sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Observador e Israel

 Ao contrário de uma convicção generalizada na esquerda, e mais limitada na direita, o Observador não é um jornal de direita, é um jornal cujos accionistas gostariam que fosse liberal, o que se reflecte no conjunto de colunistas que escrevem regularmente, mas que tem uma redacção que é a que é possível.

E a primeira impossibilidade é fazer uma redacção de um jornal sem jornalistas.

Como o jornal tem uma rádio associada, e como a rádio tem muitos dos seus jornalistas a dar opiniões (a produção de notícias não enche 24 horas do dia e, mesmo repetindo programas de comentário no mesmo dia, como acontece, 24 horas por dia, sete dias por semana, é muito tempo), é muito fácil perceber que a redacção do Observador não é muito diferente da redacção do Público,.

Basta ouvir, por exemplo, Judite França a falar do pacote laboral, ou os jornalistas da secção de política a conversar sobre politiquinha, sem o menor interesse nas políticas que se reflectem no dia a dia dos ouvintes, comentando o que este e aquele disseram (o jornal até tem o hábito de escrever artigos a explicar aos leitores as entrelinhas de discursos políticos, como se os destinatários precisassem dos jornalistas para entender o que lhes é dito), raramente discutindo factos reais e resultados reais das opções políticas feitas (bem podiam aprender com o Instituto +Liberdade, que regularmente publica factos sobre assuntos da actualidade).

É o que é, a redacção faz-se com os jornalistas que existem e os jornalistas que existem chegam de escolas de jornalismo que acham que explicar o mundo futuro é mais importante que descrever o mundo realmente existiu.

Há, no entanto, coisas que manifestamente estão para lá do aceitável, é o caso de toda a cobertura que é feita sobre Israel e assuntos conexos, de que é exemplo o que escreve, por exemplo (é um mero exemplo, com variações, todos escrevem no mesmo sentido, ao contrário do que escrevem os cronistas do Observador) Madalena Moreira.

Debaixo de um título completamente absurdo ("Israel e Hezbollah trocam ataques apesar de cessar-fogo.", como se o Hezbollah tivesse aceitado o cessar fogo que Israel assinou com o Estado do Líbano, a quem o Hezbollah não reconhece qualquer autoridade), escreve-se "Uma das zonas mais fustigadas do país foi a cidade de Tiro, onde pelo menos doze pessoas ficaram feridas num ataque israelita contra o hospital Jabal Amel".

Acontece que nunca houve um ataque israelita contra tal hospital, o que houve foi um ataque próximo desse hospital, que provocou danos no hospital, havendo alegações israelitas de que isso é assim porque o Hezbollah se coloca sempre perto destas infraestruturas civis, exactamente para se proteger.

O que a redacção do Observador escreve é objectivamente falso, mas isso não demove o jornalismo militante que caracteriza a redacção do Observador, tal como as restantes redacções.

Ainda vão conseguir transformar o jornalismo num activo tóxico que justifica a actuação da polícia inglesa no caso da morte do rapaz acusado de racismo.

8 comentários:

  1. Subscrevo todas as palavras deste texto. Deixei de assinar o observador o mês passado. Não volto a assinar enquanto essa Madalena Moreira lá escrever.

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  2. "O que a redacção do Observador escreve é objectivamente" um apoio e um alinhamento propagandístico com o movimento terrorista Hezbollah.
    Tudo o resto é poeira para os (nossos) olhos...

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  3. O Observador é um jornal de extrema esquerda apesar das páginas de opinião, nem é preciso ir a Israel, basta ver como noticiaram o Ataque contra a marcha contra o aborto. "Incidente" como a Lusa, como usam as palavras código da narrativa, por exemplo quando escolhem protesto vs quando escolhem ataque, quando escolhem activista vs quando escolhem extremista.
    Os livros a que os jornalistas dão destaque e artistas que escolhem entrevistar, as noticias que censuram e até as as que escrevem o contrário do que aconteceu. Exemplo: Existiu uma manifestação contra o presidente de camara socialista e muçulmano de Nova Iorque Mamdani perto de sua casa, essa manifestação foi atacada por Islamitas. O Observador deu a entender que quem tinha sido atacado tinha sido Mamdani. Mesmo depois de corrigido por muitos leitores nada fizeram.

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  4. Inteiramente de acordo.

    Há excepções honrosas no sentido de jornalismo jornalismo, no Observador, mas também há militância e proselitismo até dizer chega, incluindo certas nuances contra o Chega.

    Mas mesmo assim está um par de furos acima da Concorrência pela Qualidade dos Conteúdos.

    Exemplos; o programa de turismo está bem estruturado e apresentado.

    O Sacadura é um excelente profissional e os seus programas de escuta fácil e agradável.

    Os Programas do Rui Ramos são de escuta obrigatória.

    Igualmente as Intervenções de Luiz Rosa, descontando o pó que ele tem ao Sócrates, está bem de ver.

    Não sei os nomes mas é de louvar a qualidade dos programas sobre inteligência artificial e novas tecnologias.

    E as Intervenções de manhã da Helena Matos e do J Manuel Fernandes.

    Há umas verduras, falas sobre cinema e umas coisas feitas por malta nova, mas penso que em passando o tempo também esses irão melhorar.

    Já me esquecia; a parte desportiva incluindo cobertura de eventos. Bom e nada a apontar



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  5. Essa ultima frase é um tratado de palermice.

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    1. O jornalismo já é um activo tóxco. Foi tomado por activistas.

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  6. Subscrevo totalmente.
    A classe jornalística segue toda a mesma cartilha em estilo manada

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