segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A banalização do escândalo

 



 


A minha apreensão não se prende tanto com a degradação do regime que enseba e recomenda-se, guloso no coito duma Europa protectora, mas com o fenómeno de banalização do escândalo, solidamente instaurado neste país a que já nos envergonhamos de chamar pelo nome. 


Se na política a relativização dos valores representa um passo decisivo para o abismo das nações, pior significado se me afigura a falência da capacidade de indignação de todo um Povo. Sucede que a gritaria que prevalece perdeu efectividade, o escândalo deixou de o ser, afundado num inútil bruaá onde a Verdade há muito entregou a alma ao Criador.


Vivemos dois mundos distintos e desligados: o dos comentadores (profissionais ou de café) e o país real, corrupto e inviável que navega autista na senda dum esquema o redima por mais um dia.  A situação fede a peste, mas aguenta-se no balanço. 

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