segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sim, somos nós

Uma jornalista (Rafaela Burd Relvas) e um jornal (o Público) entendem que o Estado deveria ter mais casas para responder ao problema da habitação, provavelmente porque acham que o Estado é mais eficiente que os privados a prover habitação, nomeadamente aos mais pobres.

Eu acho que estão a pensar mal, mas é irrelevante, é perfeitamente legítima a opção.

Coisa diferente é quando a jornalista resolve dizer que o Estado está a vender casas no estado em que estão, abaixo do preço do mercado, porque a mediana do INE para o custo por metro quadrado, na zona, é mais alta.

É um caso evidente de comparação entre laranjas e maçãs, uma falsa analogia clássica que é uma asneira descomunal, não se trata de uma questão de opinião, mas de uma comparação errada de preço entre casas que não estão nas mesmas condições de habitabilidade que outras casas que estão no mercado, grande parte delas, em condições utilização imediata.

Asneiras todos fazemos e embora uma asneira desta dimensão ser tratada pelo jornal como informação já seja espantoso, o mais espantoso é que quando se faz notar à jornalista que comparar o preço de casas que precisam de passar por todo o processo urbanístico para a sua recuperação, para além do investimento para as lhes dar condições, com o preço de casas prontas a habitar, a jornalista não nega que está a fazer uma comparação inaceitável, limita-se a dizer que na mediana do INE também há casas que não estão imediatamente habitáveis, isto é, a jornalista sabe perfeitamente que está a aldrabar, mas acha que pode, desde que arranje uma justificação qualquer.

Tudo isto é mau jornalismo, portanto, não há novidades.

O que vale a pena é, com base em informação fictícia como esta, ver o PS a chamar o ministro sobre o assunto, ver o PC a fazer requerimentos solicitando informação, ver os economistas que escrevem nos jornais absolutamente calados, ver os donos do jornal a aceitar a produção de informação fictícia como sendo aceitável (seria o mesmo que o dono do Continente aceitar vender salsichas com o rótulo de bife da vazia) e todos, todos se vão, Galiza ficas sem homens, que possam perguntar como chegámos aqui, ao ponto em que aceitamos que um jornal dito de referência faça chamadas de primeira página para peças que comparam o preço da noite nas pensões da Praça da Alegria com o preço de uma noite no Ritz, concluindo que na Praça da Alegria o preço das noites é muito abaixo do preço de mercado.

Eu não entendo como chegámos a este ponto em que a maior barbaridade pode ser escrita e publicada, aceite como boa, desde que sirva o meu interesse político.

Não vai ser fácil sair deste pântano, razão tinha o Guterres.

1 comentário:

  1. Como chegamos aqui na matéria em questão ??

    Ora em tempos que já lá vão alguém se lembrou que era de bom tom os Jornalistas terem Formação, sobretudo porque a Europa pagava.

    Obviamente para dar Formação são precisos Formadores, que a Europa pagou e Formadores de Formadores e também isso a Europa Pagou.

    Quando as Luzes se acenderam uma data de gente estava certificada, os Formadores contentes e prósperos, e o paízeco cumpria os desígnios Europeus que como se sabe passaram a substituir os 10 Mandamentos e fizeram da terreola uma coisa prafrentex e modernaça.

    E é nessa fase que estamos; chegamos aqui e padecemos a coisa.

    A parte boa é que a grande maioria e é mesmo uma grande maioria dos Portugueses, já atingiu o nível em que não dá conta ou quando dá, tanto lhe dá como se lhe deu







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