Ainda sobre o casamento gay, debate tendencialmente tão agreste e fracturante, gostaria para terminar, de clarificar a minha opinião sobre a incontornável questão das adopções.
Exceptuado o aspecto, para mim não despiciendo, da nomenclatura do contrato de união civil entre dois homossexuais, concordo com tudo o que o Luís Naves refere no seu ponderado texto em baixo. Ou seja, em última análise reconheço que a lei poderia contemplar a possibilidade de adopção de crianças por homossexuais, desde que salvaguardado o perfil psicológico e social garantidamente idóneo. Admito que pessoas com este perfil dariam melhor conta duma perfilhação do que qualquer casal de grunhos heterossexuais. Claramente uma solução dessas seria sempre preferível à do internamento em qualquer precária instituição de acolhimento existente. Só que, last but not the least, parece-me que deverá ser regra, sempre que possível, dar preferência a soluções de adopção mais próximas quanto possível o modelo natural, biológico, de um pai e mãe, desde que garantidamente competentes para o exigente papel. Esta parece-me uma incontornável e positiva discriminação.
Está a ver, João, como assim se percebe muito melhor a posição que defende?
ResponderEliminarCom o título do seu post de ontem, ninguém diria que esta era a sua opinião sobre o assunto...
Com muita pena minha, não tive oportunidade de participar no debate de ontem trazido pelo post do Luís Naves, mas li atentamente todos os comentários e continuo a achar que esta questão, de tão complexa, leva as pessoas a proferir afirmações inflamadas sobre assuntos paralelos, eles próprios mal resolvidos na nossa sociedade.
E a adopção é, de facto, uma delas. Seja qual seja o candidato, seja qual seja a criança.
Por isso, e congratulando-me com esta sua postura bem mais ponderada do que a de ontem, deixo-lhe uma questão: e se antes disto tudo, tentássemos perceber o que é que falha nos processos de adopção e na legislação correspondente, para podermos depois partir com justeza para as devidas alterações?
Serei lírica? Talvez. Mas talvez também já fosse tempo de usar as redes sociais para se fazer mais qualquer coisa do que emitir opiniões; actuar, reunir experiências, dados, contactos e tudo o que mais a internet poderá oferecer a partir de uma iniciativa, digo eu, não sei....
Tendo sempre a lembrar-me de que, se os meus pais fossem homossexuais, eu nem sequer por aqui andava...
ResponderEliminarNão percebo. João Távora, o que está a dizer é que perante dois casais, deve escolher-se o que tem melhores condições e dá mais garantias. É claro. Mas isso já é feito, ou devia ser feito. Se um casal homossexual for melhor que um casal hetero, escolhe-se o primeiro. Óbvio
ResponderEliminarPedro
Post...quase-quase-quase perfeito.
ResponderEliminarAbraço
"dar preferência a soluções de adopção mais próximas quanto possível o modelo natural, biológico, de um pai e mãe, desde que garantidamente competentes para o exigente papel. Esta parece-me uma incontornável e positiva discriminação."
ResponderEliminarPrimeiro, desde quando uma descriminação é positiva?
Segundo, desde quando o modelo biológico é o modelo natural? Isso é resumir o ser humano à sua capacidade de procriação e não à sua essência enquanto ser capaz de produzir pensamentos e sentimentos completos.
ser homossexual é anti-natura ?
"A fim de relatar o comportamento homossexual nos outros animais, o Museu de História Natural de Oslo, na Noruega, apresentou em 2006 a primeira exposição dedicada a "animais gays", que foi chamada de Against Nature ", exibindo cerca de 500 espécies que existem relatos de comportamento homossexual de um universo de 1.500 relatos, desde mamíferos e insectos até crustáceos."
O tema é também um contraponto à expressão contra-natura utilizada para referenciar actos sexuais entre pessoas do mesmo sexo no passado, sendo menos usual hoje em dia.
"A ideia surgiu depois de analisarmos o livro do biólogo Bruce Bagemihl , Biological Exuberance ', no qual ele descreve cientificamente a homossexualidade de muitas espécies animais. Acreditamos que essa seja uma forma de contribuir socialmente para a discussão de um tema que ainda causa tanta polémica ".
"Um estudo publicado pelo periódico Trends in Ecology and Evolution " concluiu a importância do comportamento homossexual para a evolução de muitas espécies animais, como entre as fêmeas do albatroz-de-laysan Phoebastria immutabilis ), do Havaí que se unem a outras fêmeas para criar os filhotes, especialmente na escassez de machos, tendo mais sucesso que as fêmeas solteiras. O estudo conclui que a homossexualidade ajudou as espécies de diferentes maneiras ao longo da evolução."
Para mim é uma questão de aceitação de algo que É NATURAL, FAZ PARTE DO SER HUMANO E ESTÁ PRESENTE NA NATUREZA. Se calhar as pessoas deviam começar a pensar pelas suas próprias cabeças em vez de seguirem regras impostas por religiões e políticos de mente e conteúdos mesquinhos e redutores da verdadeira natureza do ser humano.
DESCRIMINAÇÃO
ResponderEliminar1. acto ou efeito de absolver de crime, de inocentar
2. DIREITO acto jurídico através do qual um crime deixa de ser considerado como tal
Discriminação nada tem a ver com acto ou efeito de absolver de crime/inocentar. e desde quando ser homossexual é um crime para ser agora absolvido de crime?
ResponderEliminardefinição de discriminação positiva no dicionário:
"discriminação positiva medida ou conjunto de medidas de excepção destinadas a prevenir ou eliminar formas de discriminação e/ou a compensar desvantagens resultantes de atitudes e estruturas discriminatórias vigentes, promovendo assim a igualdade de oportunidades;"
Isto na perspectiva das crianças. E eu volto a perguntar, desde quando uma criança está em desvantagem só por ser adoptada por um casa homossexual? Por essa ordem de ideias os homossexuais nunca poderão adoptar porque colocam as crianças em todo o tipo de desvantagens. Ou seja, para elas igualdade de oportunidades não é saírem de instituições para encontrar uma família que as ame porque isso não basta. tem de ser obrigatoriamente um homem e uma mulher. para mim estas ideias são um bocado... estranhas. não compreendo como consegue alguém falar nestes termos acerca de pessoas como nós-
E depois queixam-se da discriminação que essas crianças sofrem na escola por parte dos colegas. Essa vem dos adultos e da sociedade. E admiram-se por as crianças serem tão preconceituosas.