à mesa de jantar lá de casa, estão verdadeiras pérolas da incultura vigente: que as religiões são todas perversas, ou que ele não está ali para ensinar a matéria mas para fazer dos seus alunos “melhores pessoas”. Lindo serviço este que estamos a patrocinar com a nossa anuência e os nossos impostos.
Pode ser Deus a testar a fé dos crentes
ResponderEliminarpor via do ministério da educação.
Sinceramente, João, julgaria que alguém normalmente tão bem informado estivesse a par do papel fundamental dos Astrofilósofos na construção da nossa civilização.
ResponderEliminarUma pesquisa no Google indica que é algo estranhamente próximo da astrologia...Não houve aqui há algum tempo uma polémica qualquer sobre um curso de auras e crianças indígo que era aceite pelo ministério da educação como competência para professor?
E nenhum desses especialistas pode usar o seu dom de presciência para ver em que estado ficará a educação?
Astrofilosofia não é uma área das Novas Oportunidades?
ResponderEliminarO seu filho, por acaso, não está na Anselmo de Andrade, em Almada não?
ResponderEliminarÉ que a minha irmã tem um professor de Psicologia estranhamente parecido com essa descrição...
Cheira-me que é um inimputável de nome Prudêncio...
ResponderEliminarDeclaração de interesses, como agora se usa: sou professor desde 1976 e orgulho-me disso.
ResponderEliminarPosto isto, o que mais falta no ensino são "disciplinas" inúteis ou de utilidade duvidosa (e.g., Estudo Acompanhado, Formação Cívica, "Área de Projecto", Sociologia, e outras cujo nome nem lembra ao Diabo). E não faltam também cabecinhas pensadoras, que, por vezes, nem escrever sabem, ignoram a tabuada, nunca leram um livro, nem talvez um jornal na vida, mas têm ideias brilhantes sobre tudo. Infelizmente, sou constantemente forçado a ouvir as respectivas reflexões profundas...
Quanto ao dinheiro dos impostos, de acordo: mas pense nos 5000 licenciados (em quê? para quê?) que vão empastelar ainda mais as nossas repartições, pense no milhão -- desconheço o número exacto-- de funcionários públicos existentes, pense nos 7000 (admito que haja alguma incorrecção no número) de professores primários destacados para bibliotecas e tachos afins, vá ao site da Caixa Geral de Aposentações, pergunte pela idade dos reformados Educadores de Infância e 1º Ciclo -- e relativizará a sua indignação.
Na minha experiência, João, o 12.º ano ainda só serve para que os nossos estudantes percam, de vez, os já precários hábitos de trabalho que trazem dos anos lectivos anteriores. É um ano pouco mais do que fictício, sem conteúdo estruturado e sem interesse. A minha filha, durante todo o 12.º ano, não pegou, nem – o que é realmente grave! – precisou de pegar num livro (de estudo).
ResponderEliminarIsso, realmente, é obra...Curiosamente eu achei precisamente o contrário, nomeadamente que a diferença entre o 12º e os dois últimos anos foi considerável e , consequentemente, tive que pegar nos livros todos.
ResponderEliminarNos meus tempos de décimo-segundo ano, Psicologia era, sim, uma cadeira opcional (em Humanidades, tal como IDES, Tradução de Inglês, Tradução de Francês e Sociologia), mas não era de todo uma cadeira "para encher balões". Bem pelo contrário: era uma excelente introdução à Psicologia, para quem considera que pode ser uma disciplina importante (e interessante).
ResponderEliminarSe hoje é assim, então lamento muito. Mas com professores como esse astronabo que descreve, não há tema ou disciplina que resista.
Igualmente, notou-se a diferença em relação aos dois anos anteriores.
ResponderEliminarOlá,
ResponderEliminarEm vez de vir para aqui mostrar a sua indiganção porque é que não se dirige ao local adequado e apresenta a sua queixa?
Não estará a querer conversa?
Desde que provoque discussão já é bom... pelo menos nessa parte faz algum serviço publico :)
ResponderEliminarBernardo e João, é possível que as coisas difiram entre as várias áreas. Eu falo pela área de Artes e nessa área, no ano lectivo de 2008/2009 e no liceu que a minha filha frequentou (que é um liceu público com boa reputação), não houve que estudar (nem quase que fazer). Foi um ano perdido.
ResponderEliminarfantástico. hoje uma amiga que lecciona biologia contou-me que ela e as colegas andam a pensar descer bastante a exigência na disciplina para que os miúdos não escolham a psicologia ( que dá sempre boa nota) no 12º e continuem na biologia e assim irem mantendo a clientela e o emprego.
ResponderEliminare que tal os pais perguntarem aos meninos porque escolhem isto e não aquilo? disciplinas fáceis só podia dar coisa esquisita.
E puuuffff , escolaridade obrigatória foi o fim da escolaridade séria.
Agradeço todos os comentários, alguns dos quais contribuem para uma discussão séria sobre o ensino em portugal, uma questão fulcral para o futuro de Portugal e dos portugueses.
ResponderEliminarBoa noite!
ResponderEliminarAfinal "há palhaços" também nas escolas!
Por favor, diga ao seu filho que estude e leia e faça perguntas ao pai e à mâe, mas que não leve esse Astro...(ou asno?) a sério.
Até porque ele, o Astrofilósofo, daqui a um tempo, pode ser chutado para Marte.
- Quando houver neste país, uma política de Educação a sério; que é o que está cá a fazer, realmente, falta.
Tenha paciência e ensine o seu filho a ser independente e a ver nos professores, meros auxiliares de memória.
Fique bem
mcm
Parece o (im)prudêncio!
ResponderEliminarviu o que eu disse ? da minha amiga bióloga? o drama agora de quererem diminuir disciplinas nuns anos quaisquer ? os profs aflitos? o estado quis aumentar a escolaridade para dar emprego a profs e manter pessoas de 15 , 16 e tal fora do mercado de trabalho. mas dá barraca nas contas públicas se os ordenados forem o que são lá pró meio e fim da carreira ( esquisito como os profs não ganham todos igual , dado a importãncia do 1º ano que leccionam ser a mesma do último , mas pronto) , e agora andam a palpar formas de reparar estragos. fantástico !! onde o estado mete o bedelho sai sempre bosta.
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