terça-feira, 4 de agosto de 2026

Nos velhos tempos do PREC

Há cinquenta e um anos, neste dia 4 de Agosto, a minha terra de Famalicão viveu o que foi, de certeza, o mais conturbado momento de toda a sua História. Estava-se, então,  no auge do PREC.

Nos meses anteriores, acontecimentos diversos vieram abalar a sua soberania de gente livre que sempre foi. A 11 de Março, a destruição da sede do CDS; depois o sistemático boicote dos comícios dos partidos da Direita, a prepotência da minoria comunista (docente e discente) no Liceu, os programas de "dinamização" do MFA (os lavradores execraram-nos!) e - o que mais deu que falar - a prisão do industrial e benfeitor Manuel Gonçalves, obrigando-o a refugiar-se em Espanha, e a auto-gestão da sua TMG, vale dizer a sua entrega a uma comissão de 17 sindicalistas, obviamente militantes do PCP e do MDP.

Não tardou, a empresa principiou a des-funcionar, os salários a não serem pendularmente pagos, e os seus trabalhadores a verem a sua vida a andar para trás. De tal modo que, no início de Agosto, dirigiram-se aos escritórios na Vila, onde imperava a dita Comissão, e informaram-na de que queriam o regresso do patrão e que "os 17" se pusessem a andar.

Andou-se umas horas nisto. O dia 4 calhou uma quarta-feira, dia de muita afluência de gentes à Vila, por ser o da feira semanal. A pressão sobre a Comissão Administrativa da TMG aumentou: os trabalhadores entraram de roldão nas suas instalações, obrigando à fuga dos sindicalistas. De caminho, destruiram o escritório de um advogado comunista que era o seu mentor. E, com a multidão já imensa, dirigiu-se a população famalicense à sede do PCP, localizada no enorme edifício murado, que antes fora o Colégio Camilo Castelo Branco. Cercaram-na, então, sendo que já lá se encontrava (no interior) uma companhia do Regimento de Infantaria de Braga. Os portões foram encerrados e o cerco durou horas crescentemente agressivas. Houve disparos efectuados pelos militares - na sequência do inquérito levantado, disparos apenas "intimidatórios" mas apontados ao solo (!!!). E o resultado saldou-se em duas mortes do lado dos manifestantes - ainda segundo o dito inquérito, porque as balas de G-3 ricocheteram na calçada e atingiram as vítimas.

Eis o que retiro da imprensa local da época (em notícia com as respectivas fotografias): «o tractorista Laurentino de Carvalho, casado, de 34 anos de idade, natural e residente na freguesia de Gondifelos, neste concelho, que ocasionalmente ia a passar e se apaixonou pelos acontecimentos»; «Luís Barroso, 18 anos de idade, que ao tentar socorrer [era enfermeiro] o Laurentino, que caiu à sua beira atingido mortalmente, foi também derrubado por uma rajada».

Fosse a PSP, fosse quem fosse e... Mas eram ainda os tempos do MFA, e os militares alapados dentro da sede do PCP eram-lhe afectos.

5 comentários:

  1. Muito se branquearam e romantizaram esses tempos. O actual estado do nosso país em larga medida muito se deve a esse facto.

    Carneiro

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  2. Combater os comunistas/socialistas/marxistas passa por implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.

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  3. Não conhecia o assassinato de Laurentino Carvalho, nem de Luís Barroso, curiosamente, nessa história não há nenhum militar "Carrajola".
    Os assassinatos cometidos em democracia por militares de esquerda serão mais meiguinhos?
    Não provocarão dar nas famílias?
    Um forte abraço e votos de boas férias se for o caso.

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    Respostas
    1. Obrigado meu caro. Um abraço e umas excelentes férias para si também.

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