O título deste post é o último verso da "Receita para fazer um herói", de Reinaldo Ferreira, e lembro-me frequentemente dele, deste verso final, quando começo a ouvir os excessos retóricos sobre o heroísmo dos bombeiros que são frequentemente usados para disfarçar o facto da doutrina portuguesa de gestão do fogo ser a clássica opção pela extinção rápida, na variante que posiciona água nas estradas, quando falha o primeiro ataque.
Nenhum general, nenhum comandante, nenhum instrutor de tropas especiais quer fazer dos seus homens heróis, todos eles reconhecem a brutalidade do verso de Reinaldo Ferreira e do que os generais precisam é de soldados vivos, ninguém ganha guerras com heróis mortos.
Pelo contrário, uma das linhas mais duramente aplicadas na instrução militar é exactamente a ideia de que o grupo é incomparavelmente mais importante que o indivíduo e que qualquer desvio do indivíduo em relação às ordens que tem, pode pôr em risco todos os outros.
Se já me parece excessivo insistir em pedir a quem se disponibiliza para fazer o esforço e o correr o risco associado ao combate aos fogos mais que aquilo que podem dar, acho imoral usar a retórica sobre o seu heroísmo para disfarçar o facto de haver muito menos combate ao fogo florestal do que devia, substituído pelo posicionamento de meios para defender casas, pessoas e infraestruturas.
Heróis, por muitos que sejam, não podem compensar os estragos causados por maus generais que aplicam doutrinas erradas de abordagem ao problema.
> "Serve-se morto"
ResponderEliminarOu morta, como já foi o caso.
Acho particularmente revoltante pôr mulheres em risco de vida em nome das mirabolantes igualdades.
Que isso seja considerado "progresso" só demonstra que o dito progresso se opõe às regras básicas de sobrevivência de um povo. Tem tudo para acabar mal.
A mim parece-me natural que se dê prioridade a defender as casas, ao fim e ao cabo elas têm muito mais valor e utilidade imediata do que as florestas.
ResponderEliminarPode parecer natural mas o Comando tem é de olhar ao todo e aos meios ao seu dispor, agindo em consequência
EliminarConcordo. pessoas> propriedades onde vivem trabalham, hospitais etc>infraesturas>resto. A única razão para o combate florestal é se este permite proteger as prioridades indirectamente.
EliminarVerdade ??
EliminarOntem num canal discutiam-se fogos. De repente, pára tudo, selecção. Os convidados foram convidados a sair. Saltam para o ecrã 3 ou 4 comentadores da bola a debitar bitaites sobre o mundial, enquanto se esperava pela CI do CR7.
ResponderEliminarConclusão: que arda tudo. Temos o que merecemos
Caro senhor
ResponderEliminarRrespeite os bombeiros, e os militares em combate, não fazendo associações forçadas, nem interpretações ligeiras do espírito e ânimo de um combatente. Fale por favor, dos fogos, para o que parece ter formação e experiência; não desça à Guiné, ou Tete, onde nunca esteve, e se é limitado na "opinaçâo".
Cumprimentos